Todo este tempo que procurei por alguém, que lutei por alguém, por teimosia, por carência, seja o que for, valeu a pena. Só assim posso dar valor a ter alguém como a Marta ao meu lado. Alguém que está sempre comigo, que apesar do seu cansaço, nunca lhe faltam forças para acarinhar e mimar. Valeu a pena tantas tampas, sofrimento, desilusões para saber que para o amor mais forte que alguma vez senti não precisei de nada disso, não precisei de nada. Não fazer nada. Apenas ser. Apenas deixar acontecer, deixar ir.
Tem sido o meu lema nos últimos tempos, por ter consciência das resistências que construí, principalmente desde que a coelhinha morreu. Quem diria que alguém tão insensível ou supostamente insensível aos animais pudesse ficar tão abalado pela morte de um, principalmente em tão pouco tempo que estivemos juntos, mas que pelos vistos foi suficiente para criar uma ligação. Fiquei sem vontade de sair da minha zona de conforto, apático, apenas querendo ficar no meu canto, sem querer ver ninguém, tendo pela primeira vez alguém que deixo se aproximar de mim o suficiente para ficar ao meu lado. Como se fosse eu e a Marta e o mundo, em pólos diferentes, sem que exista uma vontade da minha parte de haver uma aproximação.
Ontem foi a apresentação no novo espaço onde vou trabalhar e foi mais um dos pontos em que eu estava com resistência. Apesar de não ser algo em que estaria em evidência, ia conhecer novas pessoas, socializar e estar fora da minha zona de conforto e tal… E mais uma vez, a Marta foi fundamental tanto antes, quando lhe disse muitas vezes que não queria ir, assim como durante, quando estava lá, sendo sempre um forte pilar durante toda a tarde. E como já aconteceu no passado, com esta etapa ultrapassada, fiquei com vontade de ultrapassar as próximas. Cada vez me convenço mais que o meu problema são os intervalos. Se fosse tudo seguido provavelmente nem teria tempo para pensar embora saiba que também se for tudo seguido, facilmente entro em saturação. Como a Catarina já me disse, não deve ser fácil para quem está lá em cima a olhar para mim dar-me aquilo que quero para ficar satisfeito… e pensando bem, talvez seja fácil, o difícil será eu estar em sintonia comigo próprio para o aceitar.
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