Não dormi duzentos anos mas acho que já deu para descansar um pouco. Aproveitei o feriado para não fazer nada. Acho que nem fiz aquilo que tinha dito a mim mesmo que ia fazer para recuperar o atraso da rotina. Simplesmente não quis saber. Reduzi a velocidade para mais de metade e acho que algumas vezes parei mesmo. Não vou dizer que foi totalmente livre de culpa e de remorsos. Na verdade, até senti remorsos por não ter ido com a Marta comprar coisas para a casa, por outro lado, soube-me bem este dia de inércia. Amanhã vamos para a nossa casinha à tarde, esperar a entrega dos móveis. Ah, e descobri que tenho mais uma reportagem para fazer na próxima segunda-feira. Estou mesmo sem vontade nenhuma para tal. É daqueles momentos em que gostava de ir ter com o meu eu de uns meses atrás para lhe dar um valente pontapé no cu. Numa nota mais positiva, os meus pais foram uma semana para o Alentejo com o meu irmão e sobrinho e eu vou ficar a tomar conta da casa com a Marta. Sem estar planeado, é um treino para a vida a dois que vamos fazer juntos. De certa forma deve ajudar a mitigar a ansiedade que vou tendo para a mudança que será oficial desde domingo a oito. Amanhã vou tentar sornar mas desta vez na companhia da Marta. Acho que nunca sornei a dois. Há muita coisa que nunca fiz a dois. É o bom desta relação, ter a pessoa ideal para fazer muita coisa pela primeira vez em conjunto.
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