Cheguei a casa e caí para o lado. Apesar de não ter sido uma noite perfeita em termos de descanso - acho que ainda me estou a habituar ao colchão - acho que descansei mais do que o costume. E o concerto foi brutalíssimo. Ouvir aquelas músicas todas que me marcaram na minha infância e adolescência, que basicamente foram os meus melhores amigos quando senti que não tinha nenhum, foi uma sensação forte demais. Ver aquele sósia do Freddie Mercury e restantes companheiros e ouvir aquelas músicas ao vivo foi um voltar atrás, um visitar um passado que não visitava há muito tempo. Fazê-lo ao lado da Marta, foi como se estivesse seguro, como se ela fosse a minha âncora com uma realidade que sempre desejei mas que muitas vezes julguei impossível. Houve uma música, no entanto, que me deitou abaixo. Ouvir a "Save Me", ouvir aquele poema quando ele já foi cantado tantas vezes da minha boca acompanhado de lágrimas a cair, levou-me novamente a tê-las à beira dos olhos. Não foram os tempos passados, a dor, a saudade, o relembrar do que já vai. Foi pegar na intensidade desses tempos, na intensidade que esses tempos dão à música e ao seu tempo e juntar ao facto da Marta estar ali comigo e na forma como ela realmente me salvou sem eu querer admitir ou reconhecer. Por muito que diga (e saiba que seja verdade) que antes de começarmos, eu ser um completo, a verdade é que com ela sou mais que um, sou mais do que apenas eu. Sou algo mais. Algo que não fui antes. Algo que sempre quis ser. E ao tentar cantar, as palavras não saíram por embargo das lágrimas que tentei conter a todo o custo. Agarrei-a e apenas consegui repetir em uníssono com o falso Freddie Mercury:
"I'll love you 'til I die"
Nunca antes uma música, um sentimento e um momento se uniram de forma tão perfeita. Só por isso já valeu todo o cansaço do mundo.
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