Hoje foi um dia difícil. Um regresso aos velhos tempos quando julgava que não seria mais possível voltar a vivê-los. O novo namorado da Catarina tem ciúmes de mim. As suas inseguranças fizeram-me revisitar os tempos em que eu próprio tinha um relacionamento com ela e sentia ciúmes do ex-namorado dela. Tempos difíceis e só mais tarde me apercebi o quão inseguro eu era. Tenho que lhe agradecer por isso e na altura agradeci, a ela e a todas as situações que me levaram a demonstrar o quão inseguro estava. E o apego. Como o apego me prendia tanto ao passado como a um futuro que apenas se passava na minha cabeça. É certo que algumas das coisas que eu previ aconteceram mas não sei até que ponto não foram co-criadas por mim. É algo que agora para o caso também não interessa.
Senti alguma empatia por ele, e também pelo facto de ser mais velho que eu e ser terapeuta, vi um futuro em que conviríamos e partilhávamos saber. Com uma sucessão de acontecimentos alucinantes, num dia senti que esses meus sonhos, essas minhas expectativas desapareceram no fumo. Resumindo uma longa história, o namorado não gosta da importância que eu tenho na vida dela e ela como resposta a isso resolve afastar-se. E os velhos demónios voltaram. A raiva. Que raiva incrível. Sentimento de injustiça gritante e a velha sensação de ser vítima dos mimos e caprichos dos outros. E foi nessa altura de auto-comiseração que me ocorreu, talvez não de mim, talvez do exterior, não sei, mas ocorreu-me:
"É um teste."
"É um teste."
Apenas isto.
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