domingo, 17 de agosto de 2014

12-08-2014

Sentimento estranho o de hoje. A minha mãe fez hoje anos e sempre foi um momento em que passámos juntos. Foi o primeiro aniversário desde que saí de casa e foi uma sensação estranha. Sou um homem de hábitos e de resistência à mudança desses mesmos hábitos e a cada mudança, surge um período de habituação que é sempre algo longo e camuflado. Nunca sei quando acaba mas quando penso que já acabou é porque ainda não começou sequer. Acho que foi a primeira vez em que me bateu não viver com os meus pais. Compramos-lhe uma prenda, um tablet.A ideia era ela ficar feliz, embora soubesse que pudesse haver alguma resistência da parte dela - infelizmente existe a tendência em colocar-se no final da fila no que diz respeito a receber miminhos, uma tendência irritável que herdei e perante a qual ainda me debato entretanto. Ela gostou da prenda e até foi uma reacção muito positivo. Acho que as saudades e a felicidade de estar presente era tão grande que até lhe poderia oferecer um caroço de maçã embrulhado num papel que ela gostaria na mesma. Infelizmente o tablet estava avariado e eu fiquei triste. Sei que não foi por acaso que o tablet ficou avariado. Simbolizava a minha intenção de a mimar, mas foi uma forma da vida me mostrar, mais uma vez, que não preciso de gastar dinheiro para mimar a minha mãe ou qualquer outra pessoa que me ame incondicionalmente. A verdadeira prenda foi a minha presença e o meu amor. E eu sei disso. E sabia, mesmo que inconscientemente. Por isso não deixei de sentir um certo vazio quando me fui embora. Pela primeira vez, desde que me mudei, quase dois meses atrás, senti um vazio de deixar um pedaço de mim para trás. E não se trata da casa, mas das pessoas que habitam nela. Elas vão estar sempre comigo, para onde quer que vá, mas as armadilhas do ego humano ainda me são traiçoeiras. De vez em quando ainda dou por mim a pensar que não sou suficiente e que tenho que dar alguma coisa para compensar a minha ausência. Outras, fico-me só pela melancolia, de saber que vou navegando de porto em porto e que de vez em quando... de vez em quando regresso a casa. Se dizem que casa é onde o coração está, eu posso dizer que tenho muitas casas, porque o meu coração está com as pessoas que amo.

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