domingo, 3 de agosto de 2014

03-08-2014

Já passou tanto tempo desde a última vez que escrevi nas páginas deste diário que até me interroguei se faz algum sentido fazê-lo. Fui de férias para Sines, correu tudo lindamente onde, apesar de à primeira vista não parecer, cresci muito principalmente quando numa ou duas ocasiões ou até mais que isso se for a pensar nisso, em que as coisas não ocorreram como planeado. Aliás, todas as expectativas em relação a esta viagem... hum... é errado dizer isto... se calhar é melhor dizer algo como... aconteceu tudo de forma diferente daquela que eu esperava, excepto pelo facto em que a minha relação com a Marta saiu reforçado e partilhámos muitos momentos bons. Engraçado como uns meses atrás esta viagem tinha como propósito, além de ser a forma de eu partilhar experiências (e esta era uma que eu queria mesmo partilhar) seria para ver como nós nos davámos uns dias sozinhos. Quem poderia prever que antes disso já estaríamos a viver juntos?

Sines e quando voltei, uma semana com o meu sobrinho. A minha relação com ele é estranha, sendo uma proto-relação pai-filho que já me assustou mais mas de vez em quando ainda volta. Ele vê-me como um exemplo, uma espécie de pai, enquanto eu vejo-o como o desafio potencial que terei com um filho, a responsabilidade de não ter paciência, de estar cansado e de ser desafiado constantemente. Foi mais uma semana disso.

Foram duas ou três semanas de desafios, grandes e pequenos. Uma coisa engraçada é que sempre que comecei a escrever neste diário, desde o início, antes mesmo de ser um diário, foi sempre uma questão de libertação. Comecei a escrever no dia em que a Susana acabou comigo. Escrevi muito, escrevi muitas coisas que ainda são válidas, e muitas outras, frutas de dor, que não fazem o menor sentido na pessoa que sou hoje. Libertei muita coisa, muitos demónios, aprendi muito e foi uma ferramenta útil, tanto para a minha queda, como para a minha evolução. O facto de não me ter lembrado nestas duas semanas ou três, nem sei, quer dizer algo. Talvez a vontade de usar a muleta ou o medo de cair seja tão grande que cause a resistência de colocar a muleta de lado, mas se tiver distraído com outra coisa o tempo suficiente para me esquecer dela, consigo andar sozinho.

Ando decidido a colocar muitas muletas de lado e conhecendo-me bem, sei que tenho muitas e que tenho enorme resistência, mas neste momento estou cansado de muletas que se tornam cruzes. Acho que não preciso nem de umas ou de outras.

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