Hoje passei o dia todo a pensar em fazermos uma leitura de aura. Quando partilhei as minhas intenções com a Marta e com a Catarina em alturas diferentes do dia, elas também pensaram no mesmo. Na verdade, e agora pensando bem, não fui eu que partilhei as minhas intenções, foram elas que me falaram da ideia, embora eu já andasse a pensar nelas há uns tempos. Não interessa, o que interessa é que estranhamente ou não, estávamos todos a pensar no mesmo. Ambas disseram-me de forma diferente também algo que eu já sentia, de que a mulher de preto não nos quer mal mas que quer ou precisa de falar e enquanto não o fizer não se vai embora. Foi a sensação que tive quando acabámos de limpar a casa ontem, pensamento que tentei sacudir.
Quando cheguei a casa fomos imediatamente para a meditação das rosas. Foi a primeira vez que a fizemos lado a lado sem a presença da Catarina e até correu bem. Tentei concentrar-me ao máximo para ver o quer que seja, sem concentrar-me em nada. Quer dizer, tentei fazer o mesmo da última vez, concentrar-me na rosa, e deixar-me ir. Não sei se foi por causa da pressão - que pelos vistos continua a ser o meu maior inimigo - não vi nada. Não nego que fiquei desiludido. Esperei que a Marta acabasse, com algum receio que ela também não tivesse visto nada, mas assim que ela abriu os olhos e me disse: "beeeem, que história...". E então ela contou-me a história da mulher de preto. Viu imagens da mulher a morar num palacete perto daqui, viu o seu marido, um homem com uma cartola, vestido a rigor. Viu uma carroça, cavalos e um acidente. Viu a mulher mais a filha. E foi nesta altura que a mulher de preto lhe disse que ela era muito parecida com a sua filha, embora depois fosse alternando com a afirmação de que era ela a sua filha. A mulher deu algo à filha que acabou por resultar na sua morte. Algo que a Marta sabe que foi um acidente, que não foi propositado, mas a mulher só pedia desculpas, só pedia para a perdoar. A Marta beijou-a na face e disse que ela estava perdoada. Depois chamou por dois guias para a levar para a luz, imaginando a mesma não muito distante e uma estrada até lá. Depois disse-me que os guias eram o Arcanjo Miguel e Gabriel. A mulher de preto ainda olhou para trás a pedir uma confirmação para a o perdão, pedido que foi atendido. E ela foi em paz e sentimos isso mesmo, sentimos mais leveza na casa.
Ah e na noite anterior, a Marta teve uma visão quando estávamos a dormir. Quer dizer, ela não sabe se foi sonho ou se foi algo que estava realmente a ver. De qualquer forma, viu o meu espírito a abandonar o corpo e a ir para o dela, com as mãos tocando-lhe, com que a curar, como que a proteger o corpo físico e etérico dela. Não me recordo rigorosamente de nada e é uma daquelas ocasiões em que eu tenho quase a certeza de que os meus maiores trabalhos e feitos são aqueles que partem e se passam no meu inconsciente. Não digo isto de forma negativa, mas é como se eu em espírito fosse tudo aquilo que desejava ser, a nível de protecção espiritual das pessoas que gosto.
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