quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

27-02-2014

A viagem, apesar de longa e cansativa correu bem. Gosto destas visitas às nossas sucursais. Estar com outras pessoas, conhecer outras realidades. Esta viagem também deu para me aperceber do quão estou cansado desta vida de trabalhar por contra de outra pessoa/empresa. Seja por já não me identificar com os valores, seja por tudo aquilo que tenho a sentir nos últimos tempos. Cada vez mais a vontade de deixar para trás o que já não me serve é enorme. Não tenho que suportar o quer que seja se sentir que não me serve, certo? É continuar e largar, largar e continuar. Parece simples, mas é sempre muito mais complicado do que parece. Ou se calhar é tão simples que se torna complicado. Não sei, é o que é. A questão que se coloca é o aceitar. Aceitar que é simples, aceitar que é complicado. Simplesmente aceitar. Quando se aceita, não há mais nada a digerir, não há revolta, não há vontade de fugir. Aceita-se e age-se. 

Eu aceito que o sítio onde estou não é para mim. Aceito que preciso mudar, agindo em conformidade com o que quero, uma vida em pleno, uma vida de satisfação pessoal com o meu papel aqui. A armadilha é... ir mais além do dizer que aceito. Ir aquela parte em que não controlo. Os sentimentos que geram pensamentos que se tornam visíveis e muitas vezes, mesmo assim, passam despercebidos. Por experiência prévia, sei que os pensamentos, se não forem alimentados, como tudo, acabam por definhar. Por isso... nesta fase vou ter que usar um pouco mais do controle que já usei muitas vezes no passado. Não deixa de me parecer como um passo atrás, mas não há que ter vergonha de voltar atrás para seguir em frente ainda mais determinado.

26-02-2014

Amanhã vou de viagem. Nem sabia, mas tinha obrigação de saber já que me foi dito. Apenas percebi que era em Março e não em Fevereiro. De qualquer forma, é positivo, mudo de ares, saio da rotina. É engraçado perceber que se antes abraçava a rotina, precisava dela, estou progressivamente a ficar alérgico. É boa, sem dúvida, para acabar projectos. Ter a rotina de fazer algo, para todos dias dar um pequeno passo na direcção do cumprimento desse objectivo. É útil, verdadeiramente. O problema é quando algo que é útil torna-se em algo que é lei. Obrigação. Algo que quando não é cumprido, se torna desconfortável. Algo que quando é retirado faz com que se sinta desorientação. E então agarra-se à rotina, como forma de conforto. A zona de conforto. Neste momento estou farto da minha zona de conforto. Tornou-se uma prisão. Verdadeira prisão e não há ninguém a culpar que não eu próprio, mas talvez nem me deva culpar por isso. Provavelmente foi o que eu precisei para sobreviver naqueles momentos difíceis. Lá está, aquilo que precisei para ganhar conforto, mas me reconstruir depois da auto-destruição a que mergulhei. Foi o que precisei até chegar a este ponto em que... quero mais que isto. Quero sair da prisão. Resta saber sair para onde. Talvez só tenha de dar o primeiro passo.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

25-02-2014

Incrível a quantidade de coisas que quero fazer durante um dia e a quantidade de coisas que tenho de deixar para trás... gostava sinceramente de que o meu dia tivesse 48 horas ou então que não precisasse de dormir, mas esse é um caminho perigoso, no qual já trilhei vezes demais. De qualquer forma, e mais uma vez, é tudo sobre o equilíbrio, é tudo sobre escolhas. Acho que na minha mudança de vida, tudo passa por aí. Prioridades. Sendo eu sozinho é mais difícil de ter prioridades, porque eu sou péssimo a escolhê-las. Quando a vida nos ajuda, torna-se mais fácil, partindo do principio que as aceitamos, claro. Mesmo assim, são dez e meia da noite e eu ainda tenho tantas coisas que quero fazer e tantas coisas que vou deixar para amanhã, tal como aconteceu ontem. Estou a falar disto não de um ponto de vista de frustração. Apenas gostava de fazer estas coisas, mas se calhar não lhes estou a dar importância o suficiente para as colocar à frente das rotinas. Uma coisa que reparei é que desde que este ano começou, as rotinas têm sido destruídas ou abaladas. Destruídas não, mas abaladas sem dúvida. Concertos para fazer reportagem à última da hora, terapias repentinas, alterações de planos para ir aqui ou ali, outros planos cancelados. E a minha resistência é progressivamente menor. Engraçado, nem sequer tinha reparado nisso...

Não deverá ser alheio o facto que o trabalho e a sua rotina me estejam a causar confusão e comichões interiores. Algo para reflectir na meditação desta noite.

24-02-2014

Ontem quando cheguei a casa tinha uma dor de cabeça brutal. Olhando para o que escrevi, nem sei como o fiz, deve ter sido o automático. Tentei aplicar alguns dos truques que aprendi e a coisa atenuou. Truques... até parece que estou num circo. Técnicas soa melhor. Bem, melhorou. Fiz o Reiki da ordem e dei-me ao descanso, apesar de ter acordado cedo. De qualquer forma, apesar do dia mais ou menos tranquilo, houve sempre aquela questão do ambiente mais denso com a Catarina, que ainda pica de vez em quando, que se acumula ao facto de estar simplesmente a morrer de aborrecimento cada dia que passa naquele escritório. Sinto-me mal por dizer isto mas a verdade é que me sinto a definhar aos poucos. Preciso de coisas que façam o meu coração vibrar, que o façam cantar sem cansaço. Mas não posso apontar o dedo a ninguém a não ser a mim mesmo, quando ainda não consegui definir o que quero ao certo. Como posso eu manifestar e agir em direcção a algo se não estou totalmente alinhado com aquilo que quero?

Obviamente que tudo isto junto provoca perda de energia - e eu sinto os buracos no meu campo áurico, como se fossem buracos num pneu, a vazar lentamente sem que se perceba bem de onde. A vida também não pára e apesar das terapias estarem mais ou menos pausadas, consigo não ter tempo para o que é importante. Sem dúvida que mais uma armadilha do ego, a querer-me dizer que ainda não estou pronto, que devo esperar, que devo sentir melhor, ver melhor, perceber melhor o que quero. Tenho que tentar ter algum controlo com isto, senão fico sempre no mesmo ponto à espera que o mundo pare, quando sou eu que devo parar.

O que quer dizer que... hoje também comecei a ter dor de cabeça no final da tarde. No entanto, algo mudou. Ainda antes de começar a escrever estas palavras, estive a ver uma possibilidade de emprego que nunca tinha pensado antes. Trabalhar num cruzeiro. Sempre foi algo que resisti. Afinal se eu resisto à mudança como é que não iria resistir a ir para um barco durante meses, longe de tudo e de todos? Perfeitamente normal, certo? No entanto, dei comigo a ver várias companhias, a verificar condições, os lugares e... não senti medo. Coincidência ou não, a dor de cabeça desapareceu.

23-02-2014

Hoje perguntaram-me o que é que eu queria saber. Como se eu estivesse à frente de uma máquina que responde a todas as perguntas e tivesse a hipótese de escolher uma. Acho que este sempre foi um problema meu. Um mundo lá fora. Um mundo de conhecimentos, um mundo de pessoas, um mundo de experiências, sabores, sons, sensações. E eu quero-as a todas. Começar numa ponta e seguir tudo até ao fundo. Até que a vida começou a ensinar-me que não posso experimentar tudo, não posso fazer tudo, não posso controlar tudo. Tenho que ser criterioso, tenho que escolher, tenho que preferir umas e preterir outras. A vida ensinou-me que eu estou num rio e que por vezes consigo apanhar coisas na margem desse rio. Que nem sempre tudo está ao meu alcance quando estou a flutuar no rio. Que por me focar em algo que está fora do meu alcance, por lutar por a alcançar, acabo por me desviar daquilo a que o rio me levaria. Por vezes fica-se tão fixo naquilo que se deseja… ainda bem que nem sempre o temos porque se o tivéssemos sempre, seria mais doloroso descobrir que afinal aquilo que se deseja não é aquilo que se precisa.

É um caminho difícil de discernir porque não há ninguém que nos engane tanto como nós próprios. E quando o assunto é enganar-nos, somos peritos no assunto.

Ah! Quase que me esquecia de dizer, o mais importante. Hoje também foi o dia em que fui fazer um workshop de cristais e aprendi tanta coisa. Tanta coisa simples e tanta coisa que posso usar como ferramentas. Não digo isto  numa perspectiva de terapeuta, mas sim numa perspectiva pessoal. Uma ferramenta para conseguir melhores resultados para algo tão simples e mesmo assim que parece tão impossível como ter paz interior. Não há tesouro ou melhor dádiva que essa.

22-02-2014

Esta é uma semana de transição. Ou está a ser. Acho que estou a arrumar e a resolver coisas na minha vida que ficaram pendendes, mas principalmente, estou a arrumar e a resolver coisas dentro de mim que ficaram pendentes. Coisas que nem sequer ainda sei muito bem o que são. Andar em frente, teimosia ou necessidade. Necessidade talvez de realmente mudar tudo e começar de novo. Acho que nunca senti tanta vontade como essa. Já senti vontade de acabar tudo… sem estar muito interessado em se começo de novo ou não. Não é o caso. Já não estou nesse ponto. Amo a vida com uma intensidade que não conheço em mim ou nunca me permiti a conhecer antes. Sei que tenho muitas coisas a aprender, muitas coisas a ver, muitas coisas a sentir. Sei que tenho muito a dar. Tanto mas tanto a dar. Mas confesso, falta-me a paciência. Falta-me a paciência para comigo, para com o processo natural das coisas, falta-me a paciência para ter fé, para ter sonhos, para alimentá-los com emoções positivas. Parafraseando Jim Morrison, eu quero o mundo e eu quero-o agora, porque de certa forma, sinto que o tenho aos meus pés, como uma promessa que me foi feita mas que ainda não foi cumprida. Não porque é uma conspiração contra mim mas porque estou muito ocupado agarrado a coisas que não consigo largar, e estando nesse ponto, é impossível agarrar o quer que seja.

É impossível. Mas o impossível para mim é apenas o atalho para ser teimoso e agarrar-me ainda mais. E é nesta altura que por defeito tento recolher a todas as ferramentas, pessoas disponíveis fora de mim. E invariavelmente as respostas são sempre as mesmas.

“A resposta está dentro de ti”


O que não ajuda quanto à questão da paciência. Se por outro lado, encarar isto tudo pelo desafio, então devia estar extasiado porque a cada fase da minha vida que entro em que parece que as coisas estão a entrar em fase cruzeiro, as dificuldades que estão escondidas cedo se revelam e mostram que afinal, afinal, a (minha) vida não é assim tão desinteressante como eu sempre pensei. Todavia, a energia escapa-se por entre os meus dedos. E isso é algo que eu tenho que fazer a respeito. Acho que o concerto de ontem também serviu para falar disso, de ter uma maior consciência do que está cá dentro. Pode parecer ridículo, mas por vezes só sentimos o que temos cá dentro quando o partilhamos com alguém. Não posso dizer que tenha sido exactamente o caso de ontem mas foi algo muito parecido.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

21-02-2013

São duas da manhã e estou exausto. Acho que estas noites consecutivas a dormir poucas horas mostram-me que além de eu não gostar de voltar aos velhos tempos de andar com a cabeça cheia de perguntas e respostas, o meu corpo também não. Pelo menos do efeito que tem sobre ele. Foi um dia em que mais uma vez senti a energia a escapar-se pelos dedos, mais uma vez o trabalho foi agonizante e mais uma vez senti-me a ser contagiado por coisas menos boas. Tinha uma terapia marcada em Lisboa, antes de ir fazer mais uma reportagem mas a mesma foi desmarcada. Não admira, neste estado em que estou, como posso eu cuidar de alguém? As coisas arranjam-se sempre de forma perfeita. Se alguma vez temos dúvidas de como é que elas se processam, bem... basta olhar um pouco à nossa volta para perceber em que ponto é que estamos. Ultimamente, cada vez que o faço fico irritado comigo próprio, sempre com a mesma pergunta em tom acusatório:

"Mas tu ainda aí estás?"

É, parece que sim.

Mais uma dose do remédio da minha mãe e fui fazer a reportagem com um amigo meu, com quem não estava há já algum tempo. Foi bom estar com ele, foi bom ouvir aquela música que me faz vibrar de forma tão positiva. A música sempre foi o meu melhor amigo. Em muitas alturas, o meu único amigo. Não que não os tivesse - apesar de os afastar - mas por ser aquele em me compreendia perfeita e completamente. A minha raiva, os meus gritos por justiça, a minha alegria, a minha tristeza. No final, nem a música me pôde ajudar, tal como nenhum amigo nos pode ajudar verdadeiramente quando nós queremos ir ao fundo. Cheguei a casa de rastos e mesmo assim, ainda encontrei forças para vir falar... comigo. É bom sinal. É sinal que não me estou disposto a abandonar mesmo quando estou prestes a colapsar.

20-02-2014

Felizmente hoje consegui superar aquela inércia de ontem, não sabendo se o remédio da minha mãe ajudou ou não, mas começa a tornar-se complicado arranjar motivação para trabalhar. E essa falta de motivação não ajuda a que mantenha a cabeça longe de sítios que não me servem. É certo que tudo mudou. Esta semana serviu para dar mais um passo em frente em relação a isso, mas esse passo em frente também me fez sentir ainda mais as resistências a que tenho. Não só em avançar mas em relação à forma como vim parar aqui. As coisas mudaram e o fatalismo de outros tempos e as profecias de futuros que são desconhecidos voltaram apenas para me provar que por muito que se evolua, os velhos vícios estão ao virar da esquina. Tal como um drogado. Pode-se limpar o corpo, mas a sua mente, a sua psique, essa é que fica marcada. Essa é que é aquela que pode ser reconduzida ao vício. Por ser a única forma de defesa, por ser familiar ou apenas porque não se tem forças para mais nada. Os suicidas são como os drogados. A tendência para a auto-destruição, a tendência para fugir da dor, mas ao mesmo tempo abraçá-la, não tendo discernimento para distinguir a dor do prazer, a vida da morte. Nem sequer se importando com essa diferença.

Saber isso poderia ser o suficiente para me assustar. Afinal prometi a mim mesmo que amaria a minha vida. Que não iria cair por ninguém e um desentendimento idiota com alguém a quem dei demasiada importância fez-me voltar ao mesmo ponto. A ignorância diria que o erro seria ter dado importância a quem não a merecia e que deveria fechar o meu coração mais uma vez. Mas essa é apenas a questão de fundo. Ou melhor, aquela que está à frente, a mandar areia para os olhos. A seringa está na minha mão, mas a decisão continua a ser minha, apenas minha.

Apesar disto tudo, não deixou de ser um dia mais leve que o anterior. Os pensamentos voam, como abutres, à volta da minha cabeça, mas hoje não me fizeram cair. Ponto para mim.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

19-02-2014

Hoje foi um dia estranho. De manhã, a nossa chefe esteve no nosso escritório e enchi-me de coragem e fui falar com ela. Sempre senti uma segurança e uma familiaridade com ela que sempre me protegeu daquilo que me intimida naturalmente de falar com alguém que está acima de mim hierarquicamente. Mas fi-lo. Abri o coração, como acho que só o tinha feito com ela, como só poderia fazer com ela. E senti-me leve. Não por ela me ter dado a solução que tanto procuro mas por me ter ouvido e por compreender aquilo que estou a passar quando eu próprio muitas vezes não tenho paciência para tal. Não fiz como normalmente faço nestas ocasiões, de preparar um discurso, de antecipar possíveis perguntas, possíveis respostas. Apenas fui despejando conforme fui sentido. Talvez isto seja uma lição para o futuro. Sem grandes planos, apenas ir fazendo conforme as coisas vão aparecendo. Claro que numa conversa é muito mais fácil de fazer do que em decisões de vida mas é um princípio.

Como resultado, fiquei sem dúvida mais leve e pensei que o resto da tarde seria progressivamente mais positiva, mas foi o inverso. Quer dizer, não posso dizer que tenha sido negativa mas positiva não foi de certeza. Fui sentido aos poucos como se me tivesse  a afundar em areias movediças. Uma falta de energia impressionante. Impressionante mas não esquisita. Familiar. Algo que já não sentia há muito tempo. Desde que iniciei o caminho do Reiki. Assim que cheguei a casa pedi à minha mãe para fazer uma reza que ela e a minha avó me faziam quando era criança. Sempre me senti bem. Não que fosse o efeito placebo, de automaticamente me sentir bem por estarem a rezar em mim, mas sentia-me bem. Até brincava com elas que eram massagens espirituais. Elas não achavam muita graça, mas acho que de certa forma, na minha ingenuidade, não estava muito longe da verdade. O que é certo é que aquilo que tinha realmente passou. A minha mãe bocejou bastante e comentou que eu estava carregadinho. Realmente sentia-me carregado. Depois dela ter acabado senti-me melhor, mais leve, mais... normal. Estranho sentir-me pesado depois de me ter sentido leve por algo que fiz, que precisava de fazer. Quebranto. Invejas. Coisas que seriam capaz de me levar a levantar muitas questões antigamente:

Quem? Como? Porquê? O que é que eu tenho para invejar? Porque é que não me deixam em paz? Porque é que não me deixam todos em paz?

Na verdade, tenho que assumir as minhas próprias responsabilidades. Não que tenha consciência de ter feito algo para causar inveja mas porque esta semana tem sido uma semana de muita luta interna, muita busca de alma e muita procura pela paz, sem ter paciência para comigo com a falta de resultados. Como tal, sem energia para me proteger, é certo que fico mais apetecível para energias menos boas. Também sei que esta pequena lição não chegará para corrigir todos os buracos de onde me escapam as energias. Ou sequer para os encontrar. Não agora. Com paciência. Um de cada vez.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

18-02-2014

Hoje foi gratificante. Se pensar antes em ter um part-time era algo que não me fazia sentido - não valia a pena o esforço - agora sempre que tenho uma terapia, é sempre um momento de alegria. Sinto-me muito bem no sítio onde estou a trabalhar e gostaria de trabalhar lá a tempo inteiro. Trabalhar nas terapias, mas sei que talvez o caminho não seja aquele que idealizei. Cuidado com o que desejas, podes muito bem tê-lo, lá diz a expressão inglesa ou americana, nem sei. Acho que o melhor é ficar mesmo aberto a tudo o que suja. Desde a última tentativa de... desde a última tentativa que descobri imensos talentos, coisas que sempre estiveram presentes mas que de alguma forma foram reprimidas seja por mim, seja pelas minhas expectativas de perfeição. Quando esvaziei o que tinha, quando esvaziei o que era, quando quis acabar com tudo, e realmente acabei com tudo, quando tirei todas as lágrimas, todo o sangue, toda a dor, quando fiquei finalmente vazio, sem energia, inerte... foi nesse momento em que... tudo começou a acontecer. Tudo começou a sair, da fonte, como água da nascente. Água a nascer dentro de mim, vida a nascer dentro de mim. Como acontece depois de qualquer catástrofe, a vida, a vida ganha forma, a vida, arranja sempre uma forma, a vida adapta-se para sobreviver. A vida dentro de mim fez o mesmo, aquilo que sou, floresceu dos escombros que resultaram daquilo que eu era. Das máscaras, dos medos, dos traumas, do passado, o passado que passou, o passado que não aconteceu na realidade, no passado sem futuro, no futuro que nunca aconteceria mas que vivi. Todas essas teias que me prendiam. A vida superou tudo. A vida encontrou o caminho, quando eu não tinha mais forças para intervir.

A principal lição de sabedoria será não intervir, não por não ter escolha, mas por confiar que a vida vai encontrar o seu caminho. Que a água a vai levar até onde ela deve ser levada.

17-02-2014

Mais um dia aborrecido no trabalho, compensado pela leveza de lá estar. Soa confuso, não é? Facilita escrever estas palavras apenas para eu ler, não tenho que me preocupar com o que sai ou se alguém vai perceber, julgar, etc. É libertador. Ainda mais do que da primeira vez que fiz... bem, também não será por acaso. De qualquer forma, e voltando atrás, é bom saber que se quer sair do lugar onde se está mas que mesmo assim, consegue-se aproveitar os bons momentos. Que mesmo assim não se sente preso nem se está desesperado, sem opções - como eu me senti no início de vir para esta empresa. Sei que na altura estava em negação, que queria fugir. Talvez agora também queira fugir, por causa de toda esta situação com a Catarina, que cada vez sinto como estando cada vez mais longe mas que também sei, e conhecendo-me bem (finalmente), que vai demorar muito tempo a sarar. Como diz a minha mãe, perdoar até perdoo, esquecer... isso já são outros tantos. Esta situação foi uma benção disfarçada. Foi a minha chamada de despertar para a realidade. A ligação com a Catarina sempre foi tão forte que deixei-me estar, confortavelmente adormecido, a viver o dia-a-dia, sabendo que alguma vez ia acabar mas acreditando que sentindo-me bem, não havia razões para mudar. Esta acontecimento despoletou a mudança. Sem o ambiente que tinha e que proporcionava bem estar, não há mais razões para ficar. E o mais engraçado é que agora que ando a procurar por um caminho para fora do meu actual emprego, é quando o ambiente está novamente a ficar melhor. Mesmo assim, as coisas nunca vão ficar como eram e eu não vou voltar a adormecer outra vez.

16-02-2014

Tranquilidade. Por vezes tenho medo dela. Que seja apenas mais uma desculpa para me manter adormecido. No entanto, também essa recusa pela tranquilidade também pode ser uma desculpa para me manter acorrentado a querer obrigatoriamente fazer algo que considere útil ou proveitoso. E isto foi um bom regresso ao passado. Acho que hoje não fiz nada. E não me importo. Afinal, não são para isso que servem os domingos de inverno? Mesmo com sol lá fora? As expectativas que tenho sobre a vida que devo de ter continuam a aparecer para me atormentar de vez em quando. Atormentar é forte demais porque cada vez mais me deixo ir, mas a preocupação de ter dúvidas se o caminho é o correcto ou não... essa é inevitável. Mesmo assim... não fiz nada.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

15-02-2014

Algo que tenho reparado ultimamente. Quanto mais me deixo ir, menos a sensação de perda tenho. Tinha hoje combinado ir jantar com duas amigas, ex-colegas do secundário, mas acabou por ter de ser cancelado. Não posso dizer que não me tenha afectado, porque gosto mesmo delas e sinto a sua falta, mas aceitei bem. Curiosamente, pouco tempo depois do jantar ter sido cancelado, o Paulo convidou-me para ir ao cinema, com a irmã, cunhado e um amigo deles. Gosto deste nosso grupinho e senti algo - provavelmente que já está cá há muito tempo - que sabe muito bem sentir. Como se fosse um pequeno teste, uma pequena amostra. Sem apego, tudo se resolve. O Universo arranja forma das coisas baterem certas no final. Algo tão simples como o jantar cancelado e uma ida ao cinema. De tal forma que fez-me olhar para trás e procurar por eventos parecidos. Não consegui encontrar nada mas isso talvez esteja relacionado com a forma que eu via a vida antes. Sinto que houve um momento definitivo em que marcou um antes e o depois. O momento em que me fizeram Reiki pela primeira vez. Mesmo assim, tendo sido já três anos atrás (está quase a fazer anos) não me recordo de nada parecido com esta sensação. Espero que ela me continue a ser familiar no futuro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

14-02-2014

Por incrível que pareça, só há pouco tempo, cerca de uma hora depois de ter jantado, é que me apercebi que era dia dos namorados. Mais uma pequena coisa para acrescentar à lista. Devo estar mesmo diferente. Acho que até o ano passado tive alguma ansiedade com este dia. Quando digo ansiedade digo tristeza, por não o poder partilhar com a cara-metade. Quando penso muito nisso, acabo por reparar que nunca o fiz antes. Não em pleno - relações à distância não conta, já que partilhar um dia que se quer especial com mais de trezentos quilómetros de distância não conta. Hoje não tive qualquer tipo de ansiedade, nostalgia por relações passadas, nada disso. Um dia normal como outro qualquer, sem emoções negativas. E um bom dia por acaso, porque finalmente é sexta-feira. Esta semana foi interminável mas serviu para aprender muita coisa, e só por isso, valeu a pena toda a perda de energia e todos os momentos menos bons. Agora descansar e amanhã continuar a delinear o plano para o futuro.

13-02-2014

Tenho sentido vontade de voltar a pegar nas afirmações. Houve uma altura em que procurei controlar os meus pensamentos. Foi bastante complicado já que esses pensamentos estavam assentes em hábitos de anos. Mas mesmo assim, não foi impossível. Aliás, a minha pequena grande vitória neste departamento fez com que se tornasse um exemplo de alento para muitas outras dificuldades. O que parecia ser um monstro imbatível, foi vencido, ultrapassado. Um dia de cada vez, uma batalha de cada vez, um passinho, pequeno passinho de cada vez. Cada dia dado um na mesma direcção, mesmo que no dia seguinte se seja obrigado a dar dois para trás, mas não perder o rumo do que se quer e caminhar sempre nessa direcção. Também foi numa altura em que tinha uma necessidade, quase física, de procurar pelo bem estar. Comecei a ver vídeos do youtube, comecei a fazer uns mantras que achei que ia surtir efeito em mim. Fiz aquilo que achei que me iria ajudar e realmente resultou. O curioso é que quando temos uma táctica qualquer para nos ajudar quando estamos desesperados é que quando ela resulta, nunca mais nos lembramos dela. Sem culpas, acho que é mesmo a nossa maneira de ser. Ou pelo menos a minha. Bem, mas como preciso de motivação, vou aproveitar o facto de estar insatisfeito com o meu trabalho para visualizar a situação profissional que desejo. 

Porque não? O único requisito é imaginar, sonhar. Isso faço a todos os momentos, é só questão de orientar os pensamentos, imaginação, sonhos para aquilo que quero. Que a criação comece.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

12-02-2014

"Respira...

A pulsação está acelerada, o corpo estica-se com as mãos agarradas ao passado enquanto o presente leva-o para longe. O tempo não vai parar. O tempo não pára. Não para ti. Não para ti. Não aqui. E tu sabes que também é tudo uma questão de tempo. Até que as mãos falhem ou até que o corpo ceda. Nada dura para sempre e o esforço para manter algo de forma natural, menos tempo dura. Quando permitires o tempo andar, quando te permitires a ir com ele, perceberás que o teu lugar não é no passado, nem no presente feito de ilusões. O tempo é a tua onda. Permite-te a andar nela sem resistência. Permite-te a que te traga aquilo que pediste. Respira... permite... confia."

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

11-02-2014

Estranho processo o de hoje. Um dia de chuva e de frio. Daqueles dias que muitas vezes têm efeitos díspares. Ou nos fazem sentir quentes e aconchegados em qualquer canto onde estejamos ou que nos faz sentir como se fosse a representação de como nos sentimos: frios, cinzentos, baços, sem energia. De certa forma hoje andei por estes dois sentimentos. A energia é gasta, nem nos apercebemos como. Um pensamento gera pensamento, que alimenta outro pensamento que dá origem a mais uma centena de pensamentos semelhantes. Quando os pensamentos são positivos, tal não é problemático. Pelo contrário. No entanto, quando algo nos preocupa e mesmo que essa preocupação surja de maneira inocente, suave, quase dissimulada e se instala, então essa será o início de mais uma tempestade interior. E tenta-se combater, tenta-se fazer o contra-ataque para inverter a situação mas apenas nos apercebemos que é tarde demais quando nos vemos presos em areias movediças. Quanto mais nos queremos libertar, quanto mais nos debatemos mais vamos ao fundo. Por vezes não fazer nada é a melhor forma de combater. Por vezes a não acção é a melhor acção a ter. As tempestades passam, as nuvens seguem. Nós também seguimos. Talvez o Bruce Lee tenha razão, talvez tenhamos de ser água. Adaptar-nos às situações se maleável quando ser maleável é a única forma de prosseguir caminho como quando a água procura o seu caminho, pelas frinchas das rochas. Nada é imutável, nós não o somos certamente. Então porque é que tudo parece eterno num dia feio de Inverno? Talvez seja apenas a desculpa que temos para ficarmos embaixo, para darmos vazão ao drama, para por uma vez que seja, tudo aquilo que parece esconder-se nas sombras de um dia de sol possa finalmente ver a luz dia. O que é certamente é algo que reflecte o que somos e hoje fui cinzento porque o cinzento, infelizmente ou felizmente, faz parte das cores que tenho disponíveis para pintar a minha vida. Sinto-me grato por poder pintar a minha vida. Se a cor de um dia é a cor cinzenta, então que assim seja. E foi esse o processo hoje. Sentir gratidão, sentir gratidão por todos os processos que aconteceram e que continuam a acontecer neste preciso momento, quer eu tenha percepção deles ou não. Sentir gratidão. Verdadeira, por tudo. Não apenas para fazer de conta ou porque é suposto chegar a um certo ponto e fazer isso. Estar-se grato. A quantidade de vezes que se perde a paz depois de estarmos gratos só demonstra que ainda existe uma ou outra lição a aprender.

Estou grato, verdadeiramente, por todas as pessoas que me acompanharam desde sempre. Mesmo que em dias cinzentos como este me sinta tão sozinho como julgava nunca mais me sentir, sei que estou mais bem acompanhado que nunca. A diferença é que os dias cinzentos colocam isso em desafio.


Como disse… há sempre uma outra lição a aprender.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

10-02-2014

A vontade de sair deste emprego está realmente a apertar, mas o que é bom é que sinto uma certa paz. Sinto que estagnei. Da última vez que senti estagnado num trabalho, tentei desesperadamente sair até que simplesmente desisti e acomodei-me. Ou assim me recordo. Toda essa fase da minha vida é um pouco nublada como se estivesse estado adormecido. De certa forma, estive mesmo. E mais recente, quando fui despedido e vim para onde estou agora, também queria fugir a todo o custo mas nessa altura, daquilo que eu queria fugir, não havia escapatória. Apesar de poder estar um pouco parado em termos de iniciativa, não creio que esteja inerte. Talvez me esteja a enganar a mim próprio, mas... talvez seja esperança ou certeza. Ou então é apenas algo que me diz que tenho de ser menos analítico comigo mesmo. Talvez não me esteja a esforçar muito ou talvez me esteja a esforçar demasiado, nada disso interessa se qualquer um desses estados me faça sentir mal. É uma questão de confiar em mim. Confiar em mim o suficiente para saber que sou capaz de superar os desafios que me aparecem e principalmente, sou capaz de fazer aquilo que quero fazer.

Agora a paciência para tal... essa é outra questão.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

09-02-2014

O mundo lá fora parece que está a acabar. Não me recordo de ter estado uma tempestade tão forte... só por breves momentos mais de vinte anos atrás, mas de resto... tanto vento e chuva... parece coisa de filme. De qualquer forma, estando em casa, mesmo com a luz a falhar de vez em quando, permite-me a passar um bom tempo de qualidade comigo próprio. Não há melhor vida que esta. Tempestade lá fora, paz cá dentro. A natureza a ajudar a pôr as coisas em perspectiva. 

08-02-2014

Hoje foi um dia fantástico. Daqueles que nos fazem sentir bem por estarmos vivos. Não por ter acontecido algo extraordinário, um evento que mudasse a vida mas por ter tido tanto carinho, ter dado tanto carinho que nos últimos tempos, parece uma benção caída do céu. Combinei um encontro com a Carmen, com quem já não estava há quase três anos e acabámos por ir ter com a Miriam e com a sua filha de cinco meses, Gabriela. Já não estava com a Miriam há coisa de sete anos... ou coisa que o valha. Vê-la agora com uma filha... a vida realmente não passa por nós. Ela voa mesmo. Mudei a fralda à miúda e curiosamente até foi algo que fiz com algum gosto. Senti-me preparado para o fazer. Mas melhor que isso foi a recepção da bebé, estranhar ao início mas depois a rir. Tão querida... eu e as crianças... realmente temos uma ligação qualquer. Uma boa forma de ver que o meu instinto paternal continua activo. Depois de termos estado com a Miriam, o marido e a bebé, eu e a Carmen fomos passear e acabámos por ir jantar a um restaurante indiano, sempre a falarmos das nossas aventuras e desventuras. Da minha parte, obviamente que aquilo que se passou nas últimas semanas teve que vir à baila. Na verdade, tive que contar toda a minha história com a  Catarina, já que da última vez que tivemos juntos, ainda eramos um casal, então houve muita conversa a por em dia.

É bom sentir a amizade, mais uma vez, que resiste ao tempo e à ausência. É bom sentir que por muito que o tempo passe, que aquele primeiro impacto que juntou duas ou mais pessoas, continua presente, continua forte e sólido. É bom sentir que por mais dificuldades que se atravessem na vida, não há nada que belisque isso. Tal como com o João e a Sara, foi o sentir, como a Sara disse, não importa o tempo, não importa a distância, é isto a verdadeira amizade. Dá para colocar as coisas em perspectiva e não terá sido por acaso certamente, ter em menos de um mês a mesma forte sensação. Também foi um alívio ouvir da Carmen que eu estava mais leve, mais jovem, mais bonito. Parece que a paz interior - apesar de tudo - também passa para o exterior. Foi um grande Sábado.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

07-02-2014

Odeio a sensação de um dia descendente. Aquele em que se está com uma certa disposição, positiva, e que depois vai mudando ao longo do dia. O ânimo vai quebrando. Não vou dizer que ficou negativa, mas ficou o suficiente para me aborrecer. Houve coisas positivas, claro, conversas agradáveis, partilhas... mas... há sempre um antes e um depois. Há sempre um antes... e um depois. E o depois não é mau, apenas faz desejar que não houvesse o antes. E foi neste momento, com esta linha de raciocínios que eu me apercebi onde estava novamente e em como é cíclico voltar a este local. Se estou a andar em círculos, a minha esperança é que seja uma espiral e que mesmo que fazendo um trajecto menos económico em termos de esforço, pelo menos há a perspectiva de chegar a algum lado que não seja o mesmo sítio. Quando mais afastado estiver da espiral, mais longe estarei dos efeitos daquilo que está no centro. Só preciso de continuar a andar, dar-me a mim próprio o tempo e paciência para fazer essa viagem.

O dia terminou com uma massagem. É sempre gratificante. Poder sentir que ajudo as pessoas de alguma forma com o trabalho de terapeuta, é demais gratificante, mas também me assusta. Andar a caminhar espirais e ficar com sentimento de culpa por esse facto poder-me impedir de dar o meu melhor. Talvez, o começo pela paciência comigo próprio não seja só numa situação mas seja em tudo. Por muito melhor que esteja, nunca é suficiente. A paciência é sem dúvida uma virtude que estou a trabalhar fortemente. Hoje serviu-me para lembrar que ainda estou no início. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

06-02-2014

É engraçado ver como quando se começa a mudar o foco aos poucos, em pouco tempo os resultados são satisfatórios. Toda a crise das semanas anteriores resumem-se a uns picos que tenho no coração de vez em quando e à forma como estou a trabalhar o perdão. Tenho sido paciente comigo, e com as outras pessoas. Tenho-me surpreendido a forma como consegui lidar com o meu sobrinho, ele que no passado me tirava tanto do sério e agora... continua a tirar à mesma, mas não reajo com agressividade. Sou uma pessoa diferente, para melhor. Hoje uma amiga minha comentou isso mesmo, que estava bem diferente, mais aberto às pessoas. Por outro lado, a Sofia, que tem sensibilidade fantástica e assim que nos conhecemos ligou-se à minha energia e tem andado sempre a passar-me informação, disse-me que apesar de todas as relações fortes que tive, todas aquelas que marcaram, que me marcaram profundamente, que nenhuma chegou a um lado meu que ainda não mostrei a ninguém. Não sei se esse lado é bom ou mau, mas creio que seja algo tão meu que nem eu sei bem ou consigo identificar o que é.

Dá o que pensar. Se aquilo que senti, que foi avassalador, não foi suficiente, então para chegar lá, terá de ser o equivalente a tudo o que já me apareceu junto. Ou seja, deverá ser algo para me fazer morrer de felicidade antes do primeiro toque.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

05-02-2014

Hoje foi um dia especialmente positivo. Conheci novas pessoas - através do Facebook, mas para alguém com um mundo tão próprio como eu, as redes sociais acabam por ser uma benção para encontrar e manter relações com pessoas com as quais me identifico mas que dificilmente poderia falar, caso não fossem as novas tecnologias. De qualquer forma, hoje de manhã aceitei um convite para adicionar amizade da Sofia - não sei como é que ela chegou até mim, provavelmente através  das mensagens que partilho na página das massagens. Normalmente as pessoas que me adicionam ou eu adiciono, não metem conversa (ou eu não o faço) mas desta vez foi diferente e logo encontrámos muita coisa em comum, principalmente em crenças, em cicatrizes que ambos temos. Não falámos delas mas deu para perceber que elas estão lá. Convidei-a para integrar um grupo que criei - Alma - onde tenho vindo a adicionar pessoas que partilham o mesmo sentir, a mesma vontade que eu. Criei-o após o primeiro nível de reiki que tirei. No início eramos quatro e agora somos setenta pessoas. Várias pessoas saíram, algumas explicaram-me o porquê de terem saído, outras nem por isso... engraçado, as pessoas que saíram foram pessoas que eram bastante próximas de mim, que eu pensei que nunca saíram. Sendo próximas, num primeiro impacto, fiquei algo magoado, mas ... e hoje principalmente... só está quem é suposto estar mesmo. Hoje senti isto verdadeiramente. 

Só está quem é suposto estar. E não foi com raiva, com sentido de vingança disfarçado de justiça. Foi de aceitação. Quer dizer... não foi propriamente simples ou fácil, mas foi mais próximo da plenitude do que qualquer coisa que tenha sentido sobre este assunto nos últimos tempos. Principalmente nos últimos tempos.

E é engraçado. Conforme este sentimento se foi solidificando, amigas minhas começaram a entrar em contacto comigo, a mandar-me mensagens. Esta coisa das vibrações positivas resulta mesmo!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

04-02-2014

Sinto que tenho um buraco na barriga. Ligeiramente abaixo das costelas, do lado direito. Acho que são as preocupações. Se tinha dúvida do veneno que são os nossos pensamentos quando não estamos bem, estas dores brutas nunca me vão deixar esquecer isso. Nestes últimos dias, senti a minha energia a ser esgotada e com a energia esgotada, voltam os velhos padrões e acho que fui contagiado. Deixaram-me a pensar se não é preguiça que tenho em vez de confiança. Eu sei que tudo vem a mim conforme a minha vibração, mas hoje, talvez a estar em baixo energeticamente, semearam a dúvida em mim.

"Se eu não fizer nada, é que não vai aparecer o quer que seja"

Foi assim que pensei muitas vezes, foi assim que também desesperei muitas vezes, por não acreditar que pudesse aparecer algo se eu não fizesse algo. E foi a este sítio que fui parar hoje, novamente. Velho sítio. Do qual não tinha saudades nenhumas. Sabendo que isto consome energias e que eu já tinha poucas ou nenhumas... comecei a entrar em colapso. Não literalmente, mas pelo menos o suficiente para ficar desconfortável. Até que surgiu. Novamente.

"Do que é que tens medo? Sabes que a tua voz, o que tens dentro de ti é a resposta que procuras. Não é a primeira vez que estás neste sítio onde te encontras. Talvez tenhas sido ingénuo ao pensar que nunca mais voltarias aqui. A questão é que és resistente à mudança e quando a desejas, é sempre para fugir a algo. É o que queres neste momento, fugir. Mais uma vez fugir antes que te abandonem, uma vez mais. Correcção. Antes que tu te sintas abandonado uma vez mais  e pela pessoa que menos suportas que te faça sentir isso. Tu já sabias. Tu já sabias há muito tempo mas o facto de saberes e esqueceres enterrado no teu inconsciente não faz com que seja mais fácil cada vez que a terra se mova. Nada fica enterrado, não por muito tempo. Mas é a tua impaciência que faz com que tenhas estes dissabores e que dês por ti à procura de planos de fuga alternativos, tudo para seres o primeiro a fugir. Tudo para não sentires o abandono. E quando fazes isso, sentes um desespero que te consome, o qual ainda acentua mais a tua vontade de fugir. Existem verdades das quais não te podes esquecer.

- Certas coisas não podes mudar e sendo coisas que te são queridas, só acentua o facto de teres resistência a essas mesmas coisas. Tens que abraçar a mudança, tens que ser água. Tens que te deixar ir. Estás destinado a grandes coisas, estás destinado ao teu caminho. De certeza de que perderás algumas pessoas nesse mesmo caminho, mas não por raiva, não por mágoa. As coisas são o que são, são amorais. Viste com os teus colegas da escola, também guardaste alguma mágoa por eles e não foi bom vê-los tanto tempo depois? Não foi bom sentir que já tinhas ido além da dor que parecia ser o centro da tua realidade na altura? Quinze anos é muito tempo mas talvez não tenhas que esperar tanto, talvez foi o tempo suficiente para te aperceberes que apenas podes guardar memórias, que as pessoas, essas, vivem e façam o rumo. E é tão bom encontrar essas pessoas, no seu próprio rumo. Tal como o João e Sara. São momentos como esses que realmente importam.

- Metes muitas coisas no mesmo saco. Tu sabes que o teu caminho profissional não passa pelo sítio onde estás neste momento e queres apressar devido aquilo que já falámos atrás. Queres fugir para esse futuro prometido em que estarias num nível que consideras ser bem superior aquele onde estás agora. Tu também sabes que é essa vontade a beirar o desespero que faz com que tudo se torne mais difícil de suportar, como um crescente sufoco que te estás a embrulhar, como que “se eu tiver isto, se eu fizer aquilo, se me acontecer aqueloutro”, então aí eu vou estar bem. Sabes melhor que isso. Sabes que essas coisas que se colocam para o futuro, esses planos de fuga criados em cima do desespero só vão trazer algo na mesma vibração. Se estás desesperado vais atrair ainda mais desespero e não esse tão ansiado futuro que desejas, que provavelmente nem é o verdadeiramente desejado por ti.

- O futuro é agora. Pequenas sementes que vais lançando e que precisam de tempo a germinar. Frutos que nascem de um dia para o outro não são propriamente os frutos que tu precisas porque se não gostas de mudanças também precisas de coisas estáveis. De fundações profundas, de ligações fortes. Capazes de resistir a todas as tempestades a todos os terramotos. Coisas assim não nascem do dia para o outro e o querer apressar esse processo só leva ao erro, só leva à ilusão. Ao querer ver algo que não existe na realidade. E quando as desilusões existem é porque houve alguém que esteve em algum momento iludido. Não te esqueças que a verdadeira paz vem quando nada do exterior afecta o interior e por isto tudo estar a acontecer agora é porque estavas verdadeiramente iludido. E ainda bem que isto aconteceu. Agora já sabes em que ponto estás. Dá graças a isso. E continua o teu caminho.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

03-02-2014

Gostaria poder de dizer que tinha visto muita coisa. Na verdade, até vi mais do que esperava ver. Combinámos ir até Atlântida. A minha mente racional protestou dizendo que era uma perda de tempo, que era tudo apenas uma sugestão e que iria ver o que a palavra me sugeria. De certa forma, após uma pequena investigação pela fonte de informação mais barata e acessível, é mesmo assim que se processam todas as informações recebidas do... divino. Cada um tem a sua linguagem e como tal, as imagens que se recebem são todas de acordo com aquilo que conhecemos. Com o nosso código de conhecimento, de forma a que todas as mensagens sejam recebidas e entendidas. Sentimos o mesmo quando temos de falar com alguém sobre um determinado estilo de música, ou filmes, ou desporto. Existem formas específicas de linguagem que até podem não corresponder exactamente à verdade mas que servem para que o destinatário fique com uma ideia, uma sensação da verdade. De qualquer forma... não vi nada (e desconfio que foi por causa de toda esta questão com a Catarina) e mesmo assim, tenho a certeza de que fui a qualquer lado. Combinámos uma hora específica para irmos. Eu deitei-me na minha cama e enquanto esperava, tentava-me abstrair, limpar a mente, mas isso foi uma coisa que não consegui fazer. Só me veio à mente a injustiça da situação e mais principalmente, o facto de no dia seguinte ela estar provavelmente de volta ao trabalho. Infelizmente conheço bem a sensação de estar na mesma sala com ela e nem sequer conseguir olhar para a cara dela. Felizmente não sou a mesma pessoa e isso é algo que me dá esperança, mas lá está, não deixa de ser um teste. 

De qualquer forma, estava eu nestas lutas internas, até que, na escuridão, à frente dos meus olhos, que estavam fechados, vejo uma série de mandalas a rodopiar a uma velocidade estonteante e senti o meu corpo a ser puxado. Não me recordo de ver mais nada mas... isto eu senti que foi real. Bem real. De manhã acordei mais cedo que o despertador, para variar e não me consegui lembrar de nada, apenas esta sensação ficou bem forte. O nervosismo, esse, voltou logo assim que levantei a cabeça. Foi um sofrimento lento até que chegasse a altura em que ela entrava ao serviço. Devo estar mesmo diferente. Todo o carinho que tenho por ela superou toda a injustiça que senti que foi feita contra mim e fui o mais cordial possível, sem nenhuma ponta de ressentimento e sinceramente, fiquei orgulhoso de mim próprio. Acho que foi a primeira vez na minha vida em que consegui anular uma raiva e principalmente mágoa tão grande. De qualquer forma, não deixei de sentir que algo se partiu e que a nossa amizade ficou com feridas internas. Talvez seja uma questão de tempo e tudo tenha que passar. Também não há nada que possa fazer agora, o que foi dito foi dito e o que foi sentido está enterrado, porque não vale a pena buscar más energias para gastar aquelas que tenho. Se alguma coisa ficou irremediavelmente perdida, o tempo dirá. Deixar ir na sua maré e receber o que vier de volta.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

02-02-2014

Hoje falei mais um pouco com a D. - tínhamos trocado números de telemóvel ontem - e ela propôs-me algo inesperado. Viagens astrais. À primeira fiquei um pouco céptico. Apesar do assunto me interessar, sempre foi algo que ouvi mais em ficção, em filmes, séries, ou até documentários de seriedade científica questionável, mas fora desses contextos foi a primeira vez. Ela notou a minha hesitação, dizendo que se não quisesse ir, não haveria problema. Perguntei-lhe mais pormenores e ela explicou-me que costuma fazer e que por vezes conecta-se à energia de outras pessoas, puxando-as e viajando em conjunto. Por vezes têm visões semelhantes, outras diferentes mas que se complementam. Mais uma vez, as minhas inseguranças vieram ao de cimo e eu referi novamente que não conseguia ver nada, de que tornava-se tudo muito confuso, ao que ela respondeu, sabiamente, que eu e apenas eu estava a colocar pressão sobre mim próprio. 

"Vamos experimentar, o que é que tens a perder? Não te preocupes, eu protejo-te."

Sendo assim... daqui a pouco vou viajar.

01-02-2014

 Toda esta história tem-me tirado a paz e descanso. A Catarina era das últimas pessoas que achasse que me pudesse fazer uma coisa destas. Claro que já tivemos os nossos desentendimentos mas nada provocado por outra pessoa. Na verdade, até tivemos situações que foram agudizadas por outras pessoas, mas causadas directamente por outras pessoas... nunca pensei. E a cada momento que encontro um pouco de paz, aparece sempre qualquer coisa que ma rouba de mim. Ontem o dia de trabalho correu surpreendentemente bem. Consegui abstrair-me da situação toda, talvez ou quase de certeza por ela não estar presente, mas correu bem. No entanto, quando cheguei a casa tive mais uma daquelas achas para a fogueira que me faz automaticamente ganhar raiva. Não preciso disso. Aliás, não preciso de nada disto. A mensagem disse-me que deveria ter fé naquilo que sou, que deveria ser forte, que seria tudo um teste. Acho que são estes momentos que definem a fibra com que somos feitos. E por isso mesmo, hoje de manhã, decidi que começava aqui a minha recuperação de toda esta história. Não dizer que isto foi mais uma queda, mas sim uma escorregadela, para me lembrar que é sempre possível voltar às velhas energias, que é sempre possível voltar a cair nos mesmos erros. Voltar a cair na insegurança. Voltar a duvidar do meu valor. Voltar a pensar que só tenho importância se as outras pessoas me derem importância. Felizmente, hoje sei mais do que isso. Mas também não foi algo que tivesse sido fácil de atingir. 

À tarde fui a uma meditação, organizada num grupo desportivo aqui da terra. Resolvi quebrar com os meus padrões de ficar em casa a repetir frases que foram ditas, frases que deviam ter sido ditas e outras coisas que servem unicamente para me magoar. Procurei por algo que me pudesse ajudar a centrar a atenção noutra coisa e mal abri a minha página do Facebook, dei de caras com um evento, promovido pelo grupo desportivo. Apesar do impulso inicial para ir, ainda tive a ver as pessoas que iam, se iria encontrar alguém que pudesse perturbar a paz que procurava atingir, hesitando um pouco, mas a vontade de sair de casa foi mais forte e lá fui eu. E ainda bem. Conheci uma pessoa com quem passei as próximas seis horas seguintes à meditação a falar. A D.. E por incrível que pareça nem temos gostos parecidos, aliás, em termos de gostos, somos bastante diferentes, mas aquilo que nos une mesmo foram as quedas que demos e a capacidade que tivemos, com ajuda, para nos levantarmos sozinhos. Não é uma pessoa que exiba as suas cicatrizes como forma de chamar a atenção sobre si mas que ao mesmo tempo não as esconde, fazendo de conta que não existe. Algo que eu também fiz e que sei que não é nada fácil por isso consigo reconhecer e dar bastante valor a este acto.

A meditação não foi totalmente pacífica. Foi num salão grande e estava demasiado frio para que conseguisse relaxar. Foi uma meditação para nos ligarmos à mãe Natureza e muitas pessoas - a maior parte vindos de outros lados, não conhecia praticamente ninguém, além de uma outra pessoa que travei conhecimento pelo facebook, por termos alguns interesses em comum, a Sandra, que veio com o namorado o Paulo - tem o nome do meu melhor amigo. Foi o suficiente para não me sentir demasiado deslocado na minha própria localidade. Na meditação, algumas pessoas tiveram visões. Quando a D. me perguntou se eu tinha conseguido ver alguma coisa, eu disse que não. Não menti. Na verdade, coisas estou sempre a ver, não as consigo é distinguir. As sombras ganham vida quando tudo está escuro ou os meus olhos estão fechados e antes isso assustava-me, agora não mais. 

Depois da meditação eu e a D. estivemos a falar, e tudo começou porque ela insistiu comigo para que lhe dissesse o que tinha visto. Acabámos por falar um pouco, cada um dos seus fantasmas e inevitavelmente acabei por lhe falar desta minha mais recente questão e ela mostrou-se interessada mas sem mostrar julgamento - confesso que por vezes não gosto que alguém diga mal da Catarina, mesmo sendo numa altura em que eu próprio digo mal dela. Acho que sou protector dela a esse ponto. O tempo voou, a Sandra e o Paulo foram-se embora e apenas ficámos lá, nós dois a falar. Tinha saudades de ter conversas destas. De qualquer forma, ambos tínhamos compromissos e tivemos que deixar a conversa para outra altura. O Nando, o irmão da Catarina, convidou-me para ir ao cinema e naquela altura pareceu-me perfeito. Apesar da meditação me ter realmente acalmado, também me pôs em contacto com o problema de uma forma ainda mais aproximada. Talvez fosse o que eu precisava para digerir melhor. Sair com o irmão dela também foi algo nesse sentido, embora eu já tivesse desabafado tanto com ele sobre esta situação que senti que não tinha muito mais para dizer sem me repetir - e eu odeio repetir-me. Jantámos e vimos um bom filme e eu consegui abstrair-me da situação. Fiz questão de lhe agradecer isso mesmo. Não esquecerei ele ter estado presente quando precisei, afinal, os amigos são para isso mesmo, certo?


sábado, 1 de fevereiro de 2014

31-01-2014

A noite foi passada em claro e a dualidade - tão familiar que ela me é - a lutar entre si e a consumir-me. Por um lado, a acusatória. A acusação dela ser uma pessoa com duas caras, de deitar fora tudo o que foi construído com sangue, suor e lágrimas. Tantas lágrimas. Do outro lado, a sábia. 

"É um teste.

Como podes saber se aprendeste as tuas lições se não fores posto à prova? Sempre estivemos contigo, nos teus momentos mais negros, sempre estivemos lá. Até mesmo no momento em que te afastaste de ti próprio engolfado nas trevas. Nós estivemos lá. Quem julgas que te salvou nas incontáveis vezes que tentas acabar com a tua vida? Não achas que passaste por duros testes para aprender? Não achas que todas as tuas dificuldades te fizeram sair do casulo e transformar na maravilhosa borboleta que és hoje? Não penses por um segundo que a transformação acabou e nem sonhas o esplendor que serás, o brilho que vais transmitir depois de cada transformação. E vais ter muitas. Tu não precisas de ninguém para trilhares o teu caminho, apenas de ti próprio. Este é mais uma prova disso e tu estás a conseguir manter-te fiel ao que és. Ao que verdadeiramente és. Não te castigues por cederes aos teus medos e instintos. Tu, tal como todos os outros, estás a passar por uma experiência humana e ser humano não implica ser perfeito. Ser humano implica ser consciente dos seus limites e de fazer o melhor que se pode perante as circunstâncias. Tens tudo o que precisas para continuar. Não fiques preso a um passado que te traz peso por correntes de dúvida, angústia, raiva. Foste ajudado por muitos no teu caminho, mas não tenhas dúvidas, só estás onde estás porque TU quiseste. Está nas tuas mãos ires de encontro ao que tu verdadeiramente és, não de acordo com o que sabes ser, mas sim de acordo com as tua acções. Tu estás protegido, seja qual for a tua decisão, estaremos sempre contigo. Sempre."

Dizem que as pessoas de quem mais gostamos são aquelas que nos ajudam nos momentos difíceis. Talvez elas também nos ajudem a dar o próximo passo. 

A noite foi passada em claro e a dualidade diminuiu. Vou trabalhar agora. Não vou dizer, veremos como corre, porque está nas minha mãos essa decisão, apesar daquilo que o mundo me apresentar. 

30-01-2014

Hoje foi um dia difícil. Um regresso aos velhos tempos quando julgava que não seria mais possível voltar a vivê-los. O novo namorado da Catarina tem ciúmes de mim. As suas inseguranças fizeram-me revisitar os tempos em que eu próprio tinha um relacionamento com ela e sentia ciúmes do ex-namorado dela. Tempos difíceis e só mais tarde me apercebi o quão inseguro eu era. Tenho que lhe agradecer por isso e na altura agradeci, a ela e a todas as situações que me levaram a demonstrar o quão inseguro estava. E o apego. Como o apego me prendia tanto ao passado como a um futuro que apenas se passava na minha cabeça. É certo que algumas das coisas que eu previ aconteceram mas não sei até que ponto não foram co-criadas por mim. É algo que agora para o caso também não interessa.

Senti alguma empatia por ele, e também pelo facto de ser mais velho que eu e ser terapeuta, vi um futuro em que conviríamos  e partilhávamos saber. Com uma sucessão de acontecimentos alucinantes, num dia senti que esses meus sonhos, essas minhas expectativas desapareceram no fumo. Resumindo uma longa história, o namorado não gosta da importância que eu tenho na vida dela e ela como resposta a isso resolve afastar-se. E os velhos demónios voltaram. A raiva. Que raiva incrível. Sentimento de injustiça gritante e a velha sensação de ser vítima dos mimos e caprichos dos outros. E foi nessa altura de auto-comiseração que me ocorreu, talvez não de mim, talvez do exterior, não sei, mas ocorreu-me:

"É um teste."

Apenas isto.