Cada vez mais tenho a sensação de que o tempo voa. Cada vez tenho mais a sensação de que não importa antecipar o quer que seja, porque é tudo um momento no tempo. É tudo efémero. Tudo menos o agora que é eterno. O presente. A única coisa que a maior parte das vezes, a maior parte de nós ignoramos. Depois de uma série de dias em Vagos, no festival de música pesada onde já vou pelo terceiro ano consecutivo, é impossível para mim não olhar para trás. Não olhar para trás e ver que o ano passado, quando estive sozinho, longe das pessoas com quem fui ao festival, estava rodeado de mulheres bonitas e atraentes, com quem disse para mim mesmo que gostava de ter uma namorada com quem pudesse partilhar um evento do género. Um pensamento recorrente, um pensamento que acabava por descartar, talvez por receio das expectativas, por receio de ser chamado tolo por mim próprio, um pensamento que apesar de ser aquilo que desejava, era símbolo de uma ingenuidade e de um querer que durante toda uma vida me convenci, ou me convenceram (ou me deixei convencer) que era uma fantasia infantil. Um ano depois, partilho a música que gosto com a mulher da minha vida. Acho que não deveria ter medo de sonhar, acho que nenhum de nós deveria ter medo de sonhar mas é o estado em que nos colocaram. Com medo de sonhar, de voar alto. Aprendemos a nos conformar com as expectativas baixas de uma vida medíocre apenas porque é mais fácil suportar as desilusões se não pensarmos naquilo que desejamos. Claro que isso leva a toda uma outra questão, que é a de sabermos o que realmente queremos. A entrada da Marta na minha vida foi a maior prova de que eu precisaria de como temos aquilo que pedimos. O problema é que na maior parte das vezes não pedimos o que queremos por auto-censura ou por um sentimento idiota de querer andar com os pés no chão, sentimento imposto pela sociedade. Fomos feitos para voar.
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