sábado, 12 de julho de 2014

11-07-2014

Ontem quando nos deitámos, a Marta sentiu novamente a luz branca do Arcanjo Gabriel nas costas dela. Não sei o que significou a ausência dos dois dias, mas talvez tenha sido para nos fazer ter uma atitude, de tentar ajudar, embora me pareça que as razões para certas coisas vão-nos parecer sempre misteriosas. Nesse aspecto a minha curiosidade é bem mais calma do que aquilo que era, já não me oprime não saber ou não perceber o propósito de tudo o que me acontece, principalmente de coisas ligadas ao... sobrenatural, chamemos-lhe assim.

Agora noutro assunto... o Nando ligou-me a convidar para ir ao cinema. Na verdade não me apetecia muito, mas havendo um filme que motivasse a ida, até era capaz de ir mas antes disso a minha mente começou logo à procura de saídas como um animal num canto encurralado. Desculpas. Dinheiro, filmes que não interessam, tudo menos dizer a verdade que era simplesmente não me apetecer. Não só para não ferir os sentimentos dele mas principalmente por não querer admitir que não me apetecia sair. No passado critiquei alguns amigos por mudarem quase de personalidade, por deixarem de falar. Lembro-me que o fiz principalmente com o Pedro, quando ele andava com aquela rapariga que o desgraçou. Depois disso também senti que ele só falava comigo quando precisava. Não quero ser essa pessoa, que só tem os amigos quando não tem namorada, que só procura as pessoas quando precisa. Mas também não quero ser quem está com as pessoas por frete. Eu sou anti-social, raramente quero sair de casa. Não sei se é de nascença ou se foi quem me tornei, mas dificilmente consigo deixar o conforto onde estou para ir a um sítio qualquer apenas por querer ir a um sítio qualquer. É perigoso também para a minha relação com a Marta porque ninguém é tão caseiro quanto eu e as mesmas rotinas acabam por enjoar... Os últimos tempos têm sido movimentados, mudei de casa, mudei de vida e ainda estou a ver se vejo a poeira a assentar. Estou a tentar parar o meu mundo. Temos sempre aquilo que queremos e eu sei isso melhor que ninguém. O Universo dá-nos o que pedimos quando os factores certos estão conjugados. O trabalho relacionado com as terapias abrandou porque eu precisava que abrandasse. Eu preciso que seja uma coisa de cada vez, aquilo que preciso nem sempre é aquilo que realmente preciso. Aquilo que preciso muitas das vezes é aquilo que eu quero e o que eu quero não é aquilo que me serve.

Eu sei que não me vou tornar nessa pessoa, sei que posso escorregar de vez em quando, fazer erros, passos atrás, mas eu não me vou tornar nessa pessoa. Falei com a Marta e vou convidar o Nando a vir cá para que a conheça e conheça os animais. Eu não me vou tornar nessa pessoa.

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