sábado, 22 de fevereiro de 2014

21-02-2013

São duas da manhã e estou exausto. Acho que estas noites consecutivas a dormir poucas horas mostram-me que além de eu não gostar de voltar aos velhos tempos de andar com a cabeça cheia de perguntas e respostas, o meu corpo também não. Pelo menos do efeito que tem sobre ele. Foi um dia em que mais uma vez senti a energia a escapar-se pelos dedos, mais uma vez o trabalho foi agonizante e mais uma vez senti-me a ser contagiado por coisas menos boas. Tinha uma terapia marcada em Lisboa, antes de ir fazer mais uma reportagem mas a mesma foi desmarcada. Não admira, neste estado em que estou, como posso eu cuidar de alguém? As coisas arranjam-se sempre de forma perfeita. Se alguma vez temos dúvidas de como é que elas se processam, bem... basta olhar um pouco à nossa volta para perceber em que ponto é que estamos. Ultimamente, cada vez que o faço fico irritado comigo próprio, sempre com a mesma pergunta em tom acusatório:

"Mas tu ainda aí estás?"

É, parece que sim.

Mais uma dose do remédio da minha mãe e fui fazer a reportagem com um amigo meu, com quem não estava há já algum tempo. Foi bom estar com ele, foi bom ouvir aquela música que me faz vibrar de forma tão positiva. A música sempre foi o meu melhor amigo. Em muitas alturas, o meu único amigo. Não que não os tivesse - apesar de os afastar - mas por ser aquele em me compreendia perfeita e completamente. A minha raiva, os meus gritos por justiça, a minha alegria, a minha tristeza. No final, nem a música me pôde ajudar, tal como nenhum amigo nos pode ajudar verdadeiramente quando nós queremos ir ao fundo. Cheguei a casa de rastos e mesmo assim, ainda encontrei forças para vir falar... comigo. É bom sinal. É sinal que não me estou disposto a abandonar mesmo quando estou prestes a colapsar.

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