segunda-feira, 22 de setembro de 2014

16-09-2014

Tenho tanta coisa para dizer que temo que com o atraso as coisas se atropelem e algumas fiquem esquecidas. Com a morte da Gobinha, o Juca, o nosso coelho, andava literalmente a morrer aos poucos. A tristeza dele era sentida por mim e pela Marta, mas eu particularmente tive alguma dificuldade em lidar com ela. Andava sempre de volta dele, para ver se o conseguia espevitar mas ele acabava sempre por ficar nos cantos onde a gobinha ficava. Foi essa a grande razão para que começássemos à procura de uma coelha e não foi preciso procurar muito. A Marta perguntou a uma colega que falou com o veterinário da sua zona e teve logo uma pessoa a oferecer uma coelha para adopção. E foi amor à primeira vista, tanto por parte da Marta como meu. Super dócil, a Bunny – baptizada por nós – conseguiu trazer logo o Juca para o mundo dos vivos. O poder que o sexo feminino tem sobre o masculino e ainda bem, ao menos assim, já o vemos mais energético e animado. E esse efeito também se prolongou a mim. Sei que a Marta e até os meus pais já estavam a ficar preocupados comigo e também sei que não havia nada que pudessem fazer, o que também acaba por me irritar e fazer sentir culpado por estar desta forma. Seja como for, foi uma aprendizagem valorosa já que deu para ver e sobretudo sentir, como eu estou em relação aos animais. Que apesar de nesta vida não terem sido muito importantes para mim, que existe, ou existiu, uma ligação muito forte entre mim e os animais, provavelmente de vidas passadas. E nestes dias pós a sua morte, tanto eu como a Marta sentimos a sua presença entre nós. Houve até uma noite em que me levantei sobressaltado porque poderia jurar que ela tinha passado por mim. A primeira vez que senti algo que não físico junto a mim foi um animal e isso já deve dizer um pouco da ligação que tenho com eles, e da qual eu desconhecia por completo existir.

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