É estranho não estar num Domingo, na véspera de ir para um sítio onde já não quis estar com tanta força. As malditas depressões de Domingo. E não vou negar que agora não sinta um pouco, afinal este deveria ser o ano em que eu já lá não estava. Mas pegando na consciência que ultimamente tenho tido em abundância, o que eu quis foi fugir, dizendo a mim mesmo coisas que não eram verdade, desculpas e promessas não cumpridas. As condições que temos são estas. Podem não ser as ideais - de certeza que não serão, somos incompletos e insatisfeitos por natureza - mas temos que estar gratos por elas. Só estando gratos por elas é que estamos conscientes do que temos, do que merecemos e daquilo que queremos ter. Estou grato por tudo o que tenho, por todos os projectos, por ter uma família que me ama, um trabalho para me sustentar, colegas e chefias que reconhecem o meu valor. Estou grato por não estar acomodado por esta fase que chamo de transição. Estou grato por saber que vou ter um filho com a Marta seja de que forma for, mesmo que seja numa altura em que tudo me assusta, principalmente a parte financeira, mas também estou grato por não ter o pensamento na carência e por saber que pensar que "o momento certo para o quer que seja nunca será agora" é uma armadilha. Não há amanhã nem houve ontem, a única coisa que temos agora, portanto é agora que tem que acontecer tudo o que tem que acontecer. E enquanto tiver isso em mente, não há nada que não possa acontecer, mesmo que coisas menos boas sejam inevitáveis. Eu aceito-as em conjunto com as boas. Eu aceito. Eu coloco-me no rio.
E finalmente deixo-me ir.
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