Poderia dizer-se que a razão da minha ausência por estas páginas se devem-se a finalmente as coisas estarem a correr como desejava e como faz parte de mim, eu não teria razão para falar sobre elas. É verdade que só tenho necessidade de falar, partilhar ou exorcizar quando as coisas não me correm bem, quando tenho algo a perturbar-me. Quer dizer, não tenho só necessidade de o fazer assim, obviamente que também quando estou feliz, tenho vontade de partilhar e espalhar essa felicidade. No entanto, escrever num sítio tão pessoal como este onde sei que ninguém vai ler, poderia perder o sentido. É apenas mais uma coisa onde verifico que muita coisa mudou em mim quando à superfície eu pareço imutável. A questão é que há realmente muito a contar, muito a partilhar e até exorcizar e que as coisas, apesar de não poder dizer que estão a correr mal, não estão propriamente tranquilas. Não como eu gostaria, mas julgo que também será difícil de chegar a esse ponto porque a minha noção de tranquilidade passa pela calma e estagnação e não acredito que possa evoluir através da calma e estagnação. Provavelmente o não acreditar nisso é a principal razão de não a ter.
É confuso e tudo se torna uma armadilha. O que queremos, o que julgamos querer e depois o que temos nos momentos mais inoportunos.
O que é que nós queremos? O que é que nós realmente queremos? E será que o queremos mesmo? Será que os desejos lançados para o Universo, no conforto e no calor do nosso lar são aqueles que vamos acolher fora dele, quando estivermos fora da nossa zona de conforto? Será que esses desejos, lançados para o ar no ambiente seguro, e que nos empurram para fora dele, são enganadores, quando nos seduzem em momentos em que julgamos ser invencíveis.
Não somos. E eu, desde que nossa coelhinha morreu, apetece-me fugir de tudo e de todos. Dos amigos, dos conhecidos, das terapias, da evolução. Apenas ficar com a Marta, no nosso casulo e ficar à parte do mundo. E este voltar à realidade ou pelo menos à realidade fora do casulo não tem sido fácil. Nesse aspecto o voltar ao trabalho ajudou-me e pressionar ainda mais o estado de estagnação no qual mergulhei. Ajudou mas não mudou porque continuo a querer fugir.
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