quarta-feira, 10 de junho de 2015

10-06-2015

É incrível como me esqueci de vir aqui durante tanto tempo. Não sei se foi esquecimento ou de simplesmente perda de sentido. Quando comecei a escrever aqui, anos atrás, um grande desespero estava a consumir-me por dentro e se isto inicialmente serviu para libertar esse desespero - ou assim pensava eu, só mais tarde (quase tarde demais) é que me apercebi que era precisamente o contrário. Uma armadilha do meu ego para me manter amarrado e controlado. Uma armadilha quase fatal. Foi o sobreviver a essa armadilha que me fez evitar outras ou pelo menos reconhecê-las. Muita coisa passou desde essa altura, muita coisa mudou, coisas que julgava não possível mudar. E ainda bem. Quando recomecei a escrever nestas páginas foi quase como uma obrigação, uma tentativa consciente de mudar ou transmutar a energia negativa que tinha libertado. Dei comigo a acabar por fazer o mesmo que antes, mas de uma forma dissimulada. Uma armadilha diferente, para uma pessoa diferente mas com o mesmo intuito, manter-me preso e adormecido na ilusão de não haver saída, de não haver alternativa. A Marta foi a grande responsável pela mudança confesso. Gostaria de dizer que tinha evoluído o suficiente para conseguir dar a volta sozinho mas o máximo que acho que fiz foi evoluir o suficiente para que a Marta tivesse hipótese de entrar na minha vida. Tendo em conta tudo o que passei até chegar até aqui e o quanto ela me faz feliz, eu diria que até foi uma longa caminhada.

Estou livre da prisão do trabalho, não tem sido um processo fácil, com alguns desafios pelo meio relacionadas com a saúde da Marta, mas o que posso dizer é que nós dois juntos atravessamos tudo o que nos aparece no caminho. Sei que muitas mais prisões vão-nos aparecer disfarçadas no futuro e que em algumas entraremos de livre vontade, outras vamos passar ao lado... na verdade não interessa. O primeiro teste, o primeiro checkpoint foi o passado perder importância, o guardar registo, guardar o resultado para ver quem ganha. E tal surgiu naturalmente, tal como naturalmente o futuro está a deixar de ter importância, apenas o presente interessa. E no presente...

Sou livre.

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