terça-feira, 30 de dezembro de 2014

30-12-2014

Escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever, escrever!

Este é o mantra que tem ecoado na minha cabeça nos últimos tempos. Só se cala quando começo a pensar e é nesse momento em que sinto que o pensar é um travão às coisas acontecerem. O pensar leva ao duvidar, ao por em questão. Não há nada de mal quanto a isso, serve para nos protegermos, para não errarmos, mas neste estágio da evolução, acredito que o pensar seja a morte do sonhar. Quero sonhar, vou sonhar, estou a sonhar em que escrever, escrever, escrever será a minha principal fonte de rendimento e aí, aí vou estar livre para ajudar ainda mais pessoas através das minhas terapias.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

25-12-2014

Por vezes ainda me custa a acreditar como as coisas mudaram em tão pouco tempo. É um lugar comum desde que conheci a Marta, embora agora tenha sido relegada para ponto secundário nos últimos anos. Relegado para o inconsciente e que volta à superfície em certos momentos. Como o de agora, em que estou aqui a escrever nestas páginas. Este ano foi uma revolução e mesmo assim eu quero mais. Mesmo assim eu queria mais, mas dou-me por satisfeito por ter saído de casa da forma tão pacífica para mim, para todos, como foi. Satisfeito por ter conquistado os meus medos, por ter superado muitas dificuldades e poder dizer: "ainda estou aqui". Satisfeito por ter passado um aniversário onde não me faltou nada. Satisfeito por ter passado um Natal em que me senti completo. Satisfeito por não me ter sentido triste, com o pensamento nalguma pessoa a trezentos quilómetros de distância ou milhentos. A alguém fora de alcance. Satisfeito não. Feliz. Feliz por ter um sentido suave de completude, um sentido de paz suave e tranquilo. Agora... quero mais. Quero mais para a minha vida profissional. Sem o peso do desespero de outros tempos. De vez em quando com uns picos de ansiedade, mas... sem desespero porque eu sei que aquilo que quero, aquilo que é para mim, já existe, já está criado. Eu apenas me estou a colocar a jeito para a receber. Estou a preparar-me para receber-me aquela que vai ser a minha realidade.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

23-12-2014

De todos os momentos em que possa ter dúvidas das minhas capacidades, são dias como o de hoje que me fazem contrariar essa tendência. Sei que tenho um adversário à altura, fortíssimo, difícil de combater. Sei que ele está dentro de mim. Sei que basta uma distracção para ter dúvidas do meu valor. Graças a ter pessoas como a Marta (especialmente a Marta) na minha vida, é uma forma de combater isto. Hoje iniciei-a em reiki, e ela disse-me - tendo uma capacidade brutal para visualizações - que estávamos com a sala cheia. Os guias dela, os meus e os sete arcanjos dos sete raios - a quem eu pedi a ajuda quando íamos começar o ritual. Ela disse-me que estavam todos contentes, que estavam animados por aquilo estar a acontecer. E esse sentimento, através dela, chegou-me a mim, banhou-me. Posso não ver, posso muitas vezes não sentir, por querer muito e/ou por duvidar ao mesmo tempo que o consiga fazer, mas sei que apesar disso, mais depressa ou mais devagar, eu estou no caminho certo.

O dia de aniversário, depois da iniciação, ameaçou ser invadido por uma melancolia muito familiar, uma que era tradição por esta altura todos os anos, mas senti que ela veio ter comigo para se despedir. Houve uma paz e tranquilidade que só foi ameaçada por um certo cansaço, resultado, provavelmente, do esforço energético da iniciação e também pela notícia de que a equipa seria reduzida. Fez-me pensar em como eu também queria sair de lá, mudar de vida, mudar para algo que me preencha. Mais. Algo que não fosse alimentado apenas por "tenho contas a pagar, tenho responsabilidades que me obrigam estar aqui a consumir-me a fazer algo que não me diz nada". Foi uma espécie de... tudo junto. Nostalgia por ter a certeza de que o próximo ano vai ser um ano de revolução, tal como 2014 foi. Um ano em que vou caminhar em direcção aquilo que quero, em direcção aquilo que me preenche. As coisas mudaram irremediavelmente e eu senti aquela contradição de querer ficar no meu canto, longe de tudo, agarrado ao que é e o de querer empurrar tudo para longe e apressar o destino que vai ser. E o destino que vai ser, já o é. Sei-o bem. Sinto-o bem. E ainda vou saber melhor, vou sentir melhor.

sábado, 20 de dezembro de 2014

20-12-2014

Demasiadas vezes me vi como o salvador, o mártir. Só recentemente me consegui aperceber disso. Sempre me vi como o principal responsável, por tudo de bom como tudo de mau. O sofredor que consegue salvar o mundo no final do dia, em contraste com o quotidiano onde me via e sentia abandonado e posto de parte. O mundo já deu muitas voltas desse dia, mas mesmo assim, continuo a fantasiar por uma forma de livrar a minha família de dívidas, colocar os meus amigos numa situação financeira segura e agradável, assim como conseguir trazer mais rendimento para casa, sem me sentir culpado por ser a Marta que chega a todo o lado. Soube recentemente que tenho um karma com o dinheiro. Numa vida passada... perdão, em várias vidas passadas, tive em posições que me garantiram dinheiro e poder e eu era generoso com as pessoas à minha volta e que me procuravam, mas sempre fui esperando algo em troca, até que não me davam aquilo que esperavam e eu acabei por não dar nada a ninguém, por ficar com tudo para mim. Não foi numa, nem foram duas vidas. Foram bastantes. Portanto, é natural que sinta esta vontade de querer ajudar todos, é natural que deseje ter o dinheiro para o fazer, é natural que também tenha todas estas dificuldades financeiras. Sempre pensei que os problemas financeiros tinham origem ou na minha mãe ou no meu pai. Quando a minha mãe saiu de casa, as coisas na casa dos meus avós melhoraram. Quando o meu irmão saiu de casa, a sua condição financeira também melhorou. Quando eu saí de casa... nada mudou, porque sou eu o responsável. Não o digo de forma fatalista ou dramática ou sequer de sentir injustiça. Digo-o aceitando-o. Só há pouco tempo também é que me apercebi que aquilo que deu... sempre esperei algo de volta, mais que não seja ter uma razão para não estar melhor na vida. Ter alguém a quem culpar, mesmo não querendo culpar ninguém. Ajudei quem tinha de ajudar e não fui pago de volta. Não quero ser, é mais que justo que não seja, por muito que isso me custo interiormente, por muito que essa seja uma batalha difícil de travar. Mas tal como sempre, tal como tudo, assim que a luz é apontada para algo, assim que as trevas se revelam, elas são compreendidas, elas deixam de nos dominar. Quero que os meus pais saiam dos problemas em que estão enfiados, isso é o mais importante, não que eles me vejam como o seu salvador. Não preciso disso, eu sei que eles me amam de qualquer forma, assim como todos os meus amigos que quero ajudar. Não preciso de comprar o seu afecto, eles amam-me de qualquer maneira. Só quero que todos nós estejamos bem e eu sei que se todos nós estivermos bem, eu também estarei.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

18-12-2014

Os testes são engraçados. Nunca sabemos quando vão aparecer e quando aparecem inesperadamente, estamos tão afectados pelos desafios que nos colocam que nunca os conseguimos ver em perspectiva. Conseguem fazer-nos esquecer aquilo que sabemos. Temos conhecimentos para reagir a situações que nos são instintivas e só reparamos que estamos a reagir instintivamente quando já estamos no meio da situação. As últimas semanas não têm sido fáceis, mas penso finalmente ter superado tudo aquilo que o meu instinto me sugere. Instinto talvez não seja a melhor forma de designação... aquilo que a sociedade, em conjunto com os meus medos de agora e os medos que transporto de antes, estes dois conselheiros que enchem de veneno mais vezes do que gostaria. O que eu sei e aprendi à força é que para estes venenos interiores, o antídoto também está cá dentro. O sentir que se está preso, sentir pressão devido a situações financeiras... são tudo questões que fazem parte de receios e inseguranças. Receio de ficar a vida toda a fazer algo que não satisfaz a alma e o coração, receio de não ser capaz de garantir o seu próprio sustento, o seu e daqueles que ama. 

Há mais vida para além desses receios, é algo que eu já sei há muito tempo, embora tenha paciência para comigo mesmo quando me esqueço no momento em que sou colocado à prova. De um sítio mais alto onde me coloco, através dos meus pensamentos, sei que estou disponível para receber coisas a esse nível.

Estou pronto.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

12-12-2014

Promessas não cumpridas. Pelo mundo, por mim próprio, principalmente por mim próprio. É sintomático ter constantemente objectivos colocados à frente de forma ingénua, objectivos que nunca serão cumpridos. E é isso que a vida tem de fantástico. Podemos andar iludidos com objectivos irreais ou que apesar de bem reais, nunca os conseguimos atingir por estarmos desintonizados. A vida está lá sempre para nos acordar com mais ou menos intensidade. Na verdade, a intensidade nem é da vida. É nossa. A vida é como uma parede. Ela apenas está lá. O que faz a diferença é mesmo a forma como vamos contra ela, a nossa resistência a ela. E hoje foi um dia de resistência. De tal forma que sinto que algo se partiu dentro de mim.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

05-12-2014

Mais um ano que se aproxima do fim. Mais uma vez, os ciclos repetem-se, no trabalho, em casa, mas mesmo assim é como ver tudo pela primeira vez. Tudo mudou desde o momento em que conheci a Marta, e tudo mudou novamente desde o momento em que nos juntámos. E tudo deixou de ter importância, tudo mudou. Confesso que quando despertei de uma espécie de estado de hibernação, de estado de graça que a nossa união provocou, tive vontade de fugir do marasmo profissional em que tenho estado mergulhado. Como já aprendi no passado, tudo aquilo do qual queremos fugir desesperadamente apenas se torna mais presente a cada movimento de resistência. Esses movimentos de resistência aconteceram principalmente por sentir que a mudança estava para breve. E ainda sinto isso, sinto, mais que nunca, que a mudança está para breve. Tento não qualificar, não criar expectativas porque isso vai limitar aquilo que aí vem. 

Assim sendo, não sei o que vem mas sei que vem.

E está aqui.

sábado, 29 de novembro de 2014

30-11-2014

Cheguei agora do jantar de natal dos terapeutas do espaço onde dou terapias e vim a pensar em várias coisas. A primeira é a gratidão infinita pela Marta me acompanhar. Já estou grato a ela por ter entrado na minha vida e por me apoiar de forma brutal em tudo o que faço, mas este foi mais um pequeno exemplo da forma como já não consigo passar sem a sua presença e companhia. Sou uma pessoa diferente e se tivesse sozinho, provavelmente não arranjaria uma desculpa qualquer para faltar ao jantar - tal como arranjei em ocasiões anteriores - mas de certeza de que entraria em sofrimento por antecipação, por estar com pessoas que não conheço, num ambiente estranho. Mas com a Marta, tudo fica mais fácil. De tal forma que eu poderia andar sobre brasas descalço que nem me aperceberia de tal. Outra coisa foi ter a percepção de que esta fase que estou a atravessar, esta luta interior entre perceber qual o meu lugar no mundo e perceber se o meu propósito de vida passa por fazer aquilo que amo ou por amar aquilo que faço é uma luta que muitos travam dentro de si, e à sua maneira, com as suas condicionantes. Ouvir-me a falar do problema, sem o prever, foi quase terapêutico. Estou grato pelo trabalho que tenho, estou grato pelo conhecimento que adquiri, pela experiência, pelas pessoas, pelo o que me permitiu aprender e para onde me levou. Estou grato. E por amor a mim mesmo, o meu tempo lá já findou e agora estou pronto para receber coisas novas do universo. Estou pronto para desenvolver novos projectos, para encontrar novas formas de ganhar a vida. Estou pronto para ainda poder dar mais de mim, de uma forma mais pura, mais comprometida, mais profunda.

O que anteriormente seria encarado como uma noite perdida, longe do meu mundinho, acabou por ser algo que o tornou mais claro e nítido. Serviu para me acalmar, abriu-me portas e abriu-me horizontes. Sempre com a Marta ao meu lado. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

25-11-2014

Uma coisa que tenho reparado, desde que tive a percepção de onde estava o meu verdadeiro inimigo, é a quantidade de vezes que me vêm coisas à mente, lembranças, do passado onde fiz algo que considero errado. Coisas que fiz às outras pessoas, momentos onde estive menos bem. Não é raro também interrogar-me se as pessoas a quem fiz essas coisas ou pelo menos as presenciaram, se ainda se recordam ou dão a importância que eu dei a tais eventos. Dei e infelizmente dou. Como é que eu posso não querer perder energia quando sou assaltado por estas coisas que ainda não consegui ir. Coisas tão distantes como aquelas que aconteceram vinte anos atrás ou mais. Quando me dizem que tenho que aceitar, que devo deixar ir, por vezes sinto-me perplexo. Sinto-me desarmado. Como deixar ir algo que me envergonha e pela qual me sinto responsável? Bastaria ter alguém ao meu lado a dizer-me que não tem importância? Não... é algo interno. Tenho que ter alguém dentro de mim a dizer que não tem importância e esse alguém é sempre quem me aponta e atira as coisas à cara. 

Trabalho para o futuro, cada vez que surgir algo assim, vou dizer para mim mesmo, fiz o melhor que sabia e aprendi com o que fiz. Já estou por tudo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

24-11-2014

Parece que passou uma vida inteira, desde a última vez que vim aqui. Muitas revelações, muitos desafios. Tanta coisa que eu nem sei por onde começar. Talvez dizer apenas em traços gerais o que mudou. A maior coisa que mudou foi mesmo a forma como encaro o trabalho. De um momento para o outro comecei a ficar desgastado, consumido e enquanto isto aconteceu, o que senti foi que me estava a consumir, totalmente inconformado com o facto de ainda estar a trabalhar onde estou e sem conseguir com esse facto, o que contribuiu a que me sentisse cada vez mais preso. Muitas coisas aconteceram entretanto e aquilo que sei hoje é que em grande parte, o grande inimigo que enfrento está dentro de mim e talvez por isso tenha ficado em silêncio. O que se passou sete anos atrás foi eu ter dado liberdade a esse inimigo interior e o seu poder materializou-se neste diário, de tal forma que as suas palavras ganharam vida, tornaram-se contagiosas. Não quero e não vou passar pelo mesmo e como tal, esta pausa serviu para me conhecer muito a mim próprio e das coisas que faço sem me apercebendo. Sempre procurei uma causa exterior para os meus problemas e acredito que até possam ter existido influências externas que me tenham afectado, mas a causa principal sempre esteve dentro de mim. 

Este dia serve então para mostrar que estou pronto, estou pronto para combater esse inimigo interior que sou eu, o meu ego. E para fazê-lo vou usar aquilo que ele mais teme, o amor.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

29/09/2014

Todo este tempo que procurei por alguém, que lutei por alguém, por teimosia, por carência, seja o que for, valeu a pena. Só assim posso dar valor a ter alguém como a Marta ao meu lado. Alguém que está sempre comigo, que apesar do seu cansaço, nunca lhe faltam forças para acarinhar e mimar. Valeu a pena tantas tampas, sofrimento, desilusões para saber que para o amor mais forte que alguma vez senti não precisei de nada disso, não precisei de nada. Não fazer nada. Apenas ser. Apenas deixar acontecer, deixar ir.

Tem sido o meu lema nos últimos tempos, por ter consciência das resistências que construí, principalmente desde que a coelhinha morreu. Quem diria que alguém tão insensível ou supostamente insensível aos animais pudesse ficar tão abalado pela morte de um, principalmente em tão pouco tempo que estivemos juntos, mas que pelos vistos foi suficiente para criar uma ligação. Fiquei sem vontade de sair da minha zona de conforto, apático, apenas querendo ficar no meu canto, sem querer ver ninguém, tendo pela primeira vez alguém que deixo se aproximar de mim o suficiente para ficar ao meu lado. Como se fosse eu e a Marta e o mundo, em pólos diferentes, sem que exista uma vontade da minha parte de haver uma aproximação. 

Ontem foi a apresentação no novo espaço onde vou trabalhar e foi mais um dos pontos em que eu estava com resistência. Apesar de não ser algo em que estaria em evidência, ia conhecer novas pessoas, socializar e estar fora da minha zona de conforto e tal… E mais uma vez, a Marta foi fundamental tanto antes, quando lhe disse muitas vezes que não queria ir, assim como durante, quando estava lá, sendo sempre um forte pilar durante toda a tarde. E como já aconteceu no passado, com esta etapa ultrapassada, fiquei com vontade de ultrapassar as próximas. Cada vez me convenço mais que o meu problema são os intervalos. Se fosse tudo seguido provavelmente nem teria tempo para pensar embora saiba que também se for tudo seguido, facilmente entro em saturação. Como a Catarina já me disse, não deve ser fácil para quem está lá em cima a olhar para mim dar-me aquilo que quero para ficar satisfeito… e pensando bem, talvez seja fácil, o difícil será eu estar em sintonia comigo próprio para o aceitar.

domingo, 28 de setembro de 2014

20-09-2014

A ligação que tenho com os animais pelos vistos está a despertar, apesar de eu não lhe dar importância. Uns dias atrás pareceu-me que o nosso hamster não estava bem ou que pelo menos estava a agir de forma estranha. Imediatamente disse a mim próprio que estava a imaginar coisas e segui em frente. No dia seguinte, assim que entrei no quarto dos animais, tive o instinto de ver o hamster. Conforme abri a gaiola, e bati suavemente onde ele costuma estar sem ter nenhuma reacção, pensei imediatamente que tinha morrido. Levantei o plástico para confirmar que as minhas suspeitas eram reais. O impacto não foi o mesmo que tive com a Gobinha mas não deixei de ficar chateado comigo mesmo por não ter feito nada, por não ter confiado no meu instinto e isso leva-me a uma questão que sempre foi fulcral em mim e que pelos vistos continua a ser:

Confiar no meu instinto.

Continuo a duvidar das sensações, das vontades, do responder algo e não calar por ter receio de não ser o certo. De querer fazer algo e congelar por não querer chamar a atenção das outras pessoas. O problema não é eu não fazer nada, não é o calar-me. É o continuar a ter medo daquilo que as pessoas possam fazer ou dizer em consequência de uma atitude menos correcta da minha parte. É não me permitir a errar devido ao que os erros no passado me trouxeram e à minha descrença na capacidade para lidar com eles da forma como acredito ser a correcta. É o não agir, o não fazer nada para que não possa ser acusado de errar. Hoje em dia eu sei que é melhor agir, que é melhor fazer algo, tendo consciência e responsabilidade, mas mesmo assim agindo. Até mesmo agindo ao não fazer nada seria melhor. Agir por bloqueio de medos é algo que ainda me causa confusão principalmente por me fazer sentir impotente, já que é automático, totalmente fora do meu controle, ou pelo menos, surgindo sempre em alturas em que estou distraído o suficiente com outras coisas para que possa decidir o contrário.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

19-09-2014

Hoje descobri que fiz uma burrada de todo o tamanho no trabalho. Fiquei fulo comigo mesmo. Dei razão às vezes que não tive iniciativa por questões de insegurança porque são momentos como o que tive antes de ir de férias, em que tive uma iniciativa inexplicável, julgando que estava a fazer bem e descobrindo mais tarde que era uma burrada de todo o tamanho. Sei que na altura julgava que estava a fazer o correcto, que não foi loucura momentânea: eu estava mesmo convencido que estava a fazer o correcto. A minha pessoa de hoje amaldiçoou a pessoa de há quinze dias atrás, não conseguindo justificar as suas acções e não tendo mais nenhuma explicação além da loucura ou estupidez momentânea embora saiba de que a primeira é improvável e que a segunda não é explicação satisfatória. Não agora, não neste momento. Tenho alguma resistência em falar disto com a Marta, porque sei o que é que ela vai responder e sei que ela vai ter razão. Eu sei que não há nada que possa fazer agora e eu sei serve como aprendizagem, mas eu sinto-me como se estivesse no décimo segundo ano, depois de descobrir que tinha confundido o “e” com “i” depois de acabar uma prova de português.

Estou danado comigo mesmo como sempre fico quando me confrontam com os meus erros básicos. Nisso ainda não mudei. Não sei se vai acontecer até que fique em paz com os meus erros – embora o ficar em paz fique muito próximo da desresponsabilização. Espero que não, embora saiba que amanhã isto não vai ter tanto peso como tem hoje. Independentemente como isso me deixa irresponsável ou não, gostava de retirar o que tenho a retirar dos meus momentos menos brilhantes e seguir em frente sem olhar para trás. É só o que quero.

16-09-2014

Tenho tanta coisa para dizer que temo que com o atraso as coisas se atropelem e algumas fiquem esquecidas. Com a morte da Gobinha, o Juca, o nosso coelho, andava literalmente a morrer aos poucos. A tristeza dele era sentida por mim e pela Marta, mas eu particularmente tive alguma dificuldade em lidar com ela. Andava sempre de volta dele, para ver se o conseguia espevitar mas ele acabava sempre por ficar nos cantos onde a gobinha ficava. Foi essa a grande razão para que começássemos à procura de uma coelha e não foi preciso procurar muito. A Marta perguntou a uma colega que falou com o veterinário da sua zona e teve logo uma pessoa a oferecer uma coelha para adopção. E foi amor à primeira vista, tanto por parte da Marta como meu. Super dócil, a Bunny – baptizada por nós – conseguiu trazer logo o Juca para o mundo dos vivos. O poder que o sexo feminino tem sobre o masculino e ainda bem, ao menos assim, já o vemos mais energético e animado. E esse efeito também se prolongou a mim. Sei que a Marta e até os meus pais já estavam a ficar preocupados comigo e também sei que não havia nada que pudessem fazer, o que também acaba por me irritar e fazer sentir culpado por estar desta forma. Seja como for, foi uma aprendizagem valorosa já que deu para ver e sobretudo sentir, como eu estou em relação aos animais. Que apesar de nesta vida não terem sido muito importantes para mim, que existe, ou existiu, uma ligação muito forte entre mim e os animais, provavelmente de vidas passadas. E nestes dias pós a sua morte, tanto eu como a Marta sentimos a sua presença entre nós. Houve até uma noite em que me levantei sobressaltado porque poderia jurar que ela tinha passado por mim. A primeira vez que senti algo que não físico junto a mim foi um animal e isso já deve dizer um pouco da ligação que tenho com eles, e da qual eu desconhecia por completo existir.

15-09-2014

Poderia dizer-se que a razão da minha ausência por estas páginas se devem-se a finalmente as coisas estarem a correr como desejava e como faz parte de mim, eu não teria razão para falar sobre elas. É verdade que só tenho necessidade de falar, partilhar ou exorcizar quando as coisas não me correm bem, quando tenho algo a perturbar-me. Quer dizer, não tenho só necessidade de o fazer assim, obviamente que também quando estou feliz, tenho vontade de partilhar e espalhar essa felicidade. No entanto, escrever num sítio tão pessoal como este onde sei que ninguém vai ler, poderia perder o sentido. É apenas mais uma coisa onde verifico que muita  coisa mudou em mim quando à superfície eu pareço imutável. A questão é que há realmente muito a contar, muito a partilhar e até exorcizar e que as coisas, apesar de não poder dizer que estão a correr mal, não estão propriamente tranquilas. Não como eu gostaria, mas julgo que também será difícil de chegar a esse ponto porque a minha noção de tranquilidade passa pela calma e estagnação e não acredito que possa evoluir através da calma e estagnação. Provavelmente o não acreditar nisso é a principal razão de não a ter.

É confuso e tudo se torna uma armadilha. O que queremos, o que julgamos querer e depois o que temos nos momentos mais inoportunos.

O que é que nós queremos? O que é que nós realmente queremos? E será que o queremos mesmo? Será que os desejos lançados para o Universo, no conforto e no calor do nosso lar são aqueles que vamos acolher fora dele, quando estivermos fora da nossa zona de conforto? Será que esses desejos, lançados para o ar no ambiente seguro, e que nos empurram para fora dele, são enganadores, quando nos seduzem em momentos em que julgamos ser invencíveis.

Não somos. E eu, desde que nossa coelhinha morreu, apetece-me fugir de tudo e de todos. Dos amigos, dos conhecidos, das terapias, da evolução. Apenas ficar com a Marta, no nosso casulo e ficar à parte do mundo. E este voltar à realidade ou pelo menos à realidade fora do casulo não tem sido fácil. Nesse aspecto o voltar ao trabalho ajudou-me e pressionar ainda mais o estado de estagnação no qual mergulhei. Ajudou mas não mudou porque continuo a querer fugir.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

09-09-2014

Não sei o que tenho. Estes últimos dias depois da coelha morrer sinto-me a definhar também. Tal como o nosso coelho. Ele que era bastante activo, agora passa os dias encostado a um canto, apenas preocupado em mudar de posição e em comer. Mas a sua letargia acho que me está a contagiar. Não vou com isto dizer que a culpa é dele, tal como antes apontei o dedo a culpados à minha volta, uns visíveis, outros invisíveis. Não quero repetir os erros do passado nem usar este diário como usei antes, como uma forma de expelir negatividades, pensando que as estou a exorcisar quando no fundo o que estou a fazer é ajudar a que elas se prolonguem, que a sua vida seja celebrada. No entanto não consigo deixar de evitar de ser sincero e dizer que não me sinto bem. Sinto-me tal como o coelho, apático, sem energia. Esta manhã fiz reiki, já não o fazia há duas semanas, e estava na esperança de que isso se alterasse, mas no fundo eu sabia de que o problema não é a falta de energia. É uma consequência e não uma causa. O problema é eu ter algo a sugar-me a energia. Seja tristeza pela morte da coelha, seja apatia e resistência em relação à vida em geral. É incrível não é? Repórter, escritor, terapeuta de reiki e massagem ayurvédica e prestes a ser de leitura de aura e mesmo assim ainda me deixo contagiar pela apatia, não querer fazer nada do que faço, não querer fazer nada de nada, apenas ficar encostado no meu canto. Como o coelho. Ficar encostado num canto e fechar os olhos, não querendo saber se é dia ou noite, se há vida lá fora ou não. Não interessa. E eu sei que isto não é saudável, que isto não é meu, não pode ser meu. No entanto também sei que tudo é cíclico e que não devo ter resistências, apenas consciência do sítio onde estou. E é nisso que eu estou a falhar redondamente, principalmente por não querer saber. Talvez tenha demasiado tempo livre, mas supostamente é disso que consiste as férias, tempo livre para descansar e fazer coisas que normalmente não se faz. Só queria congelar o tempo, porque apesar de tudo, não me apetece voltar ao trabalho. Não me apetece sair de casa. Apenas hibernar até um novo dia para o qual não me apetece esperar, apenas dormir.

Eu sou superior a isto, eu vou vencer isto. Talvez não hoje ou amanhã, mas não me vou deixar ir abaixo por algo que nem sei o que é.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

05-09-2014

A vida prega-nos partidas. Há muito tempo que ando para vir escrever as novidades, mas ultimamente começo sempre pelo facto de que a única coisa que tinha para dizer era que era uma obrigação vir cá escrever. A cada dia, a cada momento em que me lembrava dizia para mim mesmo:"tenho que ir escrever no meu diário para dizer como estou a fazer as coisas por esforço, como estou a deixar esses dias para trás." Com a entrada da Marta na minha vida, tudo o resto ficou para trás, a dor do passado, a questão com a Catarina, a questão profissional, de dinheiro. Mostrou-me claramente que os problemas que eu identificava na minha vida eram apenas questões secundárias, que aquilo que eu verdadeiramente procurava na minha vida era mesmo a Marta. Nem era alguém como ela. Era ela. Para este momento da minha vida, ou seja, tive que passar por tudo isto sozinho, para dar valor à companhia dela. E dou valor. O curso da leitura de aura correu excelente, já estamos na recta final e estou orgulhoso do nosso percurso. Sei que ainda temos muito a percorrer mas sinceramente, nunca pensei em chegar aqui. 

Mas, tudo isto... tudo isto são trivialidades.

Hoje a nossa coelha morreu. A Marta veio ter comigo à cama, a chorar e inicialmente nem percebi o que ela estava a dizer. Depois quando percebi, não quis acreditar. Mais uma vez, perante a perda, fiquei dormente. Confortei a Marta, mas nem senti nada. Nem o vazio de a ver esticada, com sangue, de olhos abertos. Nem a rigidez do seu corpo. Os meus pais vinham cá hoje, ajudar aqui com umas obras em casa e eu estava dormente. Só depois da D. me ligar, a perguntar algo por causa de um workshop que ela está a organizar para mim, e eu só dizia que não conseguia, sem conseguir explicar que não tinha forças para pensar naquilo agora. Com vontade de gritar. Mas eu não disse nada. Estava dormente. Quando me deitei na cama do meu quarto, enquanto os meus pais estavam na sala na tarefa que estavam a fazer, sem quase me dar conta, só pensei em como gostava de desaparecer. Não como antes, não de desaparecer, morrer, mas desaparecer para longe, para estar sozinho, para não estar com outras pessoas. Sei mais que isso, sei que a paz que precisamos está em nós e o dia foi suportado razoavelmente bem, sem grandes percalços, embora tenha sentido um cansaço enorme. Acho que grande parte desse cansaço desapareceu quando finalmente chorei nos braços da Marta. Se a estou a ensinar a desapegar do desaparecimento dos animais, ela está a ajudar-me, a ensinar-me a lidar com a perda. Algo que sempre me recusei a fazer. Por vezes aquilo que recusamos no presente, aparece-nos de forma que não conseguimos recusar no futuro. Apesar da dor da perda, sinto-me abençoado por esta aprendizagem e ainda mais abençoado por ter a Marta do meu lado.


domingo, 17 de agosto de 2014

12-08-2014

Sentimento estranho o de hoje. A minha mãe fez hoje anos e sempre foi um momento em que passámos juntos. Foi o primeiro aniversário desde que saí de casa e foi uma sensação estranha. Sou um homem de hábitos e de resistência à mudança desses mesmos hábitos e a cada mudança, surge um período de habituação que é sempre algo longo e camuflado. Nunca sei quando acaba mas quando penso que já acabou é porque ainda não começou sequer. Acho que foi a primeira vez em que me bateu não viver com os meus pais. Compramos-lhe uma prenda, um tablet.A ideia era ela ficar feliz, embora soubesse que pudesse haver alguma resistência da parte dela - infelizmente existe a tendência em colocar-se no final da fila no que diz respeito a receber miminhos, uma tendência irritável que herdei e perante a qual ainda me debato entretanto. Ela gostou da prenda e até foi uma reacção muito positivo. Acho que as saudades e a felicidade de estar presente era tão grande que até lhe poderia oferecer um caroço de maçã embrulhado num papel que ela gostaria na mesma. Infelizmente o tablet estava avariado e eu fiquei triste. Sei que não foi por acaso que o tablet ficou avariado. Simbolizava a minha intenção de a mimar, mas foi uma forma da vida me mostrar, mais uma vez, que não preciso de gastar dinheiro para mimar a minha mãe ou qualquer outra pessoa que me ame incondicionalmente. A verdadeira prenda foi a minha presença e o meu amor. E eu sei disso. E sabia, mesmo que inconscientemente. Por isso não deixei de sentir um certo vazio quando me fui embora. Pela primeira vez, desde que me mudei, quase dois meses atrás, senti um vazio de deixar um pedaço de mim para trás. E não se trata da casa, mas das pessoas que habitam nela. Elas vão estar sempre comigo, para onde quer que vá, mas as armadilhas do ego humano ainda me são traiçoeiras. De vez em quando ainda dou por mim a pensar que não sou suficiente e que tenho que dar alguma coisa para compensar a minha ausência. Outras, fico-me só pela melancolia, de saber que vou navegando de porto em porto e que de vez em quando... de vez em quando regresso a casa. Se dizem que casa é onde o coração está, eu posso dizer que tenho muitas casas, porque o meu coração está com as pessoas que amo.

11-08-2014

Cada vez mais tenho a sensação de que o tempo voa. Cada vez tenho mais a sensação de que não importa antecipar o quer que seja, porque é tudo um momento no tempo. É tudo efémero. Tudo menos o agora que é eterno. O presente. A única coisa que a maior parte das vezes, a maior parte de nós ignoramos. Depois de uma série de dias em Vagos, no festival de música pesada onde já vou pelo terceiro ano consecutivo, é impossível para mim não olhar para trás. Não olhar para trás e ver que o ano passado, quando estive sozinho, longe das pessoas com quem fui ao festival, estava rodeado de mulheres bonitas e atraentes, com quem disse para mim mesmo que gostava de ter uma namorada com quem pudesse partilhar um evento do género. Um pensamento recorrente, um pensamento que acabava por descartar, talvez por receio das expectativas, por receio de ser chamado tolo por mim próprio, um pensamento que apesar de ser aquilo que desejava, era símbolo de uma ingenuidade e de um querer que durante toda uma vida me convenci, ou me convenceram (ou me deixei convencer) que era uma fantasia infantil. Um ano depois, partilho a música que gosto com a mulher da minha vida. Acho que não deveria ter medo de sonhar, acho que nenhum de nós deveria ter medo de sonhar mas é o estado em que nos colocaram. Com medo de sonhar, de voar alto. Aprendemos a nos conformar com as expectativas baixas de uma vida medíocre apenas porque é mais fácil suportar as desilusões se não pensarmos naquilo que desejamos. Claro que isso leva a toda uma outra questão, que é a de sabermos o que realmente queremos. A entrada da Marta na minha vida foi a maior prova de que eu precisaria de como temos aquilo que pedimos. O problema é que na maior parte das vezes não pedimos o que queremos por auto-censura ou por um sentimento idiota de querer andar com os pés no chão, sentimento imposto pela sociedade. Fomos feitos para voar. 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

05-08-2014

Agora ando numa fase de dormir mal, mas nem se trata propriamente de dificuldades em adormecer. Embora não adormeça imediatamente, não é algo que me angustie, acaba por acontecer. É mais com a posição. Ando com a mania parva de ficar a dormir sobre o meu braço esquerdo e depois acordar não sei quantas vezes durante a noite para mudar de posição. O que é parvo porque anteriormente nunca dormi assim. Tenho a impressão de que foi algo que veio do campismo, o que é ainda mais parvo já que uma semana de maus hábitos não deveriam ter ficado. Considerando que na quinta vou para outro festival, talvez seja a indicação de que a coisa não vai melhorar para já. A Marta também não teve uma noite descansada. Estava a sonhar que estava a ser perseguida por uma entidade… uma entidade que pelo o que ela já me contou a persegue há muito tempo. Nunca escrevi nada sobre isso aqui porque sempre tive receio de que ao fazê-lo a estivesse a dar poder. Não sei se é o problema do diário ou se o problema é meu, de focar nas coisas e dar-lhes poder. Se tivesse a capacidade de me focar nas coisas boas como nas coisas más, acho que teria ainda mais abundância do que aquela que tenho actualmente – pela qual me sinto extremamente grato. Por isso e voltando atrás, a única coisa que queria era fazê-la sentir mais segura, mas parece que neste momento algo me está a fazer afastar dela, pelo menos quando estamos na cama. Se fosse algo consciente, seria simples de corrigir. Sendo algo que acontece quando estou praticamente inconsciente… será feito na mesma. Não é impossível, eu é que ainda não descobri como o fazer. Trabalho em progresso.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

04-08-2014

Esta segunda-feira foi cansativa, mas bem melhor que o final da semana passada em que estive sozinho e a cargo de todas as tarefas. Quando a equipa está toda reunida, o trabalho flui, realmente flui, quando falha um, o stress bate-me à porta.Apesar deste cansaço, disse a mim mesmo que iria praticar a leitura de aura assim que chegasse a casa. Ao falar disto com a Catarina, ela disse-me algo como "é algo que só tu podes ver, organizar-te" e o problema é esse. Continuo a fazer melhor as coisas que me são impostas do que propriamente aquelas que me decido a fazer. Também tenho que ser sincero em dizer que há excepções e que o fazer melhor as coisas não quer dizer que as encare de melhor forma, o que leva à questão principal, não é? O que é que é mais importante, fazer algo de livre vontade e descontraído - o que implica nem sempre ser feito - ou fazer a todo o custo? Quanto ao curso, passaram três ou quatro semanas e eu nem reparei, o tempo voou de tal forma que tivemos que pedir à Catarina um adiamento do curso, porque eu simplesmente não peguei em nada. E é algo que me preocupou. É algo que me faz sentir que estou a remar contra a maré, quando sinto, e já senti de maneira mais forte, admito, que isto faz parte da minha evolução espiritual. Ou será apenas teimosia minha? Seja como for, se eu visse as coisas como a Marta e Catarina vêem, seria se calhar mais fácil para me motivar, mas o problema é esse, não é...? Continuar a procurar por aquilo que está exterior a mim e renegar o que vem naturalmente por não estar de acordo com as minhas expectativas. Se calhar o curso serve para isso mesmo e se ajudar nesse ponto, mesmo não sendo o que estava intencionado, vai valer mesmo a pena.

domingo, 3 de agosto de 2014

03-08-2014

Já passou tanto tempo desde a última vez que escrevi nas páginas deste diário que até me interroguei se faz algum sentido fazê-lo. Fui de férias para Sines, correu tudo lindamente onde, apesar de à primeira vista não parecer, cresci muito principalmente quando numa ou duas ocasiões ou até mais que isso se for a pensar nisso, em que as coisas não ocorreram como planeado. Aliás, todas as expectativas em relação a esta viagem... hum... é errado dizer isto... se calhar é melhor dizer algo como... aconteceu tudo de forma diferente daquela que eu esperava, excepto pelo facto em que a minha relação com a Marta saiu reforçado e partilhámos muitos momentos bons. Engraçado como uns meses atrás esta viagem tinha como propósito, além de ser a forma de eu partilhar experiências (e esta era uma que eu queria mesmo partilhar) seria para ver como nós nos davámos uns dias sozinhos. Quem poderia prever que antes disso já estaríamos a viver juntos?

Sines e quando voltei, uma semana com o meu sobrinho. A minha relação com ele é estranha, sendo uma proto-relação pai-filho que já me assustou mais mas de vez em quando ainda volta. Ele vê-me como um exemplo, uma espécie de pai, enquanto eu vejo-o como o desafio potencial que terei com um filho, a responsabilidade de não ter paciência, de estar cansado e de ser desafiado constantemente. Foi mais uma semana disso.

Foram duas ou três semanas de desafios, grandes e pequenos. Uma coisa engraçada é que sempre que comecei a escrever neste diário, desde o início, antes mesmo de ser um diário, foi sempre uma questão de libertação. Comecei a escrever no dia em que a Susana acabou comigo. Escrevi muito, escrevi muitas coisas que ainda são válidas, e muitas outras, frutas de dor, que não fazem o menor sentido na pessoa que sou hoje. Libertei muita coisa, muitos demónios, aprendi muito e foi uma ferramenta útil, tanto para a minha queda, como para a minha evolução. O facto de não me ter lembrado nestas duas semanas ou três, nem sei, quer dizer algo. Talvez a vontade de usar a muleta ou o medo de cair seja tão grande que cause a resistência de colocar a muleta de lado, mas se tiver distraído com outra coisa o tempo suficiente para me esquecer dela, consigo andar sozinho.

Ando decidido a colocar muitas muletas de lado e conhecendo-me bem, sei que tenho muitas e que tenho enorme resistência, mas neste momento estou cansado de muletas que se tornam cruzes. Acho que não preciso nem de umas ou de outras.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

15-07-2014

Hoje tive uma das conversas mais francas de sempre com a Marta. Tudo começou por acaso - já lá vamos - e acabámos a falar de receios nossos, daquilo que temos medo, daquilo que nos é desconfortável. De certa forma, sempre foi uma conversa que evitei. Não por receio pela reacção dela mas por hábito de não falar o que sinto, hábito de me manter calado. Sim, admito, um hábito de medo, que se enraizou. Um hábito de não gostar de conflitos, por de alguma forma, saber, que não serei eu a agir num conflito. Serei sempre uma versão diminuta de mim a reagir num conflito. Apesar de todas estas coisas enraizadas, falei daquilo que sentia. Apesar de um certo receio que acho que a Marta tem, ela também falou. Eu não quero impor nada, não quero que a mulher da minha vida se sinta obrigada a ser quem é para me agradar, não quero ter esse peso sobre mim. Não quero viver numa ilusão, apenas para descobrir daqui a dois anos e meio de que o sonho acabou. Eu sei que nada dura para sempre e eu estou em paz com isso, mas enquanto dura, quero que seja real. E depois da conversa que tive com a Marta, os meus receios foram afastados, pelo menos por enquanto. Senti verdadeiramente que o ela aparecer na minha vida, alguém assim tão perfeito, alguém tão de acordo com aquilo que tinha pedido, durante muito tempo, muitas vezes, não é uma ilusão que construí, não é uma ilusão que me foi oferecida. É real. É real vinte e quatro horas por dia. Implica mudanças, mais ténues do que supunha e implica eu ser eu próprio, sem máscaras. Algo que definitivamente não estou habituado. Poderá parecer mais fácil que parece, ter alguém que te aceita tal como tu és, mas a verdade é que, é difícil, difícil que isso não nos suba à cabeça, difícil não ficar viciado nisso, difícil não querer abusar desse pesadelo. Quer dizer... ainda não senti essa dificuldade, mas a tentação... poder corrompe, poder absoluto corrompe absolutamente.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

14-07-2014

Hoje acordei com a neura. Dormi pessimamente e acordei com a neura. Uma neura descomunal que me acompanhou durante todo o dia. A Marta notou isso. A Catarina também. Na verdade, eu não tinha nada para responder às suas perguntas. Eu não sei o que é ou pelo menos não sabia, agora se calhar já desconfio. A minha incapacidade de aceitar de que não consigo controlar tudo, não consigo controlar todos os eventos todas as coisas grandes, todas as coisas pequenas. Acontece o que tem de acontecer e apesar de tudo o que vivi, apesar de tudo o que já aprendi, ainda não consigo aceitar isso. Aceitar de forma completa e ficar em paz com isso. O reconhecer já me deve dar algum avanço mas esta sensação de resistência está a incomodar-me. Tenho que me tornar mais solto, tornar mais livre, mais leve, largar este peso que carrego em cima. A questão é que neste momento não consigo distinguir o que é peso ou o que sou eu. Não sei o que largar para trás e admitamos que largar coisas pelo caminho nunca foi a minha especialidade e quando o fiz foi porque as coisas me largaram a mim ou porque me forçaram a fazê-lo. Ou seja, a vida encarregou-se de colocar uma parede à minha frente a cada momento em que eu precisei de bater com a cabeça na parede para acordar. Se calhar é disso que eu estou resistente, de mais uma parede que me force a largar mais qualquer coisa da qual não me apetece prescindir neste momento, mas agora, aquilo que tenho que largar é mesmo a resistência.

13-07-2014

Finalmente, um dia em que não fiz mais nada se não estar em casa com o meu amor. Sem obrigações, sem interrupções. E é um dia como estes que me mostra como eu sou retraído, inconformado ou qualquer outro adjectivo de que agora não me recorde. Apesar de ter este dia que já ansiava há já algum tempo, e ansiava por ter a necessidade de parar um pouco e não ter algo para fazer, no final do mesmo (ou seja, agora) não me deixei de sentir culpado. Culpado porque o devia aproveitar da melhor forma, por sentir que devia ter pegado na Marta e levá-la à praia ou qualquer lado. E receoso por ser uma indicação de um futuro provável. Todo o dia em casa. Se nem eu aguento isso (mesmo que o faça), como é que alguém poderá aguentar? Mesmo que esse alguém me ame incondicionalmente como a Marta. Mesmo que ela me conte ligações de alma como esta que teve uns dias atrás em que estávamos no sítio secreto, sentados na relva abraçados. Eu estava com um livro de poesias de amor e estava a declamar-lhe uma quando nisto ela vê um coração vermelho tridimensional por cima das páginas do livro. De repente surgiram várias figuras vestidas de branco com uma luz intensa. Deram as mãos e fizeram uma roda à nossa volta. Estavam bastante alegres parecia uma festa ou comemoração algo do género. Depois juntaram os nossos pulsos. O seu pulso direito com o meu esquerdo e fizeram um laço com uma fita branca. Entretanto, ela adormeceu e não se lembro de mais nada. Nitidamente por estarmos juntos.

Eu não quero estragar isto.

domingo, 13 de julho de 2014

12-07-2014

Um dia sem fazer nada. Já sentia falta disto. Apesar de não ter sido propriamente destituído de tarefas, acho que isso me seria impossível, foi sem compromissos exteriores, sem coisas que tenho que fazer ou... quer dizer, fui jantar à casa dos meus pais, mas tal nem soou a tal, a compromisso ou obrigação. Foi um bom dia, correu mais ou menos planeado e mesmo assim no seu final não deixei de sentir um certo vazio. A poeira está a assentar, aos poucos, os efeitos colaterais das mudanças vão desaparecendo e ficará tudo aquilo que realmente é. Acho que de certa forma, tenho receio daquilo que realmente é. Seja o que for. Como se no meu íntimo pensasse que... está tudo a correr bem demais e como tal estivesse à espera de uma desgraça qualquer. Tenho que confiar que, independentemente do que acontecer no futuro, bom ou mão, será sempre algo que atravessarei e que vou continuar. Provavelmente é nervosismo pelos próximos desafios, ir à entrevista a mais um espaço em Lisboa, ir para o Festival de Músicas do Mundo de Sines.

Basicamente para eu ser um homem feliz, não posso ter compromissos na agenda, mas também quando isso acontece penso que não acontece nada. Enfim...

sábado, 12 de julho de 2014

11-07-2014

Ontem quando nos deitámos, a Marta sentiu novamente a luz branca do Arcanjo Gabriel nas costas dela. Não sei o que significou a ausência dos dois dias, mas talvez tenha sido para nos fazer ter uma atitude, de tentar ajudar, embora me pareça que as razões para certas coisas vão-nos parecer sempre misteriosas. Nesse aspecto a minha curiosidade é bem mais calma do que aquilo que era, já não me oprime não saber ou não perceber o propósito de tudo o que me acontece, principalmente de coisas ligadas ao... sobrenatural, chamemos-lhe assim.

Agora noutro assunto... o Nando ligou-me a convidar para ir ao cinema. Na verdade não me apetecia muito, mas havendo um filme que motivasse a ida, até era capaz de ir mas antes disso a minha mente começou logo à procura de saídas como um animal num canto encurralado. Desculpas. Dinheiro, filmes que não interessam, tudo menos dizer a verdade que era simplesmente não me apetecer. Não só para não ferir os sentimentos dele mas principalmente por não querer admitir que não me apetecia sair. No passado critiquei alguns amigos por mudarem quase de personalidade, por deixarem de falar. Lembro-me que o fiz principalmente com o Pedro, quando ele andava com aquela rapariga que o desgraçou. Depois disso também senti que ele só falava comigo quando precisava. Não quero ser essa pessoa, que só tem os amigos quando não tem namorada, que só procura as pessoas quando precisa. Mas também não quero ser quem está com as pessoas por frete. Eu sou anti-social, raramente quero sair de casa. Não sei se é de nascença ou se foi quem me tornei, mas dificilmente consigo deixar o conforto onde estou para ir a um sítio qualquer apenas por querer ir a um sítio qualquer. É perigoso também para a minha relação com a Marta porque ninguém é tão caseiro quanto eu e as mesmas rotinas acabam por enjoar... Os últimos tempos têm sido movimentados, mudei de casa, mudei de vida e ainda estou a ver se vejo a poeira a assentar. Estou a tentar parar o meu mundo. Temos sempre aquilo que queremos e eu sei isso melhor que ninguém. O Universo dá-nos o que pedimos quando os factores certos estão conjugados. O trabalho relacionado com as terapias abrandou porque eu precisava que abrandasse. Eu preciso que seja uma coisa de cada vez, aquilo que preciso nem sempre é aquilo que realmente preciso. Aquilo que preciso muitas das vezes é aquilo que eu quero e o que eu quero não é aquilo que me serve.

Eu sei que não me vou tornar nessa pessoa, sei que posso escorregar de vez em quando, fazer erros, passos atrás, mas eu não me vou tornar nessa pessoa. Falei com a Marta e vou convidar o Nando a vir cá para que a conheça e conheça os animais. Eu não me vou tornar nessa pessoa.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

10-07-2014

Hoje passei o dia todo a pensar em fazermos uma leitura de aura. Quando partilhei as minhas intenções com a Marta e com a Catarina em alturas diferentes do dia, elas também pensaram no mesmo. Na verdade, e agora pensando bem, não fui eu que partilhei as minhas intenções, foram elas que me falaram da ideia, embora eu já andasse a pensar nelas há uns tempos. Não interessa, o que interessa é que estranhamente ou não, estávamos todos a pensar no mesmo. Ambas disseram-me de forma diferente também algo que eu já sentia, de que a mulher de preto não nos quer mal mas que quer ou precisa de falar e enquanto não o fizer não se vai embora. Foi a sensação que tive quando acabámos de limpar a casa ontem, pensamento que tentei sacudir. 

Quando cheguei a casa fomos imediatamente para a meditação das rosas. Foi a primeira vez que a fizemos lado a lado sem a presença da Catarina e até correu bem. Tentei concentrar-me ao máximo para ver o quer que seja, sem concentrar-me em nada. Quer dizer, tentei fazer o mesmo da última vez, concentrar-me na rosa, e deixar-me ir. Não sei se foi por causa da pressão - que pelos vistos continua a ser o meu maior inimigo - não vi nada. Não nego que fiquei desiludido. Esperei que a Marta acabasse, com algum receio que ela também não tivesse visto nada, mas assim que ela abriu os olhos e me disse: "beeeem, que história...". E então ela contou-me a história da mulher de preto. Viu imagens da mulher a morar num palacete perto daqui, viu o seu marido, um homem com uma cartola, vestido a rigor. Viu uma carroça, cavalos e um acidente. Viu a mulher mais a filha. E foi nesta altura que a mulher de preto lhe disse que ela era muito parecida com a sua filha, embora depois fosse alternando com a afirmação de que era ela a sua filha. A mulher deu algo à filha que acabou por resultar na sua morte. Algo que a Marta sabe que foi um acidente, que não foi propositado, mas a mulher só pedia desculpas, só pedia para a perdoar. A Marta beijou-a na face e disse que ela estava perdoada. Depois chamou por dois guias para a levar para a luz, imaginando a mesma não muito distante e uma estrada até lá. Depois disse-me que os guias eram o Arcanjo Miguel e Gabriel. A mulher de preto ainda olhou para trás a pedir uma confirmação para a o perdão, pedido que foi atendido. E ela foi em paz e sentimos isso mesmo, sentimos mais leveza na casa.

Ah e na noite anterior, a Marta teve uma visão quando estávamos a dormir. Quer dizer, ela não sabe se foi sonho ou se foi algo que estava realmente a ver. De qualquer forma, viu o meu espírito a abandonar o corpo e a ir para o dela, com as mãos tocando-lhe, com que a curar, como que a proteger o corpo físico e etérico dela. Não me recordo rigorosamente de nada e é uma daquelas ocasiões em que eu tenho quase a certeza de que os meus maiores trabalhos e feitos são aqueles que partem e se passam no meu inconsciente. Não digo isto de forma negativa, mas é como se eu em espírito fosse tudo aquilo que desejava ser, a nível de protecção espiritual das pessoas que gosto.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

09-07-2014

Hoje quando cheguei a casa, vinha decidido a fazer uma limpeza à casa para expulsar todos os espíritos, tudo o que não fosse daqui. Por um lado, tinha a vontade de encaminhar para a luz, tal como já o fiz algumas vezes no passado, com Reiki, mas por outro, apenas queria limpar a casa, sem querer saber de mais nada. Talvez seja um certo cansaço destas histórias, o que, se parar para pensar, acabo por ficar com alguns sentimentos de culpa. De qualquer forma, falei com a Marta e fomos limpar a casa. Eu com o meu reiki e ela a fazer um fumo de limpeza, concentrando-se nos cantos e fazendo rezas - por acaso não sei que rezas foram... quando estava na sala, no mesmo sítio onde vi a mulher de preto, senti um enorme arrepio. Quando passei pela Marta - ela estava sempre um passo atrás - pedi-lhe para ela se concentrar especialmente no sítio em frente à janela. Quando, depois de acabarmos, lhe perguntei o que é que ela sentiu, ela disse-me que também ficou toda arrepiada. Vamos ver como é esta noite.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

08-07-2014

Uns dias atrás, numa das poucas tentativas para praticar a leitura de aura, fiquei irritado por não conseguir ver a minha rosa. Vi de tudo menos a rosa. Estava no nosso quarto enquanto a Marta estava na sala. Ficámos em salas diferentes, já que a Catarina sugeriu para que não houvessem interferências, mas tal acabou por não adiantar, não para mim pelo menos. Ela conseguiu ver a rosa dela e acabou por ver montes de detalhes enquanto eu já não posso dizer mesmo. Uma das coisas que mais me marcou foi ver na sala uma mulher vestida de preto, com uma espécie de vestido vitoriano ou algo do género, com folhos e rendas. Talvez do século dezanove. A mulher estava de costas e eu acabei por não lhe ver o rosto mas de qualquer forma aquela visão foi o suficiente por me deixar aterrado, provavelmente por me fazer lembrar um filme de terror. Acabei por partilhar isto com a Marta e com a Catarina no dia do curso, já não me recordo se foi no primeiro ou no segundo. E não sei se está relacionado, mas a Marta contou-me que nessa noite sentiu que estava uma luz branca nas costas dela, mesmo quando ela estava de costas e com os olhos fechados, ela sentiu que a luz estava lá. Mais tarde, quando vínhamos para casa dos meus pais, no Domingo, ela disse-me que sentia que as nossas auras estavam à volta do carro, a minha verde e a dela cor de rosa e que atrás do carro estava a luz branca, a mesma do outro dia. Perguntei-lhe se ela conseguia ver de quem era a luz branca e ela respondeu-me, após alguns segundos, que se tratava do Arcanjo Gabriel, que ele nos estava a proteger, tal como naquele dia à noite. Fiquei a pensar se não seria devido à mulher de preto. Hoje, pelo segundo dia seguido e numa altura que até está uma temperatura amena, a Marta sentiu frio, muito frio. Hoje, ou melhor, há pouco mesmo, ela disse-me que era como se tivesse uma brisa ao lado dela, mas as janelas estavam todas fechadas, não havia forma de haver corrente de ar. Amanhã temos que limpar a casa. Sei que tinha dito que o íamos fazer semanalmente, mas Domingo estavamos exaustos... e o tempo é tão curto... Como sempre, quando não temos tempo para algo importante, as coisas colocam-se de forma a que tenhamos de arranjar obrigatoriamente tempo.

07-07-2014

O viver com a Marta era um desafio não só por todas as especificidades da nossa relação, o facto de nos conhecermos à pouco tempo ou de eu nunca ter partilhado a minha vida com outra pessoa, além dos meus pais, claro. Um dos pontos, dos quais ainda não falei, pelo menos acho que ainda não falei, é o facto da Marta ter uma enorme ligação com os animais e de ela ter uma série de animais de estimação. Eu nunca tive animais de estimação, pelo menos, nada além de canários. Estar com animais a tempo inteiro, vai ser uma experiência nova para mim mas mais do que isso, vai ser uma oportunidade para trabalhar todas as minhas questões com os animais. Há um medo irracional que tenho dos animais que acabei por saber há pouco tempo, através da Catarina, que poderá estar relacionado com uma vida passada em que tinha animais, por alturas da idade média, e que não tive hipótese de os manter e senti-me responsável. O meu receio sempre foi de os magoar embora por certas alturas mais pareça o contrário. Talvez tenha medo que os possa magoar se eles me magoarem a mim. Bem, de qualquer forma, se a minha presença na vida da Marta poderá servir para ela ter um certo desapego aos animais, a presença dos animais na minha vida podem servir exactamente para o oposto. 

Isto tudo porque hoje é o dia em que ela finalmente trouxe os animais que tinham ficado na casa de uma amiga dela no Porto e que só agora teve hipótese de os transportar. E se antes eu tinha problemas de tempo, agora é que vou ficar tramado. Assim que eles vieram, consegui logo afeiçoar-me aos coelhos e ao que parece, eles aceitaram-me bem, pelo menos a avaliar pela surpresa da Marta, que disse que normalmente é algo que demora algumas semanas. A impaciência que tive para chegar a casa durante todo o dia foi brutal e acho que não foi só agora por esta mudança, deverá ser algo que se vai repetir nos próximos tempos. Pareço um rapaz pequeno com um novo brinquedo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

06-07-2014

De manhã a Marta não tinha vontade nenhuma para ir para o curso e eu estava conformado por ser um domingo, mais um, em que não posso ficar na ronha. Claro que acabo por nunca ficar na ronha, mas pronto, de qualquer forma tenho saudades desse sentimento de pseudo liberdade. De qualquer forma lá fomos e se a Marta me surpreendeu ontem com a forma como encarou o curso, hoje fiquei totalmente orgulhoso. Quer dizer, poderia ter ficado também comigo, mas eu tive um pequeno problema, além de ter sentido um desgaste enorme durante a tarde, uma das razões a que se deveu esse cansaço foi porque a questão do meu pai veio à baila quando estavamos a ver os chakras de cada um e não sei porquê ou em qual chakra foi, a minha relação de infância com o meu pai surgiu, onde eu falei de que grande parte das minhas inseguranças que tive que desfazer e enfrentar em adulto - tarefa que ainda não acabou - teve como responsável uma fase da minha vida em que me senti encurralado e ao mesmo tempo abandonado pelo meu pai. A Catarina interrompeu-me a certo momento e disse que a minha avó estava ao meu lado a pedir para à Catarina para me dizer a mim que tinha de falar com ele. Eu sei que sim, mas não é algo que queira fazer. Não é algo que planeie fazer. Nos momentos seguintes remite-me ao silêncio, algo que tanto a Marta como a Catarina repararam. Quando ambas me perguntaram se estava bem, a minha vontade era deixar tudo para trás e fugir, tal como tantas vezes tinha sentido no passado, tal como me tinha sentido nessas vezes quando estava encurralado. Sou uma pessoa diferente, mas seria errado pensar que sou mais forte ou mais sábio. Talvez até arrogante pensar que sou mais eu, já que quanto mais crianças somos, mais próximos estamos do nosso verdadeiro eu. Antes da nossa criança interior ser estilhaçada. É assim como vejo esses tempos, os tempos em que a minha criança interior foi estilhaçada e daí parte dos meus problemas de auto-estima. Estou mais em paz com esse passado mas sei que ainda estou longe do ideal e sei que eventualmente vou ter de falar com o meu pai, eventualmente vou ter que perdoar definitivamente ao meu pai e sobretudo a mim próprio por me considerar ter sido fraco muitas vezes e dar-lhe razão. Um dia, mas não para agora. Não para agora.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

05-07-2014

O curso foi brutal. Quer dizer, continuo a sentir que não flui tão depressa quanto desejaria mas deu-me imenso prazer em ver a Marta a ver tão bem e a já a conseguir interpretar as coisas. Isto numa altura em que não tivemos praticamente tempo, oportunidade ou sequer vontade para praticar. E tudo fluiu. Seria caso para dizer que caso eu quisesse uma prova do caminho a ser trilhado, ela estava aqui à minha frente, mas eu saberia também de antemão que não seria suficiente. E não é, mas aos poucos sei que a minha evolução tem sido mais gradual, não deixando de me maravilhar com caminho que a Marta tem percorrido, uma evolução brutal. Não terá sido por acaso que eu decidi seguir o impulso de a convidar a partilhar o curso comigo e o talento que ela tem demonstrado para a Leitura de Aura e para a ligação ao divino tem sido fantástica e sobretudo inspiradora. Gostava de ter esta capacidade, e sei que a minha é diferente, mas fico maravilhado com a dela. E por falar nisso, há uma série de ligações que ela fez e que eu tenho me esquecido de contar. Houve uma noite que ela sonhou comigo toda a noite mas antes disso, assim que se deitou, ligou-se à minha alma. Apareceram dois anjos, em forma de desenho que até parecia feito por crianças e nisto, cada um deles, transforma-se mas só via as nossas cabeças em grande e atrás de nós um coração, com o nosso sítio secreto representado. Ela sabe que foi ligação mas foi tão enigmático como um sonho. Eu estava bastante sorridente, feliz e pedi para ela vir comigo, que sorriu e deu-me a mão. Fomos parar à nossa àrvore, onde temos a casa e ficámos a criar como duas crianças às escondidas, com muita diversão. Durante os dias de viagem, ela fartou-se de sonhar comigo, acordava e estava agarrada à almofada, pensando que era eu. O que é certo é que nessa noite, como acho que já disse... não dormi nada.

A outra ligação foi estarmos os dois num jardim com flores gigante, todas brancas e todas maiores que nós. Estavamos contentes, como sempre, e fomos até uma flor, que eu coloquei a mão lá dentro e tirei néctar, provei e dei a provar a ela. Eu disse-lhe que era doce como o nosso amor. Depois seguimos por um caminho de pedras, mas estas eram douradas e prateadas (o que indica protecção espiritual) e adormeceu, não se lembrando mais. Mas creio que foi uma representação do nosso caminho, do que estamos actualmente a trilhar.

sábado, 5 de julho de 2014

04-07-2014

A noite em branco não prejudicou a minha prestação na visita à sucursal de Braga mas deixou-me exausto. A cada cinco minutos que me encostava para trás no carro adormecia, mas depois estava constantemente a acordar pela cabeça não parar quieta, sempre a escorregar, sempre a cair. Não sei se era do carro ou do estado avançado de cansaço mas tal nunca me tinha acontecido. Quando cheguei a casa, a Marta já cá estava e foi claro e óbvio que não fomos feitos para estarmos muito tempo muito longe um do outro, algo que nunca tinha sentido antes, não verdadeiramente, não de uma forma tão subtil - no meu caso, creio que na Marta seja tudo menos subtil - mas sempre presente. Acho que todas as coisas exacerbadas que senti sempre foram mais pensadas do que propriamente sentidas. Porque eu queria ou "precisava". Queria mostrar, precisava de provar. Ao mundo, a mim mesmo. Desta vez... até me estou a sentir mal por causa disso. Ainda tenho uma série de amigas, especiais, que não contei as novidades. Acho que ainda estou à espera de assentar e acalmar para dizer as novidades, mas creio nessa alturas, as novidades já têm alguns anos. Creio que ao ritmo que as coisas têm acontecido, não vá assentar tão cedo, ou pelo a forma como quero e idealizo. O irmos para Sines era um horizonte longínquo uns tempos atrás, agora estamos a semanas disso. Mais um pequeno exemplo de como a minha relação com o tempo ainda não está completamente ajustada, mas o ajuste que tenho de fazer é dentro de mim. Este fim de semana por exemplo. Curso de leitura de aura e descansar nos intervalos. O fim de semana sempre foi aquele tempo em que eu sempre disse a mim mesmo que seria para fazer tudo. Tudo aquilo que não conseguia ou queria fazer durante a semana. Grande parte do descontrolo começa por esse tipo de raciocínio. O Tempo que interessa é o agora, é onde deve estar o foco. Como por exemplo, agora, depois de escrever isto, dormir uma boa noite de sono para amanhã estar preparado para o curso de leitura de aura, do qual não treinei praticamente nada e fui adiando sempre, com ou sem desculpas, quase sempre sem vontade e com cansaço à mistura.
Foco.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

03-07-2014

Estou em Braga, depois de visitar a sucursal de Aveiro. É a primeira noite sem a Marta desde que estamos juntos e nunca pensei que fosse tão difícil. Não que eu sinta uma tristeza ou melancolia - a minha forma de sentir saudades sempre foi peculiar. De tal forma que durante muito tempo pensei que seria teimosia. Se houve algumas mudanças que me custaram a habituar, viver com a Marta foi a mais fácil de todas, provavelmente também foi a mais natural, a que melhor fluiu e menos forçada foi. O dia correu bem e fomos andar um pouco por Braga que apesar de estar a pingar estava uma temperatura amena e bem agradável. Pensei em estudar um pouco para o curso da leitura de aura mas meti-me a ver um filme no canal Hollywood e quando dei conta já era tarde - na minha cabeça - para pegar no curso. Se eu tivesse uma nota de cinquenta euros às vezes que esta situação já se passou já estaria rico. Lá está, neste momento não está a fluir porque... vá-se lá saber porquê, não consigo priorizar o curso. Só me resta aceitar porque não é por me chatear comigo próprio que a minha atitude vai mudar. De qualquer forma, tentei dormir, depois do filme e não conseguir estar mais do que quarenta e cinco minutos, mais coisa menos coisa de luz apagada. E com isto tudo já vou no quarto filme seguido. Estou exausto. Acho que vou tomar um banho e depois passar qualquer coisa a limpo do curso. Esta despertina súbita não é normal, só espero não ficar com as ideias atrofiadas durante a apresentação de amanhã.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

02-07-2014

Que dia fantástico foi ontem. Ok, as nove horas no local de trabalho ninguém mas tira, mas ter saído do trabalho, andado perdido no concelho de Loures, chegar meia hora atrasado, fazer a massagem, que até correu bem e num ambiente que até pode ser considerado como hostil - obviamente estou a exagerar, mas estava rodeado por dois gatos, um dos quais fugiu assim que me viu e depois foi-se aproximando de mim aos poucos e a roçar-se em mim. Deu-me uma vontade enorme para brincar com ele, acho que já não sentia algo assim há muito, muito tempo. Tanto que acho que foi noutra vida, ou noutras vidas. Sensação estranha. Bem, depois da massagem, ir a casa para apanhar a Marta e arrancarmos para Lisboa para irmos logo para o concerto, que foi simplesmente brutal. Foi com dias como ontem que eu me apercebo em quão sortudo eu sou. Não só pela Marta mas por tudo. Por ter os amigos que tenho, por ter a família que tenho, que me ajudam em tudo o quanto peço e maior parte das vezes pensam naquilo que eu não pensei de forma a ajudar-me ainda mais, para além da sua obrigação mas dentro, totalmente dentro, do amor que sentem por mim. Por ter o trabalho que tenho que embora não seja totalmente inspirador, permite-me ter sustento para aquilo que gosto de fazer, as massagens, a música, a escrita, as reportagens. Os bons momentos e até pelos maus momentos. Pensando no mês de Fevereiro e em como ele me levou à Marta é a maior prova de que poderia ter, como se eu precisasse de algumas mas para futura referência pode dar jeito, de como precisamos de gatinhar para aprender andar e em como essa dor, de gatinhar, nos faz realmente chegar a um patamar mais elevado. A paz não é completa porque ainda estou a aprender a lidar com o tempo e com o facto de não conseguir chegar a todo o lado - hoje tive que recusar uma sessão de reiki devido ao curso do próximo fim de semana - e isso é algo que eu notei que regredi, talvez pelo meu equilíbrio ter sido alterado com a mudança e de certa a forma a alteração de rotinas, mas também, depois de um dia como ontem e de um dia como hoje, em que consegui com que o cansaço não se manifestasse de forma negativa nestas questões que estou a lidar, é um sinal que também estou a estabilizar.

Um dia de cada vez.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

30-06-2014

Tempo. Nunca o tempo teve um peso tão importante desde que conheci a Marta, ao ponto de falarmos sobre isso. Sempre tive uma forma de esconder as minhas preocupações de tudo e de todos, principalmente por medo de não ser compreendido, por passar por fraco e/ou por me dizerem que isso não seria problema, mostrando-me a solução. No fundo, a maior parte dos meus problemas, desculpas... eu sei que têm fácil solução, porque eles são apenas falsos problemas que revelam apenas um: não querer quebrar com rotinas, ser rígido a esse ponto, não querer mexer com aquilo que está instituído na minha vida, tenha sido por mim ou por outra pessoa qualquer. E essa barreira sempre teve cá, estando disfarçada por alguns momentos, sendo criada a ilusão de que tinha sido ultrapassada por mim, mas nunca o sendo verdadeiramente. Digo, ou escrevo estas palavras sem qualquer intenção de fatalismo ou de vitimização. É apenas um admitir de algo que tenho vindo a lutar nestes últimos anos E é engraçado ver como as pessoas com as quais mantenho relações me ajudam a fazer isso de formas diferentes. A Catarina obrigava-me a cortar - não que ela fizesse de propósito, pelo menos todas as vezes - através de colocando outras coisas em cima da mesa e era um trabalho feito pela pressão. Com a Marta as coisas são diferentes. A pressão vem principalmente de mim e ela, por outro lado, tenta aliviar. A responsabilidade que sinto de estar a dividir a minha vida com ela faz com que queira estar presente, como é normal e expectável, no entanto, sem libertar o mínimo de pressão sobre as coisas que quero fazer. O facto de amanhã ter uma massagem e um concerto e de na quinta e sexta-feira ir para o norte em trabalho e de no fim de semana ter curso de leitura de aura, também ajuda a cimentar essa pressão.

Por falar em curso de leitura de aura, as minhas tentativas de treinar não têm sido bem sucedidas, as imagens que me surgem têm tudo menos a rosa. Quer dizer, comecei por ver a rosa, mas depois apareceram-me montes de imagens nas quais não consegui encontrar nem sentido nem identificação. De alguma forma, isso também me está a causar confusão, mas vou fazer um pacto comigo mesmo, um pacto que já fiz antes e que resultou. Vou baixar a pressão, vou deixar fluir, vou deixar ir o controlo.

Ah e não me posso esquecer de limpar a casa. Eu e a Marta sentimos que ela precisa de ser limpa. Principalmente a sala.

domingo, 29 de junho de 2014

29-06-2014

Hoje foi um dia de descanso. Quando normalmente há um dia de descanso, há sempre um pouco de culpa, por tudo aquilo que há para fazer e também hoje isso não foi excepção. Mesmo assim, o prazer que foi dormir até tarde, dormir a sesta, ou simplesmente deixar-me dormir foi superior a qualquer sentimento de culpa que pudesse aparecer. E apareceu. Mesmo assim, o mais forte foi mesmo em relação ao curso da leitura de aura. É no final desta semana e em todos estes dias, cinco semanas, apenas pratiquei um dia e mesmo assim foi mal. A Marta também está na mesma situação, embora ela não esteja tão preocupada como eu. Também não se pode dizer que seja propriamente preocupação. É mais culpa. Afinal, numa altura em que tenho dificuldades de dinheiro, o gastar dinheiro no curso e se calhar não o aproveitar verdadeiramente ou a mera hipótese de o estar a gastar para nada... é um pensamento que me incomoda.

Aquilo que nós pensamos é aquilo que nós temos. Talvez a Marta tenha razão, embora, nessa linha de raciocínio, se pensar bem... como é que posso ter resultados se não me aplicar para os ter? A não ser que seja algo que não me interesse verdadeiramente. Sendo assim, porque é que estou a gastar dinheiro nisso? Talvez seja algo como os artistas que têm sucesso. Dificuldade em ter inspiração, quando deixam de ter aquela fome, aquela que tinham quando precisavam de ter sucesso. É tudo uma questão de inspiração e eu ainda não encontrei a minha.

Mesmo assim, foi um domingo descansado.

sábado, 28 de junho de 2014

28-06-2014

Cheguei a casa e caí para o lado. Apesar de não ter sido uma noite perfeita em termos de descanso - acho que ainda me estou a habituar ao colchão - acho que descansei mais do que o costume. E o concerto foi brutalíssimo. Ouvir aquelas músicas todas que me marcaram na minha infância e adolescência, que basicamente foram os meus melhores amigos quando senti que não tinha nenhum, foi uma sensação forte demais. Ver aquele sósia do Freddie Mercury e restantes companheiros e ouvir aquelas músicas ao vivo foi um voltar atrás, um visitar um passado que não visitava há muito tempo. Fazê-lo ao lado da Marta, foi como se estivesse seguro, como se ela fosse a minha âncora com uma realidade que sempre desejei mas que muitas vezes julguei impossível. Houve uma música, no entanto, que me deitou abaixo. Ouvir a "Save Me", ouvir aquele poema quando ele já foi cantado tantas vezes da minha boca acompanhado de lágrimas a cair, levou-me novamente a tê-las à beira dos olhos. Não foram os tempos passados, a dor, a saudade, o relembrar do que já vai. Foi pegar na intensidade desses tempos, na intensidade que esses tempos dão à música e ao seu tempo e juntar ao facto da Marta estar ali comigo e na forma como ela realmente me salvou sem eu querer admitir ou reconhecer. Por muito que diga (e saiba que seja verdade) que antes de começarmos, eu ser um completo, a verdade é que com ela sou mais que um, sou mais do que apenas eu. Sou algo mais. Algo que não fui antes. Algo que sempre quis ser. E ao tentar cantar, as palavras não saíram por embargo das lágrimas que tentei conter a todo o custo. Agarrei-a e apenas consegui repetir em uníssono com o falso Freddie Mercury:

"I'll love you 'til I die"

Nunca antes uma música, um sentimento e um momento se uniram de forma tão perfeita. Só por isso já valeu todo o cansaço do mundo.

27-06-2014

É engraçado como as coisas funcionam. Na quarta-feira fui fazer uma massagem quando não me apetecia e acabei por ficar grato. Não é a primeira vez que acontece e por isso já sabia de antemão que ia acontecer. Assim como sei que vai acontecer o mesmo com a massagem que tenho para o dia um de Julho. Depois do trabalho. Antes de uma reportagem de um concerto. Mais uma vez, não tenho a vontade de andar para um lado e para o outro, mas sei que depois me vou sentir muito realizado. 

Hoje o dia foi cansativo. Tive todo o dia na loja e agora estou de rastos. Apenas a fazer um pouco de tempo para fazer mais uma reportagem de uma banda tributo aos Queen. A forma como os Queen são importantes para mim não há palavras. É certo que hoje em dia repartem essa importância por muitas mais bandas mas houve uma altura de que eram apenas eles que estavam ao centro. É essa criança que vai ao concerto hoje, apesar do cansaço e apesar de querer ficar a dormir ou simplesmente a vegetar em frente à televisão. E o cansaço e as rotinas e tudo o resto que supostamente tenho em atraso passa para segundo plano. Supostamente é o que acontece quando se tem prioridades. Logo eu que nunca as consegui fazer, não da forma correcta, começo a tê-las quase sem me aperceber. Deve ser um sinal de que estou finalmente a ficar adulto.

26-06-2014

Que dia massacrante. Ultimamente só venho aqui escrever para contar do meu cansaço e só hoje reparei que já não o fazia há muio tempo. As novas tarefas estão cada vez a tornar-se mais pesadas. Não que as tenha já começado a fazer mas é o peso da responsabilidade que já começa a pesar. Peso da responsabilidade... quer dizer, é o peso da preocupação. Quando julgo que ando preocupado, na verdade as preocupações andam nas minhas costas a cozinhar formas de me atingir. Mas a questão principal não é surpresa nenhuma. Não para mim. Não gosto de surpresas, não gosto de mudanças da minha rotina, não gosto de pessoas novas a entrar na minha vida, nem de pessoas velhas a sair - se bem que existem algumas das quais não sinto saudades quando isso acontece. E isto tudo foi uma enorme mudança. Não é só o facto de estar a partilhar a minha vida com a Marta, é tudo o resto. As mudanças estão a acontecer, umas atrás das outras e depois de uma tão grande como esta, o que sinto a caminho é que vêm aí mais. Enquanto estou a tentar manter os pés no chão, a tentar familiarizar-me com o que tenho à volta, vem mais uma vaga que me desequilibra. Se antes, não ter o controlo de nada me assustava e paralisava, agora apenas me deixa ligeiramente hesitante e um pouco confuso. Ontem cheguei a casa e recebi uma chamada a dizer que tinha uma pessoa interessada para uma massagem, às sete e meia da noite. Inicialmente não sabia o que dizer. O meu lado comodista gritava não, que não queria ir, que ainda havia tanta coisa a fazer que não podia ir, mesmo que fosse para fazer aquilo que gostava. Não tendo mais razão contra que essa, disse que sim e agradeci. A massagem correu bem, embora tenha sido confrontado uma pessoa com algumas dificuldades em relaxar. Não fiquei tão satisfeito por não ter sentido que a tenha realmente ajudado, mas acabei por ficar grato, porque estes desafios são importantes para que cada vez me torne melhor naquilo que faço. Mais do que isso, ter as pessoas do espaço a agradecer-me por ter aceite em tão pouco tempo fazer a massagem, quando na verdade sou eu que fico grato por ter surgido a oportunidade.

Mesmo que a primeira reacção fosse não querer ir.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

20-06-2014

Hoje foi um dia especial. Um daqueles que marca o fim de uma era e o início de outra. O meu desejo sempre foi encontrar alguém que me compreendesse. Alguém que pudesse sentir o que eu sinto, que pudesse compreender aquilo que sinto, que pudesse ver o mundo pelos meus olhos. Susana e Catarina foram aquelas que mais me fizeram acreditar nisso. A primeira pela forma como me amava e idolatrava, a segunda pela forte ligação, inexplicável, que temos. A Marta foi a pessoa que mais perto chegou e sem esforço. Sem esforço da minha parte, sem esforço da dela. Foi ela que me ensinou o que é amar e amar, falta de melhor definição, é acontecer. Amar é ser. sem esforço. Simplesmente ser. Apesar disto, hoje apercebi-me que nem a Marta poderá ser aquilo que sempre procurei, porque na verdade - e disto eu sempre soube - eu procurava na Susana e na Catarina, de diferentes formas, amar-me a mim mesmo. Depositei nelas todas as minhas esperanças para essa tarefa que julgava ser impossível para eu próprio cumprir. Hoje sei que precisei delas para me destruir as minhas esperanças. Precisei de alguém que me amasse desesperadamente me abandonasse para saber que é possível amar-me intensamente, sem concessões. E a diferença que é não ter alguém que me ame dessa forma. Foi como se a minha parte que tivesse depositado na Susana, tivesse desaparecido assim que ela saiu da minha vida. Foi sentir, verdadeiramente, na pele aquilo com que fico quando coloco nos outros a tarefa de me amar a mim próprio. Precisei de alguém para amar desesperadamente para saber como é quando o amor está depositado na outra pessoa que não nos dá. Quando entregamos o coração a outra pessoa, que não nós próprios. E como ele fica aprisionado, refém, de dor, mágoa, solidão. Posso dizer que a minha vida bateu no fundo com estas duas mulheres.

E que lhes estou grato de uma forma gigantesca por isso.

A Susana está grávida e feliz com o seu marido. O único contacto que tenho com ela é através do facebook, onde de vez em quando vejo as suas actualizações. Tive a tentação de lhe dar as felicidades, mas depois pensei que... ela é feliz. Eu não lhe preciso de lhe dar nada.

A Catarina, apesar da fase algo conturbada que está a passar, também sinto que encontrou quem ama, apesar de todas as dificuldades que tem e apesar dos desentendimentos que tivemos os três, mas, sinto que o essencial está lá. E estou feliz por ela. E sei que estarei sempre com ela, nos momentos mais importantes, por perto ou à distância.

Elas duas contribuíram de forma inexplicável para o meu coração ter estado em paz, para que finalmente tivesse mais auto-estima. Elas aprisionaram o meu coração e deram-me a chave, dizendo:

"Depende de ti libertares o teu coração, quando estiveres pronto, vais fazê-lo".

E eu fiz. E quando o fiz, a Marta apareceu na minha vida. Temos descoberto que já tivemos montes de sítios, que temos muito em comum, mas aquilo que interessa nem é isso, o que interessa é o que sentimos um pelo o outro. Sem pesos, sem esforços, sem obrigações. 

Hoje marcou o dia em que o meu coração, segundo aqueles que se regem pelas modernas leis urbanas, se colocou numa prisão, em que vai, mesmo sem se casar, vai viver uma vida em comum com outro. E só me recordo de uma imagem que diz que quando se tenta aprisionar o quer que seja, o desejo de fugir será enorme. Quando a mente e coração é livre, nenhumas barras o aprisionarão.

Sinto-me grato por todas as pessoas que entraram na minha vida, sinto-me grato por todas as pessoas que participaram, que me marcaram, sinto-me grato pelas pessoas que permanecem na minha vida, mesmo sabendo que é tudo um momento, que tudo é efémero mas que nessa efemeridade, tudo é eterno. E as lágrimas caem do meu rosto, não por tristeza, não por alegria, mas por imensidão de sentimentos, por um vasto oceano de emoções e sobretudo de gratidão. Por ter sentido tanto amor, por ter tanto amor à minha volta, por ter as pessoas certas no momento certo e por chegar a este ponto. O ponto que sempre ansiei, o ponto em que eu disse que ia começar a viver, que ia ser adulto. Não me sinto adulto, mas sem dúvida que me sinto mais completo, sem dúvida que me sinto mais abençoado. Talvez este ponto tenha chegado catorze anos depois daquilo que tinha planeado, se calhar catorze anos foi o que eu precisei para estar pronto. Estando doze anos na escola, precisei de mais catorze na escola da vida para aprender o necessário - amar-me a mim próprio, deixar que me amassem, abrir o coração e... amar. 

Sem medos, sem inseguranças. 

Amar.

Esta é a tua dádiva para mim, Marta, meu amor. Conforme choro a escrever-te estas palavras que sei que tu vais ler mais cedo ou mais tarde, sei que quer estejamos juntos um dia ou cinquenta anos, aquilo que nos une é transcendental, aquilo que nos une é único. Aquilo que nos une não é uma prisão que prende os nossos corações, é uma casa, onde queremos estar. Dia após dia, a olhar um para o outro. Sem palavras para dizer.

E muito amor para sentir.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

19-06-2014

Hoje foi um dia exaustivo. Preparações para o começo das mudanças que são amanhã, a luta para que tudo corra bem com os preparativos e o stress a aparecer quando vejo que as coisas estão a correr fora do plano. Nem as palavras da Catarina, que me disse que tudo vai correr de forma a que tudo tenha que ocorrer no momento correcto, ajudaram a acalmar. Na verdade, até ajudaram, não fosse a minha teimosia. Sei que tudo acontece de forma perfeita e que mesmo que eu não consiga aceitar essa perfeição, tudo acontece pelo melhor. Só me resta largar o controle, largar o querer que tudo ocorra de forma como considero perfeita, que mais não que pura teimosia por ser uma visão que eu tinha pré-visualizado e com a qual estou preparado para viver.

Depois no trabalho, o Outlook morreu, o que significa que fiquei sem ferramenta de trabalho. Deram-nos acesso para um webmail, mas não tem metade das funcionalidades que preciso, principalmente ao nível de arquivo. Também fiquei a saber que dia 27, na próxima semana, vou ajudar para uma loja, por ser o dia sem iva da empresa. Acho que estava tão stressado que isto nem me aborreceu o suficiente... talvez para a semana me aborreça... para a semana, quando tenho o segundo fim de semana do curso da leitura de aura, aquele que não vi nada no decorrer destas três semanas...

Estou revoltado comigo por não estar mais preocupado com o curso.

18-06-2014

Hoje já andei bem melhor, o alívio com que me levantei não tinha nada a ver como me sentia ontem. Mais leve. Mas mesmo assim, acho que não estou a dormir o suficiente. Lá está, dormir acompanhado foi algo que nunca fiz durante a minha vida, é algo que vou ter que me habituar agora, mas poderiam haver coisas bem piores para me habituar. Não tem nada a ver mas a Marta contou-me uma série de ligações que ainda não tinha partilhado comigo. Uma delas foi...

Estávamos no meio de árvores deitados numa clareira e eu levantei-me para plantar algo, parecia uma simples planta, mas depois começou a crescer, o caule transformou-se num enorme tronco e a planta passou a ser uma árvore gigantesca. No tronco da árvore havia cristais de várias qualidades e formavam uma espécie de espiral. Nisto a árvore começou a emitir uma música calma, suave, angelical e eu disses: "esta é a nossa música". E ela depois adormeceu. Perguntei-lhe se a música lhe era familiar. Ela disse que já tinha ouvido aquela música antes ou pelo menos aquele tipo de música antes. Disse-lhe que numa das meditações que fiz com os arcanjos, eu ia ao meu jardim secreto e plantava uma árvore, que significava um sonho. Questionei-me se não seria no mesmo sentido. Ela respondeu que não sabia, que a planta na ligação ficou gigante e que se transformou em árvore de uma forma rápida.

Se calhar está relacionado com a nossa relação, da forma como tudo flui rapidamente. Hoje encontrei na minha carteira um papel que já andava com ele há bastante tempo. Basicamente nesse papel escrevi o meu agradecimento ao Universo, a Deus ou à Fonte de tudo o que é, seja como for a designação mais correcta pela mulher da minha vida e toda a descrição que faço da mulher da minha vida, em cada linha, em cada frase, vejo a Marta. Sei que não escrevi à muito tempo o agradecimento, mas já nem me lembrava dele. Nestas alturas é que me recordo que estou com a Marta há pouco mais de dois meses. Depois de tudo o que tem estado a acontecer, faz-me todo o sentido pensar... a nossa árvore está mesmo a crescer depressa.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

17-06-2014

Tempo mais frio, mas de certa forma, um alívio. O único que tive, já que o dia de hoje (ontem) foi ainda pior que o de ontem (antes de ontem). Um peso descomunal no corpo e no final do dia, nos olhos. Quando cheguei a casa, só me apetecia fechar os olhos e só de pensar que tinha de fazer a reportagem… é daquelas alturas em que as coisas que quero fazer se tornam nas coisas que tenho de fazer e eu encurralo-me a mim próprio na rotina. Neste caso, poderia fazer a reportagem noutra altura mas a verdade é que prefiro fazer as reportagens enquanto as tenho frescas na memória para usar mais a memória do que o meu lado criativo. E normalmente flui bem e hoje não foi excepção. Só não fluiu tão bem por causa do meu mau estar. Nem fome tinha, acabei apenas por comer uma pequena coisa – o almoço também foi puxado o que também deverá ter ajudado à minha tarde letárgica. Depois de jantar, enquanto a Marta me dava uns mimos e me contava coisas do dia dela, tive que pedir desculpa e fechar os olhos, já que cada vez mais se tornava difícil mantê-los abertos. Não demorou muito a que fosse para a cama e adormecesse rapidamente. Desta vez até adormeci primeiro do que ela, desconfio. E sim, estou a escrever isto, na manhã de dia 18. Ontem, apesar de ter feito muita coisa de olhos fechados, duvido que conseguisse escrever o quer que seja de forma coerente. Hoje, dia 18, sinto-me bem mais leve.

16-06-2014

Portugal levou na pá. Mesmo à grande. De certa forma já esperava ou pelo menos temia e não creio que tenha sido devido ao meu pessimismo que me caracteriza. Não sei porquê, quando começa a haver muita euforia, principalmente por parte do povo, é sinal de que a coisa vai correr mal. De qualquer forma, foi o suficiente para me irritar e deixar algo resignado à nossa sorte. Escusado será dizer que depois do jogo, ir fazer uma reportagem era das últimas coisas que me apetecia embora também não foi devido ao resultado ou à exibição. A doença ainda está bem presente no meu corpo. O facto de estar-me constantemente a assoar cansa-me, além de me deixar o nariz ferido, mas é principalmente a falta de energia. Não tenho descansado nas últimas noites e parece que estou a sentir no corpo os efeitos de uma gripe, algo que não tinha sentido antes, da última vez que estive constipado, uns meses atrás. A música era ideal para se ouvir de olhos fechados, mas não deixei de me sentir culpado por querer que acabasse depressa. Para que tudo acabasse depressa, só queria um alívio. Acabei por me deitar à uma e tal e dormir cerca de quatro horas. Só hoje estou a escrever isto porque ontem não tinha energia para mais. Hoje com tão pouco descanso… também não estou melhor. Um peso descomunal em cima do corpo que só me apetece deixar cair. O que faz a diferença é mesmo o facto de ter a Marta comigo. De sentir o seu apoio e sobretudo o seu amor. Faz toda a diferença. Nem sinto que tenha os sentimentos ou pensamentos negativos próprios de quando estou assim. Uma mudança das boas.

domingo, 15 de junho de 2014

15-06-2014

A noite de hoje foi mais positiva, mas mesmo assim, não sinto que tenha descansado o suficiente. Mesmo assim, não falhou o meu reiki semanal - que não fiz a semana passada em Beja. Foi a primeira vez que fiz ao lado de outra pessoa, que por acaso depois até se juntou a mim. Ela fez reiki e quando o estava a fazer acabou por se ligar à minha alma. Então estávamos os dois num palácio, o mesmo onde estivemos com os mestres e guias nas duas últimas meditações que fizemos. Nesse palácio, estava uma árvore com um tronco muito invulgar mas bonito, pela descrição da Marta. Demos sete voltas à árvore, até que na sétima, do tronco abriu-se uma porta, na qual entrámos e de baixo vinha uma luz brilhante que subia aos céus. Uma luz que vinha de uma flor branca, tal como a luz. E não sei porquê, associei isto ao nosso filho. Era para não lhe dizer nada mas acabei por partilhar com ela. A resposta dela foi de que não tinha medo. De certa forma tranquiliza-me e incomoda-me ao mesmo tempo ser o único com receios e incertezas quanto a esta questão da paternidade. Sempre desejei muito. Se tudo tivesse seguido com o planeado, o meu filho ou filha já teria neste momento treze ou catorze anos. Ora aí está algo difícil de imaginar.

A dor da garganta tornou-se apenas uma impressão mas agora veio o muco e estou tão farto de me assoar... com um calor destes ainda por cima...

14-06-2014

A primeira noite que passámos juntos, pelo menos numa cama mesmo e não num colchão de campismo, não foi a mais descansada de sempre. Muitos barulhos durante a noite - não ajudou o facto de ter a janela aberta, mas com este calor não havia muita hipótese - a desgraçada de uma melga ou uma colónia delas andaram de volta de nós. O que resultou numa noite mal dormida mas mesmo assim foi muito positivo, não a questão de termos dormido juntos mas o simples facto de termos passado a noite e todo o dia juntos. Se isto foi uma amostra de tempos que hão-de vir, então o futuro traz-me muita confiança. Da parte da tarde, fomos à nossa casa receber uns móveis que a mãe da Marta nos ofereceu. Ainda não conheci a senhora e por acaso, sendo eu, sendo ainda eu, não é uma ocasião pela qual anseie. Estou muito mudado, mas também seria uma mudança brusca demais, eu ansiar por socializações, ainda para mais uma que coloque tanta pressão sobre mim. Lá está, a partir do momento em que estou com a Marta, tudo o resto parece perder a importância ou o peso que tinha, mas mesmo assim, é algo que não quero pensar. 

Na quinta-feira, no meio da exaustão extrema em que estava... a Marta disse-me, antes de entrarmos no recinto, que eu tinha gripe ou que estava engripado. Achei a ideia descabida até porque associei o meu cansaço à falta de descanso nos últimos dias e toda a ansiedade. Ontem à tarde começou a doer-me a garganta e hoje assim continuou.

Fora isso, foi um dia de paz e de partilha de amor. Espero que o primeiro de muitos.

sábado, 14 de junho de 2014

13-06-2014

Não dormi duzentos anos mas acho que já deu para descansar um pouco. Aproveitei o feriado para não fazer nada. Acho que nem fiz aquilo que tinha dito a mim mesmo que ia fazer para recuperar o atraso da rotina. Simplesmente não quis saber. Reduzi a velocidade para mais de metade e acho que algumas vezes parei mesmo. Não vou dizer que foi totalmente livre de culpa e de remorsos. Na verdade, até senti remorsos por não ter ido com a Marta comprar coisas para a casa, por outro lado, soube-me bem este dia de inércia. Amanhã vamos para a nossa casinha à tarde, esperar a entrega dos móveis. Ah, e descobri que tenho mais uma reportagem para fazer na próxima segunda-feira. Estou mesmo sem vontade nenhuma para tal. É daqueles momentos em que gostava de ir ter com o meu eu de uns meses atrás para lhe dar um valente pontapé no cu. Numa nota mais positiva, os meus pais foram uma semana para o Alentejo com o meu irmão e sobrinho e eu vou ficar a tomar conta da casa com a Marta. Sem estar planeado, é um treino para a vida a dois que vamos fazer juntos. De certa forma deve ajudar a mitigar a ansiedade que vou tendo para a mudança que será oficial desde domingo a oito. Amanhã vou tentar sornar mas desta vez na companhia da Marta. Acho que nunca sornei a dois. Há muita coisa que nunca fiz a dois. É o bom desta relação, ter a pessoa ideal para fazer muita coisa pela primeira vez em conjunto.