segunda-feira, 14 de julho de 2014

14-07-2014

Hoje acordei com a neura. Dormi pessimamente e acordei com a neura. Uma neura descomunal que me acompanhou durante todo o dia. A Marta notou isso. A Catarina também. Na verdade, eu não tinha nada para responder às suas perguntas. Eu não sei o que é ou pelo menos não sabia, agora se calhar já desconfio. A minha incapacidade de aceitar de que não consigo controlar tudo, não consigo controlar todos os eventos todas as coisas grandes, todas as coisas pequenas. Acontece o que tem de acontecer e apesar de tudo o que vivi, apesar de tudo o que já aprendi, ainda não consigo aceitar isso. Aceitar de forma completa e ficar em paz com isso. O reconhecer já me deve dar algum avanço mas esta sensação de resistência está a incomodar-me. Tenho que me tornar mais solto, tornar mais livre, mais leve, largar este peso que carrego em cima. A questão é que neste momento não consigo distinguir o que é peso ou o que sou eu. Não sei o que largar para trás e admitamos que largar coisas pelo caminho nunca foi a minha especialidade e quando o fiz foi porque as coisas me largaram a mim ou porque me forçaram a fazê-lo. Ou seja, a vida encarregou-se de colocar uma parede à minha frente a cada momento em que eu precisei de bater com a cabeça na parede para acordar. Se calhar é disso que eu estou resistente, de mais uma parede que me force a largar mais qualquer coisa da qual não me apetece prescindir neste momento, mas agora, aquilo que tenho que largar é mesmo a resistência.

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