terça-feira, 3 de junho de 2014

01-06-2014

Sabe-me tão bem ir a concertos com a Marta. Poder partilhar com alguém a música que gosto e sentir que a outra pessoa está lá por gosto e não para me fazer a vontade ou com frete, é algo totalmente novo para mim. Sinceramente, por vezes parece que estou comigo mesmo. Ok, existem coisas em que somos diferentes, na forma de sentir principalmente, mas é incrível, INCRÍVEL mesmo, que namoramos há quase dois meses e ainda não encontrámos nenhum ponto de discórdia, nenhuma discussão, nada, zero. Sei que eventualmente vai acontecer, mas tento não focar nisso, embora admita que a sua ausência me é desconcertante. A relação onde me recordo de haver algo assim foi na relação com a Susana, mas o facto de namorarmos à distância também fez com que certas situações não ocorressem tão frequentemente. Com a Marta não. Estamos juntos praticamente três vezes por semana, quando não é mais, estamos prestes a ir viver juntos e falamos todos dias. Para já o que acho refrescante é o facto de não haver a pressão para falar como aquela que a Catarina exercia sobre mim. Nunca fui muito falador e a Catarina exigia, sem se aperceber e porque eu também não falei nada contra, que tivesse sempre assunto. Acho que só muito depois da nossa relação ter acabado que ela se apercebeu do que é gostar de alguém mas simplesmente não ter nada para dizer. Não é mau, apenas... não há nada para dizer. Com a Marta, quando chegamos a esse ponto, é capaz de se gerar um silêncio constrangedor por cerca de dez segundos e um de nós diz algo como, "bem, então até logo ou assim, amo-te muito". É refrescante, mas acaba por ser o que sempre quis e o estar espantado é o meu cepticismo que se pergunta onde está o senão, que nada pode ser assim tão bom. Até agora, parece que sim, há coisas que podem ser mesmo boas.

O concerto foi engraçado, mas dei mais valor ao facto de estar com ela e a partilha por aquele momento. Ela acabou por me ajudar na reportagem, o que revela também interessa por aquilo que faço, o que também me sabe muito bem. Interesse genuíno, sem ter que o pedinchar - se bem que estou numa fase em que não me interessa o que as outras pensam. Acabou por ser a minha dádiva por todos as questões que passei com a Catarina, saí com o meu lado pessoal reforçado, mais independente, mais forte. O momento alto do dia acabou mesmo por ser a visita à nossa futura casa, com os meus pais, irmão e cunhada. Ver a casa vazia fez-me ter aquela sensação de ansiedade por querer andar com tudo para a frente o quanto antes, mas ao mesmo tempo uma segurança, por me sentir já lá em casa. Uma nova fase e eu ansioso por ela. Muita coisa mudou mesmo dentro de mim. Ainda bem.

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