O tempo sempre foi o meu grande desafio e de alguma forma, estou a conseguir superá-lo e não é por simplesmente já não ter de ir trabalhar, aquela rotina da qual não me conseguia escapar, até porque aos fins-de-semana tinha o mesmo problema e chegava deprimido ao domingo não por ter de ir trabalhar no dia seguinte mas principalmente por não ter feito tudo aquilo que queria ter feito. A verdade é que nunca vamos estar no controlo absoluto e quanto mais lutamos contra isso, mais infelizes somos. É engraçado como tive que me despedir e arriscar tudo o que tenho para aprender isso. Por vezes é quando estamos a cair que conseguimos ficar lúcidos e finalmente abrir os olhos para ver aquilo que sempre foi óbvio. Muitas vezes ficamos cegos por conveniência ou por medo, mas sabendo que nada dura para sempre, nem mesmo a lucidez, é tentar procurar a felicidade o máximo possível. Aceitar sobretudo. Não escondo a preocupação que tenho acerca do futuro e evito falar disso com as outras pessoas porque não tenho resposta para lhes dar. Sei que tenho que me proteger dessa incerteza. Alguns diria que estaria a fugir à realidade e talvez esteja. Estou a fugir à realidade que não quero viver. Aquela que sempre vivi. Há algo mais para lá disto tudo, há algo mais para mim, eu sei que sim. Ainda não consigo explicar o que é, nem descrever, mas sei que está lá, sinto-o. Nos meus ossos, tenho uma certeza inabalável. E apenas tenho que me agarrar a isso.
Hoje segui o meu coração e comecei a pesquisar sobre que forma posso fazer a rádio um meio de subsistência, com publicidade, com parcerias. A Marta tem sido incansável nesse aspecto, dando-me um apoio fenomenal. As terapias também estão a começar a pegar, tenho tido alguns pedidos de trabalho. Ainda nada de extraordinário mas o suficiente para que eu veja que escolhi mesmo o caminho certo, o caminho do meu coração.
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