domingo, 3 de janeiro de 2016

03-01-2016

É estranho não estar num Domingo, na véspera de ir para um sítio onde já não quis estar com tanta força. As malditas depressões de Domingo. E não vou negar que agora não sinta um pouco, afinal este deveria ser o ano em que eu já lá não estava. Mas pegando na consciência que ultimamente tenho tido em abundância, o que eu quis foi fugir, dizendo a mim mesmo coisas que não eram verdade, desculpas e promessas não cumpridas. As condições que temos são estas. Podem não ser as ideais - de certeza que não serão, somos incompletos e insatisfeitos por natureza - mas temos que estar gratos por elas. Só estando gratos por elas é que estamos conscientes do que temos, do que merecemos e daquilo que queremos ter. Estou grato por tudo o que tenho, por todos os projectos, por ter uma família que me ama, um trabalho para me sustentar, colegas e chefias que reconhecem o meu valor. Estou grato por não estar acomodado por esta fase que chamo de transição. Estou grato por saber que vou ter um filho com a Marta seja de que forma for, mesmo que seja numa altura em que tudo me assusta, principalmente a parte financeira, mas também estou grato por não ter o pensamento na carência e por saber que pensar que "o momento certo para o quer que seja nunca será agora" é uma armadilha. Não há amanhã nem houve ontem, a única coisa que temos agora, portanto é agora que tem que acontecer tudo o que tem que acontecer. E enquanto tiver isso em mente, não há nada que não possa acontecer, mesmo que coisas menos boas sejam inevitáveis. Eu aceito-as em conjunto com as boas. Eu aceito. Eu coloco-me no rio.

E finalmente deixo-me ir.

31-12-2015

Apercebi-me agora de uma coisa engraçada. A maneira como sempre me sempre senti vazio na altura do Natal e ano novo sempre foi devido a um sentimento ingénuo de que estas épocas sempre iriam trazer o fim a algo. Como se fosse o final de um filme ou livro. O fim de algo. É certo que o ano acaba, mas o final fica sempre aquém. Fica sempre a faltar alguma coisa. Um final em grande. Bombástico. As crianças dão-se bem, o casal é mais feliz que nunca, o negócio é fechado, a expansão é assegurada. No entanto, as coisas na realidade não são bem assim, não por não ser possível acontecer todas estas coisas fantásticas, mas por simplesmente não haver fim. Nem mesmo quando a nossa vida acaba, tudo continua. Não da maneira que estávamos habituados mas mesmo assim continua. Não há fim. É incrível que com trinta e cinco anos de vida, só agora é que me apercebi de que uma das principais razões das minhas depressões de final de ano, além de tudo aquilo que passei no passado, era algo tão simples como isto. Não estou a dizer que agora estou a passar pelo mesmo. Estou... consciente. Consciente de que apesar de tudo o que aprendi, continuo a aguardar por épocas como estas para esperar que o final feliz que eu acho que desejo me cai do céu como o milagre dado por um anjo que ainda não ganhou as suas asas. A questão é que estamos presos neste plano existencial. Se há teorias que dizem que o futuro, passado e presente acontecem simultaneamente, então, mais que nunca, só temos o agora para viver. Por isso, hoje, nas últimas horas que este ano de 2015 tem para me dar, eu avanço para o futuro com a consciência de que, mais que nunca, tudo depende de mim e não de um argumentista fantasma para um filme que não sabemos se vai ser filmado ou não.

2015 não foi a concretização de todas as promessas que tinha feito a mim mesmo. Foi a concretização e solidificação de outras. Sim, é melhor solidificar as bases do que estar a construir telhados sem fundações. 2016... não vou dizer que será isto ou o outro, apenas que... 2016 vai continuar a trazer-me ainda mais consciência de onde eu estou, de quem eu sou. E isso, vai levar-me onde eu devo ir. Que é o que tenho feito até agora, de forma mais ou menos inconsciente.

Feliz 2016.