Hoje foi um dia especial. Um daqueles que marca o fim de uma era e o início de outra. O meu desejo sempre foi encontrar alguém que me compreendesse. Alguém que pudesse sentir o que eu sinto, que pudesse compreender aquilo que sinto, que pudesse ver o mundo pelos meus olhos. Susana e Catarina foram aquelas que mais me fizeram acreditar nisso. A primeira pela forma como me amava e idolatrava, a segunda pela forte ligação, inexplicável, que temos. A Marta foi a pessoa que mais perto chegou e sem esforço. Sem esforço da minha parte, sem esforço da dela. Foi ela que me ensinou o que é amar e amar, falta de melhor definição, é acontecer. Amar é ser. sem esforço. Simplesmente ser. Apesar disto, hoje apercebi-me que nem a Marta poderá ser aquilo que sempre procurei, porque na verdade - e disto eu sempre soube - eu procurava na Susana e na Catarina, de diferentes formas, amar-me a mim mesmo. Depositei nelas todas as minhas esperanças para essa tarefa que julgava ser impossível para eu próprio cumprir. Hoje sei que precisei delas para me destruir as minhas esperanças. Precisei de alguém que me amasse desesperadamente me abandonasse para saber que é possível amar-me intensamente, sem concessões. E a diferença que é não ter alguém que me ame dessa forma. Foi como se a minha parte que tivesse depositado na Susana, tivesse desaparecido assim que ela saiu da minha vida. Foi sentir, verdadeiramente, na pele aquilo com que fico quando coloco nos outros a tarefa de me amar a mim próprio. Precisei de alguém para amar desesperadamente para saber como é quando o amor está depositado na outra pessoa que não nos dá. Quando entregamos o coração a outra pessoa, que não nós próprios. E como ele fica aprisionado, refém, de dor, mágoa, solidão. Posso dizer que a minha vida bateu no fundo com estas duas mulheres.
E que lhes estou grato de uma forma gigantesca por isso.
A Susana está grávida e feliz com o seu marido. O único contacto que tenho com ela é através do facebook, onde de vez em quando vejo as suas actualizações. Tive a tentação de lhe dar as felicidades, mas depois pensei que... ela é feliz. Eu não lhe preciso de lhe dar nada.
A Catarina, apesar da fase algo conturbada que está a passar, também sinto que encontrou quem ama, apesar de todas as dificuldades que tem e apesar dos desentendimentos que tivemos os três, mas, sinto que o essencial está lá. E estou feliz por ela. E sei que estarei sempre com ela, nos momentos mais importantes, por perto ou à distância.
Elas duas contribuíram de forma inexplicável para o meu coração ter estado em paz, para que finalmente tivesse mais auto-estima. Elas aprisionaram o meu coração e deram-me a chave, dizendo:
"Depende de ti libertares o teu coração, quando estiveres pronto, vais fazê-lo".
E eu fiz. E quando o fiz, a Marta apareceu na minha vida. Temos descoberto que já tivemos montes de sítios, que temos muito em comum, mas aquilo que interessa nem é isso, o que interessa é o que sentimos um pelo o outro. Sem pesos, sem esforços, sem obrigações.
Hoje marcou o dia em que o meu coração, segundo aqueles que se regem pelas modernas leis urbanas, se colocou numa prisão, em que vai, mesmo sem se casar, vai viver uma vida em comum com outro. E só me recordo de uma imagem que diz que quando se tenta aprisionar o quer que seja, o desejo de fugir será enorme. Quando a mente e coração é livre, nenhumas barras o aprisionarão.
Sinto-me grato por todas as pessoas que entraram na minha vida, sinto-me grato por todas as pessoas que participaram, que me marcaram, sinto-me grato pelas pessoas que permanecem na minha vida, mesmo sabendo que é tudo um momento, que tudo é efémero mas que nessa efemeridade, tudo é eterno. E as lágrimas caem do meu rosto, não por tristeza, não por alegria, mas por imensidão de sentimentos, por um vasto oceano de emoções e sobretudo de gratidão. Por ter sentido tanto amor, por ter tanto amor à minha volta, por ter as pessoas certas no momento certo e por chegar a este ponto. O ponto que sempre ansiei, o ponto em que eu disse que ia começar a viver, que ia ser adulto. Não me sinto adulto, mas sem dúvida que me sinto mais completo, sem dúvida que me sinto mais abençoado. Talvez este ponto tenha chegado catorze anos depois daquilo que tinha planeado, se calhar catorze anos foi o que eu precisei para estar pronto. Estando doze anos na escola, precisei de mais catorze na escola da vida para aprender o necessário - amar-me a mim próprio, deixar que me amassem, abrir o coração e... amar.
Sinto-me grato por todas as pessoas que entraram na minha vida, sinto-me grato por todas as pessoas que participaram, que me marcaram, sinto-me grato pelas pessoas que permanecem na minha vida, mesmo sabendo que é tudo um momento, que tudo é efémero mas que nessa efemeridade, tudo é eterno. E as lágrimas caem do meu rosto, não por tristeza, não por alegria, mas por imensidão de sentimentos, por um vasto oceano de emoções e sobretudo de gratidão. Por ter sentido tanto amor, por ter tanto amor à minha volta, por ter as pessoas certas no momento certo e por chegar a este ponto. O ponto que sempre ansiei, o ponto em que eu disse que ia começar a viver, que ia ser adulto. Não me sinto adulto, mas sem dúvida que me sinto mais completo, sem dúvida que me sinto mais abençoado. Talvez este ponto tenha chegado catorze anos depois daquilo que tinha planeado, se calhar catorze anos foi o que eu precisei para estar pronto. Estando doze anos na escola, precisei de mais catorze na escola da vida para aprender o necessário - amar-me a mim próprio, deixar que me amassem, abrir o coração e... amar.
Sem medos, sem inseguranças.
Amar.
Esta é a tua dádiva para mim, Marta, meu amor. Conforme choro a escrever-te estas palavras que sei que tu vais ler mais cedo ou mais tarde, sei que quer estejamos juntos um dia ou cinquenta anos, aquilo que nos une é transcendental, aquilo que nos une é único. Aquilo que nos une não é uma prisão que prende os nossos corações, é uma casa, onde queremos estar. Dia após dia, a olhar um para o outro. Sem palavras para dizer.
E muito amor para sentir.
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