A noite em branco não prejudicou a minha prestação na visita à sucursal de Braga mas deixou-me exausto. A cada cinco minutos que me encostava para trás no carro adormecia, mas depois estava constantemente a acordar pela cabeça não parar quieta, sempre a escorregar, sempre a cair. Não sei se era do carro ou do estado avançado de cansaço mas tal nunca me tinha acontecido. Quando cheguei a casa, a Marta já cá estava e foi claro e óbvio que não fomos feitos para estarmos muito tempo muito longe um do outro, algo que nunca tinha sentido antes, não verdadeiramente, não de uma forma tão subtil - no meu caso, creio que na Marta seja tudo menos subtil - mas sempre presente. Acho que todas as coisas exacerbadas que senti sempre foram mais pensadas do que propriamente sentidas. Porque eu queria ou "precisava". Queria mostrar, precisava de provar. Ao mundo, a mim mesmo. Desta vez... até me estou a sentir mal por causa disso. Ainda tenho uma série de amigas, especiais, que não contei as novidades. Acho que ainda estou à espera de assentar e acalmar para dizer as novidades, mas creio nessa alturas, as novidades já têm alguns anos. Creio que ao ritmo que as coisas têm acontecido, não vá assentar tão cedo, ou pelo a forma como quero e idealizo. O irmos para Sines era um horizonte longínquo uns tempos atrás, agora estamos a semanas disso. Mais um pequeno exemplo de como a minha relação com o tempo ainda não está completamente ajustada, mas o ajuste que tenho de fazer é dentro de mim. Este fim de semana por exemplo. Curso de leitura de aura e descansar nos intervalos. O fim de semana sempre foi aquele tempo em que eu sempre disse a mim mesmo que seria para fazer tudo. Tudo aquilo que não conseguia ou queria fazer durante a semana. Grande parte do descontrolo começa por esse tipo de raciocínio. O Tempo que interessa é o agora, é onde deve estar o foco. Como por exemplo, agora, depois de escrever isto, dormir uma boa noite de sono para amanhã estar preparado para o curso de leitura de aura, do qual não treinei praticamente nada e fui adiando sempre, com ou sem desculpas, quase sempre sem vontade e com cansaço à mistura.
Foco.
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