Hoje foi um dia estranho. De manhã, a nossa chefe esteve no nosso escritório e enchi-me de coragem e fui falar com ela. Sempre senti uma segurança e uma familiaridade com ela que sempre me protegeu daquilo que me intimida naturalmente de falar com alguém que está acima de mim hierarquicamente. Mas fi-lo. Abri o coração, como acho que só o tinha feito com ela, como só poderia fazer com ela. E senti-me leve. Não por ela me ter dado a solução que tanto procuro mas por me ter ouvido e por compreender aquilo que estou a passar quando eu próprio muitas vezes não tenho paciência para tal. Não fiz como normalmente faço nestas ocasiões, de preparar um discurso, de antecipar possíveis perguntas, possíveis respostas. Apenas fui despejando conforme fui sentido. Talvez isto seja uma lição para o futuro. Sem grandes planos, apenas ir fazendo conforme as coisas vão aparecendo. Claro que numa conversa é muito mais fácil de fazer do que em decisões de vida mas é um princípio.
Como resultado, fiquei sem dúvida mais leve e pensei que o resto da tarde seria progressivamente mais positiva, mas foi o inverso. Quer dizer, não posso dizer que tenha sido negativa mas positiva não foi de certeza. Fui sentido aos poucos como se me tivesse a afundar em areias movediças. Uma falta de energia impressionante. Impressionante mas não esquisita. Familiar. Algo que já não sentia há muito tempo. Desde que iniciei o caminho do Reiki. Assim que cheguei a casa pedi à minha mãe para fazer uma reza que ela e a minha avó me faziam quando era criança. Sempre me senti bem. Não que fosse o efeito placebo, de automaticamente me sentir bem por estarem a rezar em mim, mas sentia-me bem. Até brincava com elas que eram massagens espirituais. Elas não achavam muita graça, mas acho que de certa forma, na minha ingenuidade, não estava muito longe da verdade. O que é certo é que aquilo que tinha realmente passou. A minha mãe bocejou bastante e comentou que eu estava carregadinho. Realmente sentia-me carregado. Depois dela ter acabado senti-me melhor, mais leve, mais... normal. Estranho sentir-me pesado depois de me ter sentido leve por algo que fiz, que precisava de fazer. Quebranto. Invejas. Coisas que seriam capaz de me levar a levantar muitas questões antigamente:
Quem? Como? Porquê? O que é que eu tenho para invejar? Porque é que não me deixam em paz? Porque é que não me deixam todos em paz?
Na verdade, tenho que assumir as minhas próprias responsabilidades. Não que tenha consciência de ter feito algo para causar inveja mas porque esta semana tem sido uma semana de muita luta interna, muita busca de alma e muita procura pela paz, sem ter paciência para comigo com a falta de resultados. Como tal, sem energia para me proteger, é certo que fico mais apetecível para energias menos boas. Também sei que esta pequena lição não chegará para corrigir todos os buracos de onde me escapam as energias. Ou sequer para os encontrar. Não agora. Com paciência. Um de cada vez.
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