Esta coisa da culpa... fiquei a pensar nisso. Acho que é um dos grandes limitadores, daqueles silenciosos. Provavelmente de todos, mas só possa falar de mim e da Marta. Apesar de toda a nossa evolução como seres humanos e espirituais, acho que ainda nos deixamos guiar pela culpa. Talvez não guiar, talvez mais... limitar. Carregamos com estes sacos de tijolos às costas e castigamo-nos como se fossemos criminosos que merecem estar a cumprir pena. Se ninguém nos acusa porque é que nos acusamos a nós próprios? Será que é para que não nos acusem, para que possamos dizer perante o mundo, não é necessário nos castigar porque nós já nos castigamos a nós próprios? Não faz sentido porque o mundo vai sempre castigar-nos e normalmente nunca é pelas coisas pelas quais nos culpamos. Eu, a Marta... e toda a gente... temos que nos libertar deste saco de tijolos. Não posso falar pelos outros, nem posso falar pela Marta e quem me dera poder falar por mim próprio. Cada um tem a sua própria cruz. Grande parte da minha vida julguei que não era digno e que era incapaz de fazer aquilo que queria. Que era indigno de ter a vida que merecia. Despedi-me por acreditar que isso é mentira. Não entrei em pânico pelos mesmos motivos... então porque é que continuo a limitar-me com a culpa? Porque é que continuo a limitar os meus sonhos? Porque é que continuo a pensar que algo é bom demais para mim e que estou a sonhar muito alto?
Eu mereço, porra!
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