Houve algo que li algures numa newsletter do Pedro Vieira que me fez imenso sentido. Os seus ensinamentos de coaching sempre me trouxeram luz quando precisava e agora não foi excepção. Basicamente foi isto...
Dizia-me ela, numa sessão de coaching, que estava mesmo muito mal por causa de "todos os pensamentos que, diariamente, me assaltam e enchem de preocupação e ansiedade". Perguntei-lhe se gostava de cinema ou de ver séries de televisão. Ela respondeu afirmativamente, o que abriu espaço para o seguinte diálogo:
- Quando vê uma série de televisão, por exemplo, isso cria-lhe preocupação e ansiedade?
- Claro que não. É só uma série. É entretenimento,
- E podia gerar ansiedade, não era? Afinal de contas, nas séries acontecem coisas perturbadoras.
- Sim, só que não são a sério!
- Então e os seus pensamentos? São a sério?
- Claro que são!
- Como é que sabe isso?
- Porque estão a acontecer dentro da minha cabeça.
- E isso faz deles uma coisa a ser levada a sério? O que aconteceria se não acreditasse nos seus pensamentos? Se os levasse como uma ficção?
- Bem, nesse caso talvez não me preocupasse tanto!
- Talvez a raiz da sua preocupação e ansiedade não esteja nos pensamentos que a assaltam e sim na forma como se relaciona com eles, levando-os a sério.
- No seu caso não tem pensamentos perturbadores?
- Claro que tenho. Muitos!
- E o que faz quanto a eles?
- Tomo-os como entretenimento. Divirto-me muito com os meus pensamentos perturbadores. E assim já nem preciso de ver séries de televisão.
Os nossos pensamentos são maravilhosas obras de ficção, especulações sobre o mundo e a vida, agrupamentos de palavras que tomam certos e determinados significados. Acreditar nos pensamentos, principalmente naqueles que nos colocam em estados de poucos recursos é o resultado de não entender a natureza ficcional dos pensamentos.
E é isto que eu precisava ouvir neste preciso momento. Se eu não consigo direccionar os meus pensamentos, então pelo menos eu devo desconsiderá-los quando eles são negativos. Parece mais fácil do que aquilo que talvez é, mas como tudo na vida, talvez seja uma questão de prática.
Porque não começar agora?
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