O mundo dá voltas e voltas, tantas voltas que irremediavelmente, quando damos conta, vamos parar ao mesmo sítio. Da última vez que escrevi aqui, julguei-me livre. Quer dizer, gritei e estabeleci essa independência, mas aquilo que descobri é que a liberdade nunca é aquilo que pensamos e as independências gritadas normalmente são sempre aquelas que se transformam noutras prisões disfarçadas. Mas eu não vim aqui hoje para me queixar, não sinto essa necessidade. E está aqui a grande aprendizagem. O mundo realmente dá voltas e voltas e infalivelmente vamos parar ao mesmo sítio, mas cabe-nos a nós ter tido as aprendizagens - ou pelo menos estar abertas a elas - o suficiente para que quando voltamos ao mesmo sítio, não sermos mais os mesmos. E é precisamente nesse ponto onde estou actualmente.
A humildade ajuda-nos a ter paciência e a paciência obriga-nos a estimularmos e praticarmos a nossa humildade. Humildade e gratidão. Por isso sou grato. Sou grato por todo este caminho, por ter uma mulher fantástica como a Marta a meu lado, para me apoiar e fazer lembrar disso mesmo. Da humildade e da paciência. Mas sobretudo para me inspirar e dar o exemplo. Desde Junho, a última vez que escrevi neste diário, não consegui fazer aquilo que tanto ambiciono. Dedicar-me às terapias e dar vazão a esta voz dentro de mim que quer falar. Na realidade, contrário ao que seria expectável, ainda tenho menos tempo e energia para tal, mas por outro lado, sinto que estou mais perto que nunca dessa mesma realidade. Ela está aí, à esquina. À minha espera, tal como sempre teve. Talvez a diferença agora seja a atitude da minha parte. Estou a deixar-me ir ao seu encontro a caminhar sem pressão, mas com intenção.
Go With The Flow.
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