segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

27-12-15

Dois anos. Dois anos desde que conheci a Marta. Quem diria que de uma abordagem tão simples e inocente, acabaria por resultar na relação que mais estabilidade e paz me tem trazido? É, continua a ser, a prova maior de uma grande verdade. A vida acontece quando estamos distraídos a fazer outras coisas. Tento pegar no exemplo da nossa relação para a área profissional, que é a parte da minha vida que continua a tirar-me um pouco a paz, só que as coisas não funcionam bem assim não é? Quando estamos a contar com algo, é difícil sermos naturais e fazermos de conta de que estamos ignorantes. No entanto, acaba por ser nesse ponto que vou sempre parar. De qualquer forma, a diferença de agora com o antes, é que ter a Marta do meu lado é como se eu tivesse uma bateria nuclear de apoio. É crto que as coisas por vezes não são fáceis, os tempos também não são fáceis, mas existe um amor e um companheirismo que é absolutamente viciante e com o qual já não consigo imaginar-me a viver. 

2 anos e parece que já passou uma vida inteira.

Quero... Queremos mais!

23-12-2015

É incrível como ainda me surpreendo com a rapidez com o tempo passa. Mesmo estando num sítio completamente diferente, mesmo não ansiando tanto como antes, quando este dia chega ao final, há sempre uma sensação de rapidez à qual ainda não me habituei. Talvez nunca me habitue. Trinta e cinco anos... e ainda tanta coisa para fazer. É bom sentir que ainda se tem o futuro à frente e que não se errou muito pelo caminho. Isto é, quando errei foi o caminho necessário para chegar exactamente... aqui.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

22-12-2015

Véspera de mais um aniversário e tenho muito pelo qual ser grato. E a pensar que anos atrás esta era uma época de separação para mim. Uma época em que me sentia desconectado dos outros, triste e isolado, a sentir que faltava-me sempre algo. Um pedaço grande. Mesmo nas épocas em que tinha relacionamentos, ou era uma relação à distância ou o relacionamento só existia na minha cabeça. Seja como for, é bom apreciar, ou melhor, sentir a mudança. Ainda passei por uma fase que me era um pouco indiferente, que nem o aspecto material, nem o aspecto de celebração me faziam qualquer diferença. Felizmente, hoje em dia está tudo muito diferente. A minha vida mudou e eu consigo apreciar essa diferença, felizmente. Estou grato também por isso. Estou grato por conseguir ver aquilo que a vida me dá de bom, conseguir apreciar a presença daqueles que amo. Sei que ainda não estou ponto e sei que o sítio onde estou hoje é mais à frente do ponto onde estava ontem e será mais atrás do sítio onde estarei amanhã, mas na realidade, isso não interessa muito. O que interessa é que estou vivo e feliz por isso. E, sobretudo, grato!

domingo, 13 de dezembro de 2015

14-12-15

É quando volto às páginas deste diário que me apercebo de que como a vida muda tanto que às vezes parece que não muda nada. Ou por outras palavras, somos nós que mudamos muitas das vezes e vemos a vida de outra forma. E a minha vida, como tem andado? Voltei a escrever, voltei a sentir gosto pela escrita embora o peso de ter de gastar 40 horas semanais a fazer algo que não gosto ainda não me tenha abandonado.No entanto, consegui encontrar uma paz interior que julgava ser possível atingir. Pelo menos atingir sem cumprir aquilo que julgo necessário ou que julgava necessário, que seria mudar de emprego. Claro que a presença da Marta na minha vida tornou tudo um pouco mais fácil. Felizmente. E é em parte por causa dela que eu decidi começar um diário de gratidão. De uns tempos para cá, é complicado ter o tempo necessário para me sentar aqui mas de qualquer forma vou fazer para que consiga cumprir. E em é que consiste o desafio? Todos os dias apontar aqui algo pela qual esteja grato, mesmo que seja a coisa mais ínfima.

Assim sendo... estou grato pela Marta estar na minha vida. Estou grato por ter um sítio onde chamo lar com ela. Estou grato por ter comida na mesa.

Profundamente grato.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

13-11-2015

O mundo dá voltas e voltas, tantas voltas que irremediavelmente, quando damos conta, vamos parar ao mesmo sítio. Da última vez que escrevi aqui, julguei-me livre. Quer dizer, gritei e estabeleci essa independência, mas aquilo que descobri é que a liberdade nunca é aquilo que pensamos e as independências gritadas normalmente são sempre aquelas que se transformam noutras prisões disfarçadas. Mas eu não vim aqui hoje para me queixar, não sinto essa necessidade. E está aqui a grande aprendizagem. O mundo realmente dá voltas e voltas e infalivelmente vamos parar ao mesmo sítio, mas cabe-nos a nós ter tido as aprendizagens - ou pelo menos estar abertas a elas - o suficiente para que quando voltamos ao mesmo sítio, não sermos mais os mesmos. E é precisamente nesse ponto onde estou actualmente.

A humildade ajuda-nos a ter paciência e a paciência obriga-nos a estimularmos e praticarmos a nossa humildade. Humildade e gratidão. Por isso sou grato. Sou grato por todo este caminho, por ter uma mulher fantástica como a Marta a meu lado, para me apoiar e fazer lembrar disso mesmo. Da humildade e da paciência. Mas sobretudo para me inspirar e dar o exemplo. Desde Junho, a última vez que escrevi neste diário, não consegui fazer aquilo que tanto ambiciono. Dedicar-me às terapias e dar vazão a esta voz dentro de mim que quer falar. Na realidade, contrário ao que seria expectável, ainda tenho menos tempo e energia para tal, mas por outro lado, sinto que estou mais perto que nunca dessa mesma realidade. Ela está aí, à esquina. À minha espera, tal como sempre teve. Talvez a diferença agora seja a atitude da minha parte. Estou a deixar-me ir ao seu encontro a caminhar sem pressão, mas com intenção.

Go With The Flow.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

10-06-2015

É incrível como me esqueci de vir aqui durante tanto tempo. Não sei se foi esquecimento ou de simplesmente perda de sentido. Quando comecei a escrever aqui, anos atrás, um grande desespero estava a consumir-me por dentro e se isto inicialmente serviu para libertar esse desespero - ou assim pensava eu, só mais tarde (quase tarde demais) é que me apercebi que era precisamente o contrário. Uma armadilha do meu ego para me manter amarrado e controlado. Uma armadilha quase fatal. Foi o sobreviver a essa armadilha que me fez evitar outras ou pelo menos reconhecê-las. Muita coisa passou desde essa altura, muita coisa mudou, coisas que julgava não possível mudar. E ainda bem. Quando recomecei a escrever nestas páginas foi quase como uma obrigação, uma tentativa consciente de mudar ou transmutar a energia negativa que tinha libertado. Dei comigo a acabar por fazer o mesmo que antes, mas de uma forma dissimulada. Uma armadilha diferente, para uma pessoa diferente mas com o mesmo intuito, manter-me preso e adormecido na ilusão de não haver saída, de não haver alternativa. A Marta foi a grande responsável pela mudança confesso. Gostaria de dizer que tinha evoluído o suficiente para conseguir dar a volta sozinho mas o máximo que acho que fiz foi evoluir o suficiente para que a Marta tivesse hipótese de entrar na minha vida. Tendo em conta tudo o que passei até chegar até aqui e o quanto ela me faz feliz, eu diria que até foi uma longa caminhada.

Estou livre da prisão do trabalho, não tem sido um processo fácil, com alguns desafios pelo meio relacionadas com a saúde da Marta, mas o que posso dizer é que nós dois juntos atravessamos tudo o que nos aparece no caminho. Sei que muitas mais prisões vão-nos aparecer disfarçadas no futuro e que em algumas entraremos de livre vontade, outras vamos passar ao lado... na verdade não interessa. O primeiro teste, o primeiro checkpoint foi o passado perder importância, o guardar registo, guardar o resultado para ver quem ganha. E tal surgiu naturalmente, tal como naturalmente o futuro está a deixar de ter importância, apenas o presente interessa. E no presente...

Sou livre.

quinta-feira, 12 de março de 2015

12-03-15

As coisas têm corrido a uma velocidade tão grande que mal tenho tido tempo para o quer que seja. Entre as lutas, as minhas eternas lutas contra o tempo e a mudança iminente de vida que está prestes a acontecer, pouco sobra. A luta contra tempo não é o que é costume. Não tem sido como era, de andar sempre frustrado por não conseguir fazer aquilo que quero fazer. Há muita coisa que fica para trás, mas tenho uma paz interior em relação a isso que me está a surpreender. Não creio que seja temporário.

Quanto à mudança de vida... antes de acabar o mês, já estarei a trabalhar noutro lado, mais que não seja em part time, mas esse part-time vai-me trazer mais dinheiro do que aquilo que ganho agora, sem falar no mais importante, o facto de sentir paixão por aquilo que faço. E isso... é uma fortuna, é ouro.

Os dias de abundância estão aqui, agora. Até os sinto.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

28-01-2015

Um ano. Nem dei por ela. Um ano depois tudo mudou. Um dia apenas depois do dia em que os meus pais fazem anos de casados, eu conheci a mulher da minha vida. Um ano depois desse dia, estou a viver com ela aquilo que antes só ousava imaginar. Aliás, muitas vezes me censurava de imaginar porque havia uma fase em que achava que sonhar era apenas uma forma de me magoar e afastar da realidade.

Um ano depois. E daqui um ano, a minha vida ainda vai estar mais radicalmente diferente. Não por eu estar a dizer que vai acontecer, até porque o ano passado não disse nada parecido. E aconteceu. Mas estava num ponto em que queria mudar, em que queria avançar, queria algo melhor. E aconteceu. 

É só o que quero agora, algo melhor, e é o que vai acontecer. Sei, sinto-o, tenho a certeza. E essa mudança já está na minha vida. Ela está aqui presente. Ao virar da esquina, onde eu estou a caminhar. Mas eu já a sinto, já a cheiro, já a saboreio. E assim sou feliz. Ao lado da mulher da minha vida, que eu conheci pessoalmente um ano atrás.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

07-01-2015

Mudanças. Por muito que tenha mudado nos últimos tempos, certas coisas continuam a encontrar uma certa resistência do meu lado. Não é nada de normal as mudanças (que eu desejo) demorarem a acontecer quando no fundo tenho sempre resistências às mudanças no geral. Sempre tive. O caminho percorrido nos últimos anos sem dúvida que foi considerável – para não perder a modéstia e dizer que foi revolucionário – mas esse ponto permanece. Faz parte da minha personalidade, do meu karma, da minha bagagem, daquilo que tenho que resolver. Mesmo sabendo disto, ainda existem momentos que me surpreendem. A equipa de trabalho está prestes a mudar. É algo que já temos vindo a falar desde Novembro do ano passado. Não sei se tinha uma esperança secreta que tal não acontecesse, que me recusasse a acreditar, porque conscientemente eu sei o que essa mudança significa. Significa o início do fim da minha presença naquela empresa. Pois esse início está cada vez mais próximo, já que numa equipa de quatro, já está confirmado que um vai sair e que outro está na iminência sair, sendo que dos dois que saem, entra apenas um. Obviamente que o trabalho vai decair em cima de mim e da Catarina. Nada de novo aí, mas mesmo assim fui apanhado de surpresa, mesmo assim a minha primeira reacção, instintiva, foi de resistência. 

Não quero isto, não quero nem que me obriguem, eu fujo

Felizmente a lucidez não demorou muito tempo a surgir e a aceitar que faz parte daquilo que pedi, que faz parte daquilo que tenho pedido. Que para a mudança ter espaço para acontecer, temos que dar espaço à mudança e que quando não damos espaço à mudança, ela atropela-nos, leva-nos à frente e nem nos apercebemos de que temos que mudar para irmos em busca do que desejamos. Eu sei que peco pela repetição, mas parece-me que a repetição é a única forma de nós, seres humanos, aprendermos, principalmente quando aquilo que está em questão aprender é algo que está tão enraizado, tão programado, que nem damos conta que o temos dentro de nós. A não ser por momentos destes. 

Lição número dois:

Depois de aceitar a mudança, preparar para o impacto.

domingo, 4 de janeiro de 2015

04-01-2015

Não foram precisos muitos dias ou muitas mudanças para sentir os ventos de mudança. A Marta mostrou-me um site de notícias, onde posso ganhar dinheiro com aquilo que escrevo. Obviamente que não é fácil, mas nem foi isto que me animou, não foi olhar para isto como uma forma de ter a independência que tanto procuro. É olhar para isto como um sinal, como se houvesse alguém a dizer-me que é possível. É possível vermos os nossos sonhos tornados realidade, é possível as coisas acontecerem, as coisas que tanto queremos. É sentir que mais do que ter esperança é importante ter fé, fé em nós próprios, nas nossas capacidades, certezas naquilo que somos, naquilo que queremos, naquilo que sentimos. Tudo o resto acontece, tudo o resto aparece. Mais cedo ou mais tarde. Estando voltados para a frente, vamos de encontro a tudo aquilo que é para nós. Sem resistência, sem drama. Com fé e felicidade. Fazer esta caminhada, sabendo que tenho ao meu lado um anjo da guarda que está sempre presente ainda me dá mais força para todos os desafios que possam aparecer no futuro. A ela devo-lhe muita da felicidade que sinto, por me acompanhar neste despertar, neste... iluminar.

03-01-2015

A minha relação com o trabalho mudou e ao mesmo tempo não mudou. Acho que não estou mais exigente comigo mesmo, para me dedicar mais, para poder dar mais, para justificar o ordenado que recebo. Continuo a considerar que o ordenado que recebo é pouco para aquilo que faço ou mereço, mesmo que não dê o máximo. Provavelmente é um ataque de arrogância da minha parte mas é aquilo que sinto, sinceramente. No entanto, agora também quero dar mais, de uma forma a não ter sentimentos de culpa. Querer dar mais, fazer mais. Não porque me sinto culpado de não merecer o meu ordenado - que mereço - mas porque quero dar o meu melhor em tudo aquilo que faço. Claro que isso leva, inevitavelmente, à luta interior, quando as coisas não correm da melhor forma ou por me dispersar um pouco. Quero dar mais, quero dar o meu melhor, porque eu sei que este vai ser o último ano que vou estar aqui, porque quero me sinto grato por ter tido este emprego ao longo de sete anos e porque não sinto mais peso, não sinto mais pressão. A minha vida é fantástica e o universo conspira para me dar tudo aquilo que quero, tudo aquilo que preciso - a combinação das duas porque nem sempre elas se encontram. Este vai ser um ano de mudanças.

01-01-2015

Ano novo, vida nova. Olhando para trás, dez anos atrás, estava em Gaia, na casa da Susana, a ver o fogo de artificio sobre o Douro e a trocar juras de amor eterno, um amor que não durou mais quatro meses. Dez anos. Parece uma vida inteira. Muita coisa aconteceu desde esse momento, tanta coisa que parece que morri e nasci mais uma série de vezes. Na verdade, foi mesmo isso que aconteceu. Constantes mortes e renascimentos. Chegar aqui hoje, ao lado de (finalmente) a mulher da minha vida e ter esta paz interior enorme... é bom dizer que valeu a pena, todo o caminho. A gratidão que sinto não é efusiva, é calma, é segura. É presente a todos os níveis. 2014 foi um ano de transformações, um ano de muita coisa boa e de outras que na altura considerei como menos boas mas que me serviram para me trazer lugar. Olhar para trás a meio da viagem é bom. Não para olharmos com saudade, mas para admirarmos todo o percurso. Mas é algo que deve durar apenas meio segundo e depois todas as atenções devem estar voltadas para o que está a nossa frente.

Este foi o meu meio segundo.