quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

12-02-2014

"Respira...

A pulsação está acelerada, o corpo estica-se com as mãos agarradas ao passado enquanto o presente leva-o para longe. O tempo não vai parar. O tempo não pára. Não para ti. Não para ti. Não aqui. E tu sabes que também é tudo uma questão de tempo. Até que as mãos falhem ou até que o corpo ceda. Nada dura para sempre e o esforço para manter algo de forma natural, menos tempo dura. Quando permitires o tempo andar, quando te permitires a ir com ele, perceberás que o teu lugar não é no passado, nem no presente feito de ilusões. O tempo é a tua onda. Permite-te a andar nela sem resistência. Permite-te a que te traga aquilo que pediste. Respira... permite... confia."

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

11-02-2014

Estranho processo o de hoje. Um dia de chuva e de frio. Daqueles dias que muitas vezes têm efeitos díspares. Ou nos fazem sentir quentes e aconchegados em qualquer canto onde estejamos ou que nos faz sentir como se fosse a representação de como nos sentimos: frios, cinzentos, baços, sem energia. De certa forma hoje andei por estes dois sentimentos. A energia é gasta, nem nos apercebemos como. Um pensamento gera pensamento, que alimenta outro pensamento que dá origem a mais uma centena de pensamentos semelhantes. Quando os pensamentos são positivos, tal não é problemático. Pelo contrário. No entanto, quando algo nos preocupa e mesmo que essa preocupação surja de maneira inocente, suave, quase dissimulada e se instala, então essa será o início de mais uma tempestade interior. E tenta-se combater, tenta-se fazer o contra-ataque para inverter a situação mas apenas nos apercebemos que é tarde demais quando nos vemos presos em areias movediças. Quanto mais nos queremos libertar, quanto mais nos debatemos mais vamos ao fundo. Por vezes não fazer nada é a melhor forma de combater. Por vezes a não acção é a melhor acção a ter. As tempestades passam, as nuvens seguem. Nós também seguimos. Talvez o Bruce Lee tenha razão, talvez tenhamos de ser água. Adaptar-nos às situações se maleável quando ser maleável é a única forma de prosseguir caminho como quando a água procura o seu caminho, pelas frinchas das rochas. Nada é imutável, nós não o somos certamente. Então porque é que tudo parece eterno num dia feio de Inverno? Talvez seja apenas a desculpa que temos para ficarmos embaixo, para darmos vazão ao drama, para por uma vez que seja, tudo aquilo que parece esconder-se nas sombras de um dia de sol possa finalmente ver a luz dia. O que é certamente é algo que reflecte o que somos e hoje fui cinzento porque o cinzento, infelizmente ou felizmente, faz parte das cores que tenho disponíveis para pintar a minha vida. Sinto-me grato por poder pintar a minha vida. Se a cor de um dia é a cor cinzenta, então que assim seja. E foi esse o processo hoje. Sentir gratidão, sentir gratidão por todos os processos que aconteceram e que continuam a acontecer neste preciso momento, quer eu tenha percepção deles ou não. Sentir gratidão. Verdadeira, por tudo. Não apenas para fazer de conta ou porque é suposto chegar a um certo ponto e fazer isso. Estar-se grato. A quantidade de vezes que se perde a paz depois de estarmos gratos só demonstra que ainda existe uma ou outra lição a aprender.

Estou grato, verdadeiramente, por todas as pessoas que me acompanharam desde sempre. Mesmo que em dias cinzentos como este me sinta tão sozinho como julgava nunca mais me sentir, sei que estou mais bem acompanhado que nunca. A diferença é que os dias cinzentos colocam isso em desafio.


Como disse… há sempre uma outra lição a aprender.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

10-02-2014

A vontade de sair deste emprego está realmente a apertar, mas o que é bom é que sinto uma certa paz. Sinto que estagnei. Da última vez que senti estagnado num trabalho, tentei desesperadamente sair até que simplesmente desisti e acomodei-me. Ou assim me recordo. Toda essa fase da minha vida é um pouco nublada como se estivesse estado adormecido. De certa forma, estive mesmo. E mais recente, quando fui despedido e vim para onde estou agora, também queria fugir a todo o custo mas nessa altura, daquilo que eu queria fugir, não havia escapatória. Apesar de poder estar um pouco parado em termos de iniciativa, não creio que esteja inerte. Talvez me esteja a enganar a mim próprio, mas... talvez seja esperança ou certeza. Ou então é apenas algo que me diz que tenho de ser menos analítico comigo mesmo. Talvez não me esteja a esforçar muito ou talvez me esteja a esforçar demasiado, nada disso interessa se qualquer um desses estados me faça sentir mal. É uma questão de confiar em mim. Confiar em mim o suficiente para saber que sou capaz de superar os desafios que me aparecem e principalmente, sou capaz de fazer aquilo que quero fazer.

Agora a paciência para tal... essa é outra questão.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

09-02-2014

O mundo lá fora parece que está a acabar. Não me recordo de ter estado uma tempestade tão forte... só por breves momentos mais de vinte anos atrás, mas de resto... tanto vento e chuva... parece coisa de filme. De qualquer forma, estando em casa, mesmo com a luz a falhar de vez em quando, permite-me a passar um bom tempo de qualidade comigo próprio. Não há melhor vida que esta. Tempestade lá fora, paz cá dentro. A natureza a ajudar a pôr as coisas em perspectiva. 

08-02-2014

Hoje foi um dia fantástico. Daqueles que nos fazem sentir bem por estarmos vivos. Não por ter acontecido algo extraordinário, um evento que mudasse a vida mas por ter tido tanto carinho, ter dado tanto carinho que nos últimos tempos, parece uma benção caída do céu. Combinei um encontro com a Carmen, com quem já não estava há quase três anos e acabámos por ir ter com a Miriam e com a sua filha de cinco meses, Gabriela. Já não estava com a Miriam há coisa de sete anos... ou coisa que o valha. Vê-la agora com uma filha... a vida realmente não passa por nós. Ela voa mesmo. Mudei a fralda à miúda e curiosamente até foi algo que fiz com algum gosto. Senti-me preparado para o fazer. Mas melhor que isso foi a recepção da bebé, estranhar ao início mas depois a rir. Tão querida... eu e as crianças... realmente temos uma ligação qualquer. Uma boa forma de ver que o meu instinto paternal continua activo. Depois de termos estado com a Miriam, o marido e a bebé, eu e a Carmen fomos passear e acabámos por ir jantar a um restaurante indiano, sempre a falarmos das nossas aventuras e desventuras. Da minha parte, obviamente que aquilo que se passou nas últimas semanas teve que vir à baila. Na verdade, tive que contar toda a minha história com a  Catarina, já que da última vez que tivemos juntos, ainda eramos um casal, então houve muita conversa a por em dia.

É bom sentir a amizade, mais uma vez, que resiste ao tempo e à ausência. É bom sentir que por muito que o tempo passe, que aquele primeiro impacto que juntou duas ou mais pessoas, continua presente, continua forte e sólido. É bom sentir que por mais dificuldades que se atravessem na vida, não há nada que belisque isso. Tal como com o João e a Sara, foi o sentir, como a Sara disse, não importa o tempo, não importa a distância, é isto a verdadeira amizade. Dá para colocar as coisas em perspectiva e não terá sido por acaso certamente, ter em menos de um mês a mesma forte sensação. Também foi um alívio ouvir da Carmen que eu estava mais leve, mais jovem, mais bonito. Parece que a paz interior - apesar de tudo - também passa para o exterior. Foi um grande Sábado.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

07-02-2014

Odeio a sensação de um dia descendente. Aquele em que se está com uma certa disposição, positiva, e que depois vai mudando ao longo do dia. O ânimo vai quebrando. Não vou dizer que ficou negativa, mas ficou o suficiente para me aborrecer. Houve coisas positivas, claro, conversas agradáveis, partilhas... mas... há sempre um antes e um depois. Há sempre um antes... e um depois. E o depois não é mau, apenas faz desejar que não houvesse o antes. E foi neste momento, com esta linha de raciocínios que eu me apercebi onde estava novamente e em como é cíclico voltar a este local. Se estou a andar em círculos, a minha esperança é que seja uma espiral e que mesmo que fazendo um trajecto menos económico em termos de esforço, pelo menos há a perspectiva de chegar a algum lado que não seja o mesmo sítio. Quando mais afastado estiver da espiral, mais longe estarei dos efeitos daquilo que está no centro. Só preciso de continuar a andar, dar-me a mim próprio o tempo e paciência para fazer essa viagem.

O dia terminou com uma massagem. É sempre gratificante. Poder sentir que ajudo as pessoas de alguma forma com o trabalho de terapeuta, é demais gratificante, mas também me assusta. Andar a caminhar espirais e ficar com sentimento de culpa por esse facto poder-me impedir de dar o meu melhor. Talvez, o começo pela paciência comigo próprio não seja só numa situação mas seja em tudo. Por muito melhor que esteja, nunca é suficiente. A paciência é sem dúvida uma virtude que estou a trabalhar fortemente. Hoje serviu-me para lembrar que ainda estou no início. 

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

06-02-2014

É engraçado ver como quando se começa a mudar o foco aos poucos, em pouco tempo os resultados são satisfatórios. Toda a crise das semanas anteriores resumem-se a uns picos que tenho no coração de vez em quando e à forma como estou a trabalhar o perdão. Tenho sido paciente comigo, e com as outras pessoas. Tenho-me surpreendido a forma como consegui lidar com o meu sobrinho, ele que no passado me tirava tanto do sério e agora... continua a tirar à mesma, mas não reajo com agressividade. Sou uma pessoa diferente, para melhor. Hoje uma amiga minha comentou isso mesmo, que estava bem diferente, mais aberto às pessoas. Por outro lado, a Sofia, que tem sensibilidade fantástica e assim que nos conhecemos ligou-se à minha energia e tem andado sempre a passar-me informação, disse-me que apesar de todas as relações fortes que tive, todas aquelas que marcaram, que me marcaram profundamente, que nenhuma chegou a um lado meu que ainda não mostrei a ninguém. Não sei se esse lado é bom ou mau, mas creio que seja algo tão meu que nem eu sei bem ou consigo identificar o que é.

Dá o que pensar. Se aquilo que senti, que foi avassalador, não foi suficiente, então para chegar lá, terá de ser o equivalente a tudo o que já me apareceu junto. Ou seja, deverá ser algo para me fazer morrer de felicidade antes do primeiro toque.