sábado, 14 de junho de 2014

11-06-2014

Voltar ao trabalho foi uma verdadeira tortura. Não que me tenha habituado à boa vida de estar de férias, até porque não foi propriamente uma vida descansada, mas foi uma verdadeira tortura porque não deu para recuperar. Vir de madrugada para casa, fazer mais de duzentos quilómetros, dormir cerca de quatro horas e tentar recuperar o atraso de todas as coisas que quis. Recuperar o atraso da rotina.Nisso eu sou engraçado. Quer dizer, de certeza que sou engraçado por muitas mais questões, mas esta é uma daquelas que consigo fazer um brilharete. Reger-me pela rotina. Fazer um esforço para quebrar a rotina. Quando quebro a rotina, tentar recuperar tudo aquilo que teria feito caso a rotina não tivesse sido quebrada. Ou seja, não há propriamente uma quebra da rotina, que pressupõe uma substituição de uma coisa por outra. Não há substituição, apenas uma adição. No fundo sempre soube isso e é apenas mais um exemplo da forma como o ser humano se engana a ele próprio de forma a continuar a viver de forma aparente mais feliz. Neste caso, o dizer a mim próprio que depois ia recuperar todo o atraso que tinha foi uma forma de me fazer ir para o fim de semana de forma mais leve e sem pressão. O não ter conseguido recuperar o tal atraso fez com que a adicionar o cansaço acumulado, tivesse a pressão de querer tudo efeito. Tive o dia todo de segunda-feira, a escrever a reportagem, ontem tive na minha nova casa e hoje dei conta que, no trabalho, apenas gostava de ter um tempinho para mim. Um tempinho para descansar, um tempinho para fazer as minhas coisa.

Queria a minha rotina de volta.

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