Tempo. Nunca o tempo teve um peso tão importante desde que conheci a Marta, ao ponto de falarmos sobre isso. Sempre tive uma forma de esconder as minhas preocupações de tudo e de todos, principalmente por medo de não ser compreendido, por passar por fraco e/ou por me dizerem que isso não seria problema, mostrando-me a solução. No fundo, a maior parte dos meus problemas, desculpas... eu sei que têm fácil solução, porque eles são apenas falsos problemas que revelam apenas um: não querer quebrar com rotinas, ser rígido a esse ponto, não querer mexer com aquilo que está instituído na minha vida, tenha sido por mim ou por outra pessoa qualquer. E essa barreira sempre teve cá, estando disfarçada por alguns momentos, sendo criada a ilusão de que tinha sido ultrapassada por mim, mas nunca o sendo verdadeiramente. Digo, ou escrevo estas palavras sem qualquer intenção de fatalismo ou de vitimização. É apenas um admitir de algo que tenho vindo a lutar nestes últimos anos E é engraçado ver como as pessoas com as quais mantenho relações me ajudam a fazer isso de formas diferentes. A Catarina obrigava-me a cortar - não que ela fizesse de propósito, pelo menos todas as vezes - através de colocando outras coisas em cima da mesa e era um trabalho feito pela pressão. Com a Marta as coisas são diferentes. A pressão vem principalmente de mim e ela, por outro lado, tenta aliviar. A responsabilidade que sinto de estar a dividir a minha vida com ela faz com que queira estar presente, como é normal e expectável, no entanto, sem libertar o mínimo de pressão sobre as coisas que quero fazer. O facto de amanhã ter uma massagem e um concerto e de na quinta e sexta-feira ir para o norte em trabalho e de no fim de semana ter curso de leitura de aura, também ajuda a cimentar essa pressão.
Por falar em curso de leitura de aura, as minhas tentativas de treinar não têm sido bem sucedidas, as imagens que me surgem têm tudo menos a rosa. Quer dizer, comecei por ver a rosa, mas depois apareceram-me montes de imagens nas quais não consegui encontrar nem sentido nem identificação. De alguma forma, isso também me está a causar confusão, mas vou fazer um pacto comigo mesmo, um pacto que já fiz antes e que resultou. Vou baixar a pressão, vou deixar fluir, vou deixar ir o controlo.
Ah e não me posso esquecer de limpar a casa. Eu e a Marta sentimos que ela precisa de ser limpa. Principalmente a sala.
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