Mais um dia aborrecido no trabalho, compensado pela leveza de lá estar. Soa confuso, não é? Facilita escrever estas palavras apenas para eu ler, não tenho que me preocupar com o que sai ou se alguém vai perceber, julgar, etc. É libertador. Ainda mais do que da primeira vez que fiz... bem, também não será por acaso. De qualquer forma, e voltando atrás, é bom saber que se quer sair do lugar onde se está mas que mesmo assim, consegue-se aproveitar os bons momentos. Que mesmo assim não se sente preso nem se está desesperado, sem opções - como eu me senti no início de vir para esta empresa. Sei que na altura estava em negação, que queria fugir. Talvez agora também queira fugir, por causa de toda esta situação com a Catarina, que cada vez sinto como estando cada vez mais longe mas que também sei, e conhecendo-me bem (finalmente), que vai demorar muito tempo a sarar. Como diz a minha mãe, perdoar até perdoo, esquecer... isso já são outros tantos. Esta situação foi uma benção disfarçada. Foi a minha chamada de despertar para a realidade. A ligação com a Catarina sempre foi tão forte que deixei-me estar, confortavelmente adormecido, a viver o dia-a-dia, sabendo que alguma vez ia acabar mas acreditando que sentindo-me bem, não havia razões para mudar. Esta acontecimento despoletou a mudança. Sem o ambiente que tinha e que proporcionava bem estar, não há mais razões para ficar. E o mais engraçado é que agora que ando a procurar por um caminho para fora do meu actual emprego, é quando o ambiente está novamente a ficar melhor. Mesmo assim, as coisas nunca vão ficar como eram e eu não vou voltar a adormecer outra vez.
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