A ligação que tenho com os animais pelos vistos está a
despertar, apesar de eu não lhe dar importância. Uns dias atrás pareceu-me que
o nosso hamster não estava bem ou que pelo menos estava a agir de forma
estranha. Imediatamente disse a mim próprio que estava a imaginar coisas e
segui em frente. No dia seguinte, assim que entrei no quarto dos animais, tive
o instinto de ver o hamster. Conforme abri a gaiola, e bati suavemente onde ele
costuma estar sem ter nenhuma reacção, pensei imediatamente que tinha morrido.
Levantei o plástico para confirmar que as minhas suspeitas eram reais. O
impacto não foi o mesmo que tive com a Gobinha mas não deixei de ficar chateado
comigo mesmo por não ter feito nada, por não ter confiado no meu instinto e
isso leva-me a uma questão que sempre foi fulcral em mim e que pelos vistos
continua a ser:
Confiar no meu instinto.
Continuo a duvidar das sensações, das vontades, do responder
algo e não calar por ter receio de não ser o certo. De querer fazer algo e
congelar por não querer chamar a atenção das outras pessoas. O problema não é
eu não fazer nada, não é o calar-me. É o continuar a ter medo daquilo que as
pessoas possam fazer ou dizer em consequência de uma atitude menos correcta da
minha parte. É não me permitir a errar devido ao que os erros no passado me
trouxeram e à minha descrença na capacidade para lidar com eles da forma como
acredito ser a correcta. É o não agir, o não fazer nada para que não possa ser
acusado de errar. Hoje em dia eu sei que é melhor agir, que é melhor fazer
algo, tendo consciência e responsabilidade, mas mesmo assim agindo. Até mesmo
agindo ao não fazer nada seria melhor. Agir por bloqueio de medos é algo que
ainda me causa confusão principalmente por me fazer sentir impotente, já que é
automático, totalmente fora do meu controle, ou pelo menos, surgindo sempre em
alturas em que estou distraído o suficiente com outras coisas para que possa
decidir o contrário.
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