quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

11-02-2016

Estou exausto. Embora possa dizer hoje, com ou sem orgulho - não interessa - que já passei por muitas merdas na minha vida, que já consegui superar muito buraco negro na minha vida, neste momento... estou exausto. Não estou triste, não estou deprimido. Apenas estou exaurido. Sem energias, sem vontade de fazer o quer que seja. Não há nenhum pingo de emoção nisto de tristeza. Apenas cansaço. Estou tão cansado que nem tenho energias para tentar perceber se cansaço é uma emoção. Não interessa... por mais que ande cheio de raiva pelo mundo, não passo de um hamster às voltas na roda. E esta conclusão sempre me deixou resignado. Não há nada que possa fazer, não há nada a fazer. Estou preso. Bem... que se lixe.

Vou-me despedir!

domingo, 3 de janeiro de 2016

03-01-2016

É estranho não estar num Domingo, na véspera de ir para um sítio onde já não quis estar com tanta força. As malditas depressões de Domingo. E não vou negar que agora não sinta um pouco, afinal este deveria ser o ano em que eu já lá não estava. Mas pegando na consciência que ultimamente tenho tido em abundância, o que eu quis foi fugir, dizendo a mim mesmo coisas que não eram verdade, desculpas e promessas não cumpridas. As condições que temos são estas. Podem não ser as ideais - de certeza que não serão, somos incompletos e insatisfeitos por natureza - mas temos que estar gratos por elas. Só estando gratos por elas é que estamos conscientes do que temos, do que merecemos e daquilo que queremos ter. Estou grato por tudo o que tenho, por todos os projectos, por ter uma família que me ama, um trabalho para me sustentar, colegas e chefias que reconhecem o meu valor. Estou grato por não estar acomodado por esta fase que chamo de transição. Estou grato por saber que vou ter um filho com a Marta seja de que forma for, mesmo que seja numa altura em que tudo me assusta, principalmente a parte financeira, mas também estou grato por não ter o pensamento na carência e por saber que pensar que "o momento certo para o quer que seja nunca será agora" é uma armadilha. Não há amanhã nem houve ontem, a única coisa que temos agora, portanto é agora que tem que acontecer tudo o que tem que acontecer. E enquanto tiver isso em mente, não há nada que não possa acontecer, mesmo que coisas menos boas sejam inevitáveis. Eu aceito-as em conjunto com as boas. Eu aceito. Eu coloco-me no rio.

E finalmente deixo-me ir.

31-12-2015

Apercebi-me agora de uma coisa engraçada. A maneira como sempre me sempre senti vazio na altura do Natal e ano novo sempre foi devido a um sentimento ingénuo de que estas épocas sempre iriam trazer o fim a algo. Como se fosse o final de um filme ou livro. O fim de algo. É certo que o ano acaba, mas o final fica sempre aquém. Fica sempre a faltar alguma coisa. Um final em grande. Bombástico. As crianças dão-se bem, o casal é mais feliz que nunca, o negócio é fechado, a expansão é assegurada. No entanto, as coisas na realidade não são bem assim, não por não ser possível acontecer todas estas coisas fantásticas, mas por simplesmente não haver fim. Nem mesmo quando a nossa vida acaba, tudo continua. Não da maneira que estávamos habituados mas mesmo assim continua. Não há fim. É incrível que com trinta e cinco anos de vida, só agora é que me apercebi de que uma das principais razões das minhas depressões de final de ano, além de tudo aquilo que passei no passado, era algo tão simples como isto. Não estou a dizer que agora estou a passar pelo mesmo. Estou... consciente. Consciente de que apesar de tudo o que aprendi, continuo a aguardar por épocas como estas para esperar que o final feliz que eu acho que desejo me cai do céu como o milagre dado por um anjo que ainda não ganhou as suas asas. A questão é que estamos presos neste plano existencial. Se há teorias que dizem que o futuro, passado e presente acontecem simultaneamente, então, mais que nunca, só temos o agora para viver. Por isso, hoje, nas últimas horas que este ano de 2015 tem para me dar, eu avanço para o futuro com a consciência de que, mais que nunca, tudo depende de mim e não de um argumentista fantasma para um filme que não sabemos se vai ser filmado ou não.

2015 não foi a concretização de todas as promessas que tinha feito a mim mesmo. Foi a concretização e solidificação de outras. Sim, é melhor solidificar as bases do que estar a construir telhados sem fundações. 2016... não vou dizer que será isto ou o outro, apenas que... 2016 vai continuar a trazer-me ainda mais consciência de onde eu estou, de quem eu sou. E isso, vai levar-me onde eu devo ir. Que é o que tenho feito até agora, de forma mais ou menos inconsciente.

Feliz 2016.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

27-12-15

Dois anos. Dois anos desde que conheci a Marta. Quem diria que de uma abordagem tão simples e inocente, acabaria por resultar na relação que mais estabilidade e paz me tem trazido? É, continua a ser, a prova maior de uma grande verdade. A vida acontece quando estamos distraídos a fazer outras coisas. Tento pegar no exemplo da nossa relação para a área profissional, que é a parte da minha vida que continua a tirar-me um pouco a paz, só que as coisas não funcionam bem assim não é? Quando estamos a contar com algo, é difícil sermos naturais e fazermos de conta de que estamos ignorantes. No entanto, acaba por ser nesse ponto que vou sempre parar. De qualquer forma, a diferença de agora com o antes, é que ter a Marta do meu lado é como se eu tivesse uma bateria nuclear de apoio. É crto que as coisas por vezes não são fáceis, os tempos também não são fáceis, mas existe um amor e um companheirismo que é absolutamente viciante e com o qual já não consigo imaginar-me a viver. 

2 anos e parece que já passou uma vida inteira.

Quero... Queremos mais!

23-12-2015

É incrível como ainda me surpreendo com a rapidez com o tempo passa. Mesmo estando num sítio completamente diferente, mesmo não ansiando tanto como antes, quando este dia chega ao final, há sempre uma sensação de rapidez à qual ainda não me habituei. Talvez nunca me habitue. Trinta e cinco anos... e ainda tanta coisa para fazer. É bom sentir que ainda se tem o futuro à frente e que não se errou muito pelo caminho. Isto é, quando errei foi o caminho necessário para chegar exactamente... aqui.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

22-12-2015

Véspera de mais um aniversário e tenho muito pelo qual ser grato. E a pensar que anos atrás esta era uma época de separação para mim. Uma época em que me sentia desconectado dos outros, triste e isolado, a sentir que faltava-me sempre algo. Um pedaço grande. Mesmo nas épocas em que tinha relacionamentos, ou era uma relação à distância ou o relacionamento só existia na minha cabeça. Seja como for, é bom apreciar, ou melhor, sentir a mudança. Ainda passei por uma fase que me era um pouco indiferente, que nem o aspecto material, nem o aspecto de celebração me faziam qualquer diferença. Felizmente, hoje em dia está tudo muito diferente. A minha vida mudou e eu consigo apreciar essa diferença, felizmente. Estou grato também por isso. Estou grato por conseguir ver aquilo que a vida me dá de bom, conseguir apreciar a presença daqueles que amo. Sei que ainda não estou ponto e sei que o sítio onde estou hoje é mais à frente do ponto onde estava ontem e será mais atrás do sítio onde estarei amanhã, mas na realidade, isso não interessa muito. O que interessa é que estou vivo e feliz por isso. E, sobretudo, grato!

domingo, 13 de dezembro de 2015

14-12-15

É quando volto às páginas deste diário que me apercebo de que como a vida muda tanto que às vezes parece que não muda nada. Ou por outras palavras, somos nós que mudamos muitas das vezes e vemos a vida de outra forma. E a minha vida, como tem andado? Voltei a escrever, voltei a sentir gosto pela escrita embora o peso de ter de gastar 40 horas semanais a fazer algo que não gosto ainda não me tenha abandonado.No entanto, consegui encontrar uma paz interior que julgava ser possível atingir. Pelo menos atingir sem cumprir aquilo que julgo necessário ou que julgava necessário, que seria mudar de emprego. Claro que a presença da Marta na minha vida tornou tudo um pouco mais fácil. Felizmente. E é em parte por causa dela que eu decidi começar um diário de gratidão. De uns tempos para cá, é complicado ter o tempo necessário para me sentar aqui mas de qualquer forma vou fazer para que consiga cumprir. E em é que consiste o desafio? Todos os dias apontar aqui algo pela qual esteja grato, mesmo que seja a coisa mais ínfima.

Assim sendo... estou grato pela Marta estar na minha vida. Estou grato por ter um sítio onde chamo lar com ela. Estou grato por ter comida na mesa.

Profundamente grato.