quarta-feira, 16 de julho de 2014

15-07-2014

Hoje tive uma das conversas mais francas de sempre com a Marta. Tudo começou por acaso - já lá vamos - e acabámos a falar de receios nossos, daquilo que temos medo, daquilo que nos é desconfortável. De certa forma, sempre foi uma conversa que evitei. Não por receio pela reacção dela mas por hábito de não falar o que sinto, hábito de me manter calado. Sim, admito, um hábito de medo, que se enraizou. Um hábito de não gostar de conflitos, por de alguma forma, saber, que não serei eu a agir num conflito. Serei sempre uma versão diminuta de mim a reagir num conflito. Apesar de todas estas coisas enraizadas, falei daquilo que sentia. Apesar de um certo receio que acho que a Marta tem, ela também falou. Eu não quero impor nada, não quero que a mulher da minha vida se sinta obrigada a ser quem é para me agradar, não quero ter esse peso sobre mim. Não quero viver numa ilusão, apenas para descobrir daqui a dois anos e meio de que o sonho acabou. Eu sei que nada dura para sempre e eu estou em paz com isso, mas enquanto dura, quero que seja real. E depois da conversa que tive com a Marta, os meus receios foram afastados, pelo menos por enquanto. Senti verdadeiramente que o ela aparecer na minha vida, alguém assim tão perfeito, alguém tão de acordo com aquilo que tinha pedido, durante muito tempo, muitas vezes, não é uma ilusão que construí, não é uma ilusão que me foi oferecida. É real. É real vinte e quatro horas por dia. Implica mudanças, mais ténues do que supunha e implica eu ser eu próprio, sem máscaras. Algo que definitivamente não estou habituado. Poderá parecer mais fácil que parece, ter alguém que te aceita tal como tu és, mas a verdade é que, é difícil, difícil que isso não nos suba à cabeça, difícil não ficar viciado nisso, difícil não querer abusar desse pesadelo. Quer dizer... ainda não senti essa dificuldade, mas a tentação... poder corrompe, poder absoluto corrompe absolutamente.

Sem comentários:

Enviar um comentário