Estes últimos dias passaram num repente. Num piscar de olhos. Recuando um pouco e nem sequer me consigo lembrar o que fiz uma semana atrás, nem porque razão não tive tempo para escrever aqui. Alguma coisa terá sido... ou então, talvez por agora as coisas estarem a correr em velocidade supersónica com a Marta, não encontre razões para escrever. Sei que na passada quarta-feira não saí mais tarde porque a Marta veio ter comigo como é costume, mas na quinta, cheguei tarde a casa e o tempo escapou-se-me das mãos como tem sido costume. Sexta-feira saí à hora do almoço para irmos para o festival durante a semana e foi um fim de semana em grande. Não só pela música, claro, nem pelo facto de ter ido acampar com ela, nem sequer por ela se meter nestas aventuras comigo sem hesitar. Foi excepcional apenas porque ter sido tudo... normal. Quando numa relação se pensa nas várias etapas, a mais importante é o tempo que se passa um com outro, nas dificuldades que podem surgir, nas pequenas indicações que dizem que se está a cometer um erro ou não - e nem foi preciso tanto tempo para no passado me ter apercebido disso. Um mau estar que só me fazia querer fugir. Com a Marta, nada disso aconteceu, tudo natural. De tal forma que apenas agora quando estava a fazer um esforço de memória para aquilo que aconteceu a semana passada é que isto me veio à mente. Sensação de paz, em que tudo fluiu. Finalmente paz. Como muitas pessoas queridas me têm dito, mereço. Mereço finalmente viver algo assim. E mereço que se prolongue. E depois que viemos do festival, dedicamo-nos à casa, com a minha família toda a ajudar. As páginas do diário podem ter ficado vazias, mas o meu coração está cheio.
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