Esta é uma semana de transição. Ou está a ser. Acho que
estou a arrumar e a resolver coisas na minha vida que ficaram pendendes, mas
principalmente, estou a arrumar e a resolver coisas dentro de mim que ficaram
pendentes. Coisas que nem sequer ainda sei muito bem o que são. Andar em
frente, teimosia ou necessidade. Necessidade talvez de realmente mudar tudo e
começar de novo. Acho que nunca senti tanta vontade como essa. Já senti vontade
de acabar tudo… sem estar muito interessado em se começo de novo ou não. Não é
o caso. Já não estou nesse ponto. Amo a vida com uma intensidade que não
conheço em mim ou nunca me permiti a conhecer antes. Sei que tenho muitas
coisas a aprender, muitas coisas a ver, muitas coisas a sentir. Sei que tenho
muito a dar. Tanto mas tanto a dar. Mas confesso, falta-me a paciência.
Falta-me a paciência para comigo, para com o processo natural das coisas,
falta-me a paciência para ter fé, para ter sonhos, para alimentá-los com
emoções positivas. Parafraseando Jim Morrison, eu quero o mundo e eu quero-o
agora, porque de certa forma, sinto que o tenho aos meus pés, como uma promessa
que me foi feita mas que ainda não foi cumprida. Não porque é uma conspiração
contra mim mas porque estou muito ocupado agarrado a coisas que não consigo
largar, e estando nesse ponto, é impossível agarrar o quer que seja.
É impossível. Mas o impossível para mim é apenas o atalho
para ser teimoso e agarrar-me ainda mais. E é nesta altura que por defeito
tento recolher a todas as ferramentas, pessoas disponíveis fora de mim. E
invariavelmente as respostas são sempre as mesmas.
“A resposta está dentro de ti”
O que não ajuda quanto à questão da paciência. Se por outro
lado, encarar isto tudo pelo desafio, então devia estar extasiado porque a cada
fase da minha vida que entro em que parece que as coisas estão a entrar em fase
cruzeiro, as dificuldades que estão escondidas cedo se revelam e mostram que
afinal, afinal, a (minha) vida não é assim tão desinteressante como eu sempre
pensei. Todavia, a energia escapa-se por entre os meus dedos. E isso é algo que
eu tenho que fazer a respeito. Acho que o concerto de ontem também serviu para
falar disso, de ter uma maior consciência do que está cá dentro. Pode parecer
ridículo, mas por vezes só sentimos o que temos cá dentro quando o partilhamos
com alguém. Não posso dizer que tenha sido exactamente o caso de ontem mas foi
algo muito parecido.
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