Hoje tive uma das conversas mais francas de sempre com a Marta. Tudo começou por acaso - já lá vamos - e acabámos a falar de receios nossos, daquilo que temos medo, daquilo que nos é desconfortável. De certa forma, sempre foi uma conversa que evitei. Não por receio pela reacção dela mas por hábito de não falar o que sinto, hábito de me manter calado. Sim, admito, um hábito de medo, que se enraizou. Um hábito de não gostar de conflitos, por de alguma forma, saber, que não serei eu a agir num conflito. Serei sempre uma versão diminuta de mim a reagir num conflito. Apesar de todas estas coisas enraizadas, falei daquilo que sentia. Apesar de um certo receio que acho que a Marta tem, ela também falou. Eu não quero impor nada, não quero que a mulher da minha vida se sinta obrigada a ser quem é para me agradar, não quero ter esse peso sobre mim. Não quero viver numa ilusão, apenas para descobrir daqui a dois anos e meio de que o sonho acabou. Eu sei que nada dura para sempre e eu estou em paz com isso, mas enquanto dura, quero que seja real. E depois da conversa que tive com a Marta, os meus receios foram afastados, pelo menos por enquanto. Senti verdadeiramente que o ela aparecer na minha vida, alguém assim tão perfeito, alguém tão de acordo com aquilo que tinha pedido, durante muito tempo, muitas vezes, não é uma ilusão que construí, não é uma ilusão que me foi oferecida. É real. É real vinte e quatro horas por dia. Implica mudanças, mais ténues do que supunha e implica eu ser eu próprio, sem máscaras. Algo que definitivamente não estou habituado. Poderá parecer mais fácil que parece, ter alguém que te aceita tal como tu és, mas a verdade é que, é difícil, difícil que isso não nos suba à cabeça, difícil não ficar viciado nisso, difícil não querer abusar desse pesadelo. Quer dizer... ainda não senti essa dificuldade, mas a tentação... poder corrompe, poder absoluto corrompe absolutamente.
quarta-feira, 16 de julho de 2014
segunda-feira, 14 de julho de 2014
14-07-2014
Hoje acordei com a neura. Dormi pessimamente e acordei com a neura. Uma neura descomunal que me acompanhou durante todo o dia. A Marta notou isso. A Catarina também. Na verdade, eu não tinha nada para responder às suas perguntas. Eu não sei o que é ou pelo menos não sabia, agora se calhar já desconfio. A minha incapacidade de aceitar de que não consigo controlar tudo, não consigo controlar todos os eventos todas as coisas grandes, todas as coisas pequenas. Acontece o que tem de acontecer e apesar de tudo o que vivi, apesar de tudo o que já aprendi, ainda não consigo aceitar isso. Aceitar de forma completa e ficar em paz com isso. O reconhecer já me deve dar algum avanço mas esta sensação de resistência está a incomodar-me. Tenho que me tornar mais solto, tornar mais livre, mais leve, largar este peso que carrego em cima. A questão é que neste momento não consigo distinguir o que é peso ou o que sou eu. Não sei o que largar para trás e admitamos que largar coisas pelo caminho nunca foi a minha especialidade e quando o fiz foi porque as coisas me largaram a mim ou porque me forçaram a fazê-lo. Ou seja, a vida encarregou-se de colocar uma parede à minha frente a cada momento em que eu precisei de bater com a cabeça na parede para acordar. Se calhar é disso que eu estou resistente, de mais uma parede que me force a largar mais qualquer coisa da qual não me apetece prescindir neste momento, mas agora, aquilo que tenho que largar é mesmo a resistência.
13-07-2014
Finalmente, um dia em que não fiz mais nada se não estar em casa com o meu amor. Sem obrigações, sem interrupções. E é um dia como estes que me mostra como eu sou retraído, inconformado ou qualquer outro adjectivo de que agora não me recorde. Apesar de ter este dia que já ansiava há já algum tempo, e ansiava por ter a necessidade de parar um pouco e não ter algo para fazer, no final do mesmo (ou seja, agora) não me deixei de sentir culpado. Culpado porque o devia aproveitar da melhor forma, por sentir que devia ter pegado na Marta e levá-la à praia ou qualquer lado. E receoso por ser uma indicação de um futuro provável. Todo o dia em casa. Se nem eu aguento isso (mesmo que o faça), como é que alguém poderá aguentar? Mesmo que esse alguém me ame incondicionalmente como a Marta. Mesmo que ela me conte ligações de alma como esta que teve uns dias atrás em que estávamos no sítio secreto, sentados na relva abraçados. Eu estava com um livro de poesias de amor e estava a declamar-lhe uma quando nisto ela vê um coração vermelho tridimensional por cima das páginas do livro. De repente surgiram várias figuras vestidas de branco com uma luz intensa. Deram as mãos e fizeram uma roda à nossa volta. Estavam bastante alegres parecia uma festa ou comemoração algo do género. Depois juntaram os nossos pulsos. O seu pulso direito com o meu esquerdo e fizeram um laço com uma fita branca. Entretanto, ela adormeceu e não se lembro de mais nada. Nitidamente por estarmos juntos.
Eu não quero estragar isto.
Eu não quero estragar isto.
domingo, 13 de julho de 2014
12-07-2014
Um dia sem fazer nada. Já sentia falta disto. Apesar de não ter sido propriamente destituído de tarefas, acho que isso me seria impossível, foi sem compromissos exteriores, sem coisas que tenho que fazer ou... quer dizer, fui jantar à casa dos meus pais, mas tal nem soou a tal, a compromisso ou obrigação. Foi um bom dia, correu mais ou menos planeado e mesmo assim no seu final não deixei de sentir um certo vazio. A poeira está a assentar, aos poucos, os efeitos colaterais das mudanças vão desaparecendo e ficará tudo aquilo que realmente é. Acho que de certa forma, tenho receio daquilo que realmente é. Seja o que for. Como se no meu íntimo pensasse que... está tudo a correr bem demais e como tal estivesse à espera de uma desgraça qualquer. Tenho que confiar que, independentemente do que acontecer no futuro, bom ou mão, será sempre algo que atravessarei e que vou continuar. Provavelmente é nervosismo pelos próximos desafios, ir à entrevista a mais um espaço em Lisboa, ir para o Festival de Músicas do Mundo de Sines.
Basicamente para eu ser um homem feliz, não posso ter compromissos na agenda, mas também quando isso acontece penso que não acontece nada. Enfim...
Basicamente para eu ser um homem feliz, não posso ter compromissos na agenda, mas também quando isso acontece penso que não acontece nada. Enfim...
sábado, 12 de julho de 2014
11-07-2014
Ontem quando nos deitámos, a Marta sentiu novamente a luz branca do Arcanjo Gabriel nas costas dela. Não sei o que significou a ausência dos dois dias, mas talvez tenha sido para nos fazer ter uma atitude, de tentar ajudar, embora me pareça que as razões para certas coisas vão-nos parecer sempre misteriosas. Nesse aspecto a minha curiosidade é bem mais calma do que aquilo que era, já não me oprime não saber ou não perceber o propósito de tudo o que me acontece, principalmente de coisas ligadas ao... sobrenatural, chamemos-lhe assim.
Agora noutro assunto... o Nando ligou-me a convidar para ir ao cinema. Na verdade não me apetecia muito, mas havendo um filme que motivasse a ida, até era capaz de ir mas antes disso a minha mente começou logo à procura de saídas como um animal num canto encurralado. Desculpas. Dinheiro, filmes que não interessam, tudo menos dizer a verdade que era simplesmente não me apetecer. Não só para não ferir os sentimentos dele mas principalmente por não querer admitir que não me apetecia sair. No passado critiquei alguns amigos por mudarem quase de personalidade, por deixarem de falar. Lembro-me que o fiz principalmente com o Pedro, quando ele andava com aquela rapariga que o desgraçou. Depois disso também senti que ele só falava comigo quando precisava. Não quero ser essa pessoa, que só tem os amigos quando não tem namorada, que só procura as pessoas quando precisa. Mas também não quero ser quem está com as pessoas por frete. Eu sou anti-social, raramente quero sair de casa. Não sei se é de nascença ou se foi quem me tornei, mas dificilmente consigo deixar o conforto onde estou para ir a um sítio qualquer apenas por querer ir a um sítio qualquer. É perigoso também para a minha relação com a Marta porque ninguém é tão caseiro quanto eu e as mesmas rotinas acabam por enjoar... Os últimos tempos têm sido movimentados, mudei de casa, mudei de vida e ainda estou a ver se vejo a poeira a assentar. Estou a tentar parar o meu mundo. Temos sempre aquilo que queremos e eu sei isso melhor que ninguém. O Universo dá-nos o que pedimos quando os factores certos estão conjugados. O trabalho relacionado com as terapias abrandou porque eu precisava que abrandasse. Eu preciso que seja uma coisa de cada vez, aquilo que preciso nem sempre é aquilo que realmente preciso. Aquilo que preciso muitas das vezes é aquilo que eu quero e o que eu quero não é aquilo que me serve.
Eu sei que não me vou tornar nessa pessoa, sei que posso escorregar de vez em quando, fazer erros, passos atrás, mas eu não me vou tornar nessa pessoa. Falei com a Marta e vou convidar o Nando a vir cá para que a conheça e conheça os animais. Eu não me vou tornar nessa pessoa.
Eu sei que não me vou tornar nessa pessoa, sei que posso escorregar de vez em quando, fazer erros, passos atrás, mas eu não me vou tornar nessa pessoa. Falei com a Marta e vou convidar o Nando a vir cá para que a conheça e conheça os animais. Eu não me vou tornar nessa pessoa.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
10-07-2014
Hoje passei o dia todo a pensar em fazermos uma leitura de aura. Quando partilhei as minhas intenções com a Marta e com a Catarina em alturas diferentes do dia, elas também pensaram no mesmo. Na verdade, e agora pensando bem, não fui eu que partilhei as minhas intenções, foram elas que me falaram da ideia, embora eu já andasse a pensar nelas há uns tempos. Não interessa, o que interessa é que estranhamente ou não, estávamos todos a pensar no mesmo. Ambas disseram-me de forma diferente também algo que eu já sentia, de que a mulher de preto não nos quer mal mas que quer ou precisa de falar e enquanto não o fizer não se vai embora. Foi a sensação que tive quando acabámos de limpar a casa ontem, pensamento que tentei sacudir.
Quando cheguei a casa fomos imediatamente para a meditação das rosas. Foi a primeira vez que a fizemos lado a lado sem a presença da Catarina e até correu bem. Tentei concentrar-me ao máximo para ver o quer que seja, sem concentrar-me em nada. Quer dizer, tentei fazer o mesmo da última vez, concentrar-me na rosa, e deixar-me ir. Não sei se foi por causa da pressão - que pelos vistos continua a ser o meu maior inimigo - não vi nada. Não nego que fiquei desiludido. Esperei que a Marta acabasse, com algum receio que ela também não tivesse visto nada, mas assim que ela abriu os olhos e me disse: "beeeem, que história...". E então ela contou-me a história da mulher de preto. Viu imagens da mulher a morar num palacete perto daqui, viu o seu marido, um homem com uma cartola, vestido a rigor. Viu uma carroça, cavalos e um acidente. Viu a mulher mais a filha. E foi nesta altura que a mulher de preto lhe disse que ela era muito parecida com a sua filha, embora depois fosse alternando com a afirmação de que era ela a sua filha. A mulher deu algo à filha que acabou por resultar na sua morte. Algo que a Marta sabe que foi um acidente, que não foi propositado, mas a mulher só pedia desculpas, só pedia para a perdoar. A Marta beijou-a na face e disse que ela estava perdoada. Depois chamou por dois guias para a levar para a luz, imaginando a mesma não muito distante e uma estrada até lá. Depois disse-me que os guias eram o Arcanjo Miguel e Gabriel. A mulher de preto ainda olhou para trás a pedir uma confirmação para a o perdão, pedido que foi atendido. E ela foi em paz e sentimos isso mesmo, sentimos mais leveza na casa.
Ah e na noite anterior, a Marta teve uma visão quando estávamos a dormir. Quer dizer, ela não sabe se foi sonho ou se foi algo que estava realmente a ver. De qualquer forma, viu o meu espírito a abandonar o corpo e a ir para o dela, com as mãos tocando-lhe, com que a curar, como que a proteger o corpo físico e etérico dela. Não me recordo rigorosamente de nada e é uma daquelas ocasiões em que eu tenho quase a certeza de que os meus maiores trabalhos e feitos são aqueles que partem e se passam no meu inconsciente. Não digo isto de forma negativa, mas é como se eu em espírito fosse tudo aquilo que desejava ser, a nível de protecção espiritual das pessoas que gosto.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
09-07-2014
Hoje quando cheguei a casa, vinha decidido a fazer uma limpeza à casa para expulsar todos os espíritos, tudo o que não fosse daqui. Por um lado, tinha a vontade de encaminhar para a luz, tal como já o fiz algumas vezes no passado, com Reiki, mas por outro, apenas queria limpar a casa, sem querer saber de mais nada. Talvez seja um certo cansaço destas histórias, o que, se parar para pensar, acabo por ficar com alguns sentimentos de culpa. De qualquer forma, falei com a Marta e fomos limpar a casa. Eu com o meu reiki e ela a fazer um fumo de limpeza, concentrando-se nos cantos e fazendo rezas - por acaso não sei que rezas foram... quando estava na sala, no mesmo sítio onde vi a mulher de preto, senti um enorme arrepio. Quando passei pela Marta - ela estava sempre um passo atrás - pedi-lhe para ela se concentrar especialmente no sítio em frente à janela. Quando, depois de acabarmos, lhe perguntei o que é que ela sentiu, ela disse-me que também ficou toda arrepiada. Vamos ver como é esta noite.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
08-07-2014
Uns dias atrás, numa das poucas tentativas para praticar a leitura de aura, fiquei irritado por não conseguir ver a minha rosa. Vi de tudo menos a rosa. Estava no nosso quarto enquanto a Marta estava na sala. Ficámos em salas diferentes, já que a Catarina sugeriu para que não houvessem interferências, mas tal acabou por não adiantar, não para mim pelo menos. Ela conseguiu ver a rosa dela e acabou por ver montes de detalhes enquanto eu já não posso dizer mesmo. Uma das coisas que mais me marcou foi ver na sala uma mulher vestida de preto, com uma espécie de vestido vitoriano ou algo do género, com folhos e rendas. Talvez do século dezanove. A mulher estava de costas e eu acabei por não lhe ver o rosto mas de qualquer forma aquela visão foi o suficiente por me deixar aterrado, provavelmente por me fazer lembrar um filme de terror. Acabei por partilhar isto com a Marta e com a Catarina no dia do curso, já não me recordo se foi no primeiro ou no segundo. E não sei se está relacionado, mas a Marta contou-me que nessa noite sentiu que estava uma luz branca nas costas dela, mesmo quando ela estava de costas e com os olhos fechados, ela sentiu que a luz estava lá. Mais tarde, quando vínhamos para casa dos meus pais, no Domingo, ela disse-me que sentia que as nossas auras estavam à volta do carro, a minha verde e a dela cor de rosa e que atrás do carro estava a luz branca, a mesma do outro dia. Perguntei-lhe se ela conseguia ver de quem era a luz branca e ela respondeu-me, após alguns segundos, que se tratava do Arcanjo Gabriel, que ele nos estava a proteger, tal como naquele dia à noite. Fiquei a pensar se não seria devido à mulher de preto. Hoje, pelo segundo dia seguido e numa altura que até está uma temperatura amena, a Marta sentiu frio, muito frio. Hoje, ou melhor, há pouco mesmo, ela disse-me que era como se tivesse uma brisa ao lado dela, mas as janelas estavam todas fechadas, não havia forma de haver corrente de ar. Amanhã temos que limpar a casa. Sei que tinha dito que o íamos fazer semanalmente, mas Domingo estavamos exaustos... e o tempo é tão curto... Como sempre, quando não temos tempo para algo importante, as coisas colocam-se de forma a que tenhamos de arranjar obrigatoriamente tempo.
07-07-2014
O viver com a Marta era um desafio não só por todas as especificidades da nossa relação, o facto de nos conhecermos à pouco tempo ou de eu nunca ter partilhado a minha vida com outra pessoa, além dos meus pais, claro. Um dos pontos, dos quais ainda não falei, pelo menos acho que ainda não falei, é o facto da Marta ter uma enorme ligação com os animais e de ela ter uma série de animais de estimação. Eu nunca tive animais de estimação, pelo menos, nada além de canários. Estar com animais a tempo inteiro, vai ser uma experiência nova para mim mas mais do que isso, vai ser uma oportunidade para trabalhar todas as minhas questões com os animais. Há um medo irracional que tenho dos animais que acabei por saber há pouco tempo, através da Catarina, que poderá estar relacionado com uma vida passada em que tinha animais, por alturas da idade média, e que não tive hipótese de os manter e senti-me responsável. O meu receio sempre foi de os magoar embora por certas alturas mais pareça o contrário. Talvez tenha medo que os possa magoar se eles me magoarem a mim. Bem, de qualquer forma, se a minha presença na vida da Marta poderá servir para ela ter um certo desapego aos animais, a presença dos animais na minha vida podem servir exactamente para o oposto.
Isto tudo porque hoje é o dia em que ela finalmente trouxe os animais que tinham ficado na casa de uma amiga dela no Porto e que só agora teve hipótese de os transportar. E se antes eu tinha problemas de tempo, agora é que vou ficar tramado. Assim que eles vieram, consegui logo afeiçoar-me aos coelhos e ao que parece, eles aceitaram-me bem, pelo menos a avaliar pela surpresa da Marta, que disse que normalmente é algo que demora algumas semanas. A impaciência que tive para chegar a casa durante todo o dia foi brutal e acho que não foi só agora por esta mudança, deverá ser algo que se vai repetir nos próximos tempos. Pareço um rapaz pequeno com um novo brinquedo.
terça-feira, 8 de julho de 2014
06-07-2014
De manhã a Marta não tinha vontade nenhuma para ir para o curso e eu estava conformado por ser um domingo, mais um, em que não posso ficar na ronha. Claro que acabo por nunca ficar na ronha, mas pronto, de qualquer forma tenho saudades desse sentimento de pseudo liberdade. De qualquer forma lá fomos e se a Marta me surpreendeu ontem com a forma como encarou o curso, hoje fiquei totalmente orgulhoso. Quer dizer, poderia ter ficado também comigo, mas eu tive um pequeno problema, além de ter sentido um desgaste enorme durante a tarde, uma das razões a que se deveu esse cansaço foi porque a questão do meu pai veio à baila quando estavamos a ver os chakras de cada um e não sei porquê ou em qual chakra foi, a minha relação de infância com o meu pai surgiu, onde eu falei de que grande parte das minhas inseguranças que tive que desfazer e enfrentar em adulto - tarefa que ainda não acabou - teve como responsável uma fase da minha vida em que me senti encurralado e ao mesmo tempo abandonado pelo meu pai. A Catarina interrompeu-me a certo momento e disse que a minha avó estava ao meu lado a pedir para à Catarina para me dizer a mim que tinha de falar com ele. Eu sei que sim, mas não é algo que queira fazer. Não é algo que planeie fazer. Nos momentos seguintes remite-me ao silêncio, algo que tanto a Marta como a Catarina repararam. Quando ambas me perguntaram se estava bem, a minha vontade era deixar tudo para trás e fugir, tal como tantas vezes tinha sentido no passado, tal como me tinha sentido nessas vezes quando estava encurralado. Sou uma pessoa diferente, mas seria errado pensar que sou mais forte ou mais sábio. Talvez até arrogante pensar que sou mais eu, já que quanto mais crianças somos, mais próximos estamos do nosso verdadeiro eu. Antes da nossa criança interior ser estilhaçada. É assim como vejo esses tempos, os tempos em que a minha criança interior foi estilhaçada e daí parte dos meus problemas de auto-estima. Estou mais em paz com esse passado mas sei que ainda estou longe do ideal e sei que eventualmente vou ter de falar com o meu pai, eventualmente vou ter que perdoar definitivamente ao meu pai e sobretudo a mim próprio por me considerar ter sido fraco muitas vezes e dar-lhe razão. Um dia, mas não para agora. Não para agora.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
05-07-2014
O curso foi brutal. Quer dizer, continuo a sentir que não flui tão depressa quanto desejaria mas deu-me imenso prazer em ver a Marta a ver tão bem e a já a conseguir interpretar as coisas. Isto numa altura em que não tivemos praticamente tempo, oportunidade ou sequer vontade para praticar. E tudo fluiu. Seria caso para dizer que caso eu quisesse uma prova do caminho a ser trilhado, ela estava aqui à minha frente, mas eu saberia também de antemão que não seria suficiente. E não é, mas aos poucos sei que a minha evolução tem sido mais gradual, não deixando de me maravilhar com caminho que a Marta tem percorrido, uma evolução brutal. Não terá sido por acaso que eu decidi seguir o impulso de a convidar a partilhar o curso comigo e o talento que ela tem demonstrado para a Leitura de Aura e para a ligação ao divino tem sido fantástica e sobretudo inspiradora. Gostava de ter esta capacidade, e sei que a minha é diferente, mas fico maravilhado com a dela. E por falar nisso, há uma série de ligações que ela fez e que eu tenho me esquecido de contar. Houve uma noite que ela sonhou comigo toda a noite mas antes disso, assim que se deitou, ligou-se à minha alma. Apareceram dois anjos, em forma de desenho que até parecia feito por crianças e nisto, cada um deles, transforma-se mas só via as nossas cabeças em grande e atrás de nós um coração, com o nosso sítio secreto representado. Ela sabe que foi ligação mas foi tão enigmático como um sonho. Eu estava bastante sorridente, feliz e pedi para ela vir comigo, que sorriu e deu-me a mão. Fomos parar à nossa àrvore, onde temos a casa e ficámos a criar como duas crianças às escondidas, com muita diversão. Durante os dias de viagem, ela fartou-se de sonhar comigo, acordava e estava agarrada à almofada, pensando que era eu. O que é certo é que nessa noite, como acho que já disse... não dormi nada.
A outra ligação foi estarmos os dois num jardim com flores gigante, todas brancas e todas maiores que nós. Estavamos contentes, como sempre, e fomos até uma flor, que eu coloquei a mão lá dentro e tirei néctar, provei e dei a provar a ela. Eu disse-lhe que era doce como o nosso amor. Depois seguimos por um caminho de pedras, mas estas eram douradas e prateadas (o que indica protecção espiritual) e adormeceu, não se lembrando mais. Mas creio que foi uma representação do nosso caminho, do que estamos actualmente a trilhar.
sábado, 5 de julho de 2014
04-07-2014
A noite em branco não prejudicou a minha prestação na visita à sucursal de Braga mas deixou-me exausto. A cada cinco minutos que me encostava para trás no carro adormecia, mas depois estava constantemente a acordar pela cabeça não parar quieta, sempre a escorregar, sempre a cair. Não sei se era do carro ou do estado avançado de cansaço mas tal nunca me tinha acontecido. Quando cheguei a casa, a Marta já cá estava e foi claro e óbvio que não fomos feitos para estarmos muito tempo muito longe um do outro, algo que nunca tinha sentido antes, não verdadeiramente, não de uma forma tão subtil - no meu caso, creio que na Marta seja tudo menos subtil - mas sempre presente. Acho que todas as coisas exacerbadas que senti sempre foram mais pensadas do que propriamente sentidas. Porque eu queria ou "precisava". Queria mostrar, precisava de provar. Ao mundo, a mim mesmo. Desta vez... até me estou a sentir mal por causa disso. Ainda tenho uma série de amigas, especiais, que não contei as novidades. Acho que ainda estou à espera de assentar e acalmar para dizer as novidades, mas creio nessa alturas, as novidades já têm alguns anos. Creio que ao ritmo que as coisas têm acontecido, não vá assentar tão cedo, ou pelo a forma como quero e idealizo. O irmos para Sines era um horizonte longínquo uns tempos atrás, agora estamos a semanas disso. Mais um pequeno exemplo de como a minha relação com o tempo ainda não está completamente ajustada, mas o ajuste que tenho de fazer é dentro de mim. Este fim de semana por exemplo. Curso de leitura de aura e descansar nos intervalos. O fim de semana sempre foi aquele tempo em que eu sempre disse a mim mesmo que seria para fazer tudo. Tudo aquilo que não conseguia ou queria fazer durante a semana. Grande parte do descontrolo começa por esse tipo de raciocínio. O Tempo que interessa é o agora, é onde deve estar o foco. Como por exemplo, agora, depois de escrever isto, dormir uma boa noite de sono para amanhã estar preparado para o curso de leitura de aura, do qual não treinei praticamente nada e fui adiando sempre, com ou sem desculpas, quase sempre sem vontade e com cansaço à mistura.
Foco.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
03-07-2014
Estou em Braga, depois de visitar a sucursal de Aveiro. É a primeira noite sem a Marta desde que estamos juntos e nunca pensei que fosse tão difícil. Não que eu sinta uma tristeza ou melancolia - a minha forma de sentir saudades sempre foi peculiar. De tal forma que durante muito tempo pensei que seria teimosia. Se houve algumas mudanças que me custaram a habituar, viver com a Marta foi a mais fácil de todas, provavelmente também foi a mais natural, a que melhor fluiu e menos forçada foi. O dia correu bem e fomos andar um pouco por Braga que apesar de estar a pingar estava uma temperatura amena e bem agradável. Pensei em estudar um pouco para o curso da leitura de aura mas meti-me a ver um filme no canal Hollywood e quando dei conta já era tarde - na minha cabeça - para pegar no curso. Se eu tivesse uma nota de cinquenta euros às vezes que esta situação já se passou já estaria rico. Lá está, neste momento não está a fluir porque... vá-se lá saber porquê, não consigo priorizar o curso. Só me resta aceitar porque não é por me chatear comigo próprio que a minha atitude vai mudar. De qualquer forma, tentei dormir, depois do filme e não conseguir estar mais do que quarenta e cinco minutos, mais coisa menos coisa de luz apagada. E com isto tudo já vou no quarto filme seguido. Estou exausto. Acho que vou tomar um banho e depois passar qualquer coisa a limpo do curso. Esta despertina súbita não é normal, só espero não ficar com as ideias atrofiadas durante a apresentação de amanhã.
quarta-feira, 2 de julho de 2014
02-07-2014
Que dia fantástico foi ontem. Ok, as nove horas no local de trabalho ninguém mas tira, mas ter saído do trabalho, andado perdido no concelho de Loures, chegar meia hora atrasado, fazer a massagem, que até correu bem e num ambiente que até pode ser considerado como hostil - obviamente estou a exagerar, mas estava rodeado por dois gatos, um dos quais fugiu assim que me viu e depois foi-se aproximando de mim aos poucos e a roçar-se em mim. Deu-me uma vontade enorme para brincar com ele, acho que já não sentia algo assim há muito, muito tempo. Tanto que acho que foi noutra vida, ou noutras vidas. Sensação estranha. Bem, depois da massagem, ir a casa para apanhar a Marta e arrancarmos para Lisboa para irmos logo para o concerto, que foi simplesmente brutal. Foi com dias como ontem que eu me apercebo em quão sortudo eu sou. Não só pela Marta mas por tudo. Por ter os amigos que tenho, por ter a família que tenho, que me ajudam em tudo o quanto peço e maior parte das vezes pensam naquilo que eu não pensei de forma a ajudar-me ainda mais, para além da sua obrigação mas dentro, totalmente dentro, do amor que sentem por mim. Por ter o trabalho que tenho que embora não seja totalmente inspirador, permite-me ter sustento para aquilo que gosto de fazer, as massagens, a música, a escrita, as reportagens. Os bons momentos e até pelos maus momentos. Pensando no mês de Fevereiro e em como ele me levou à Marta é a maior prova de que poderia ter, como se eu precisasse de algumas mas para futura referência pode dar jeito, de como precisamos de gatinhar para aprender andar e em como essa dor, de gatinhar, nos faz realmente chegar a um patamar mais elevado. A paz não é completa porque ainda estou a aprender a lidar com o tempo e com o facto de não conseguir chegar a todo o lado - hoje tive que recusar uma sessão de reiki devido ao curso do próximo fim de semana - e isso é algo que eu notei que regredi, talvez pelo meu equilíbrio ter sido alterado com a mudança e de certa a forma a alteração de rotinas, mas também, depois de um dia como ontem e de um dia como hoje, em que consegui com que o cansaço não se manifestasse de forma negativa nestas questões que estou a lidar, é um sinal que também estou a estabilizar.
Um dia de cada vez.
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