Estranho processo o de hoje. Um dia de chuva e de frio.
Daqueles dias que muitas vezes têm efeitos díspares. Ou nos fazem sentir
quentes e aconchegados em qualquer canto onde estejamos ou que nos faz sentir
como se fosse a representação de como nos sentimos: frios, cinzentos, baços,
sem energia. De certa forma hoje andei por estes dois sentimentos. A energia é
gasta, nem nos apercebemos como. Um pensamento gera pensamento, que alimenta
outro pensamento que dá origem a mais uma centena de pensamentos semelhantes.
Quando os pensamentos são positivos, tal não é problemático. Pelo contrário. No
entanto, quando algo nos preocupa e mesmo que essa preocupação surja de maneira
inocente, suave, quase dissimulada e se instala, então essa será o início de
mais uma tempestade interior. E tenta-se combater, tenta-se fazer o
contra-ataque para inverter a situação mas apenas nos apercebemos que é tarde
demais quando nos vemos presos em areias movediças. Quanto mais nos queremos
libertar, quanto mais nos debatemos mais vamos ao fundo. Por vezes não fazer
nada é a melhor forma de combater. Por vezes a não acção é a melhor acção a
ter. As tempestades passam, as nuvens seguem. Nós também seguimos. Talvez o
Bruce Lee tenha razão, talvez tenhamos de ser água. Adaptar-nos às situações se
maleável quando ser maleável é a única forma de prosseguir caminho como quando
a água procura o seu caminho, pelas frinchas das rochas. Nada é imutável, nós
não o somos certamente. Então porque é que tudo parece eterno num dia feio de
Inverno? Talvez seja apenas a desculpa que temos para ficarmos embaixo, para
darmos vazão ao drama, para por uma vez que seja, tudo aquilo que parece
esconder-se nas sombras de um dia de sol possa finalmente ver a luz dia. O que
é certamente é algo que reflecte o que somos e hoje fui cinzento porque o
cinzento, infelizmente ou felizmente, faz parte das cores que tenho disponíveis
para pintar a minha vida. Sinto-me grato por poder pintar a minha vida. Se a
cor de um dia é a cor cinzenta, então que assim seja. E foi esse o processo
hoje. Sentir gratidão, sentir gratidão por todos os processos que aconteceram e
que continuam a acontecer neste preciso momento, quer eu tenha percepção deles
ou não. Sentir gratidão. Verdadeira, por tudo. Não apenas para fazer de conta
ou porque é suposto chegar a um certo ponto e fazer isso. Estar-se grato. A
quantidade de vezes que se perde a paz depois de estarmos gratos só demonstra que
ainda existe uma ou outra lição a aprender.
Estou grato, verdadeiramente, por todas as pessoas que me
acompanharam desde sempre. Mesmo que em dias cinzentos como este me sinta tão
sozinho como julgava nunca mais me sentir, sei que estou mais bem acompanhado
que nunca. A diferença é que os dias cinzentos colocam isso em desafio.
Como disse… há sempre uma outra lição a aprender.
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