segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

15-02-2016

Chega de me lamentar. Eu não escolhi despedir-me por ser um fracassado que não aguento estar num trabalho que me consume. Eu escolhi despedir-me porque sei que a minha vida passa por um outro caminho, que há coisas melhores para mim, que há algo mais, algo maior para mim, que tenho capacidades para muito mais. Demasiado tempo estive adormecido e demasiado tempo estive à espera. É chegado o momento de tirar a cabeça do rabo e começar a fazer algo por mim, por aquilo que quero para mim, por aquilo que há para mim, por aquilo que mereço e se antes poderia pensar que eram três coisas distintas, agora tenho a certeza que não. Há um mundo de possibilidades à minha espera, eu sei que sim, eu sinto que sinto. Sinto-o como se estivesse à minha frente. A sensação de estar no caminho errado, de estar preso enquanto a vida passa no outro lado da vedação acabou. Hoje estou verdadeiramente livre para seguir o caminho que vi sempre à distância. 

Eu estou no caminho!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

14-02-2016

Dia dos Namorados. Acho que não fui a melhor companhia para a Marta mas ela... ela está sempre presente para mim. Incansável. Acho que se não fosse isso não seria capaz de avançar, mas agora o peso da responsabilidade da minha acção vai falar mais alto. Não posso trair a confiança dela, não vou trair a confiança dela!

Amanhã... é o primeiro dia em que não vou me levantar cedo.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

13-02-2016

O dia passou à frente dos meus olhos e não fiz nada. Cada vez mais sinto-me inútil e eu sei que tenho que sacudir este sentimento, não posso cair nos mesmos poços onde caí antes. Tenho que me dar um abanão a mim próprio. Mas não hoje, hoje estou exausto demais para isso. Amanhã, amanhã é um novo dia.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

12-02-2016

Hoje deve ter sido um dos dias mais difíceis da minha vida.Ter uma conversa sobre algo que tenho dentro de mim há tanto tempo e manter a coerência emocional não foi fácil. Foi neste momento que passei em revista tudo aquilo que vivi desde o início de Novembro de 2007. Todas as quedas que dei, todos os buracos fundos que escavei e a forma como consegui recuperar de tudo isso. Conseguir fazer algo que nunca julguei pensar ser capaz, vencer os meus medos, vencer os meus traumas, conseguir ter auto-estima. Este trabalho trouxe-me muito destas conquistas mas foi graças à minha perseverança que consegui superar tudo. Estou grato ao trabalho pelo desafio e pela estabilidade que me trouxe, mas neste momento estava mais que provado que tinha que dar o passo seguinte. O passo que nunca dei por receio. Nunca contei isto nestas páginas mas já antes me despedi. Foi no final de 2000... Outubro, se não estou em erro. Na altura fiz um braço de ferro com o meu patronato que resultou em ter de me demitir para não perder face. Sei que o fiz (por muito que a memória e a distância do tempo nos deixe a tendência para romantizar o que se passou) como uma forma de fuga. Não quis enfrentar as mudanças que iam haver e estava até revoltado com elas. Comparando-me com agora, 16 anos mais velho (tanto tempo, e parece que foi ali tão perto... e mesmo assim, uma vida inteira de mudanças passou) não é uma fuga, por muito que já me sentisse sufocado por tudo. Não é uma fuga, é o início do meu caminho. Do meu projecto pessoal. No início de hoje tive muito medo do início do dia de amanhã. O dia em que me levanto e sento na cama e faço a pergunta.

"E agora?"

No final do dia de hoje não fiquei mais esclarecido. Estou mais leve, sem dúvida, mas continuo sem saber o que raio vou fazer à minha vida. Encará-la. Foi o que me decidi a fazer. Deixar de fugir de mim mesmo, daquilo que sinto e encarar o que me estava acontecer. Não fugi com receio, fui em direcção à paz. Tenho valor, sei aquilo que valho, sei o que consigo fazer, sei o que quero. Quero fazer muita coisa... demasiadas coisas, é certo, mas mesmo assim, quero começar por algo. Quero ter o orgulho de poder dizer "Eu criei isto. Estão aqui as minhas lágrimas, o meu sangue e suor". Neste momento já consigo dizer isto pela minha passagem neste trabalho. Foram quase dez anos, mas agora... agora vou começar o meu caminho. O meu verdadeiro caminho.

Tudo começa aqui.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

11-02-2016

Estou exausto. Embora possa dizer hoje, com ou sem orgulho - não interessa - que já passei por muitas merdas na minha vida, que já consegui superar muito buraco negro na minha vida, neste momento... estou exausto. Não estou triste, não estou deprimido. Apenas estou exaurido. Sem energias, sem vontade de fazer o quer que seja. Não há nenhum pingo de emoção nisto de tristeza. Apenas cansaço. Estou tão cansado que nem tenho energias para tentar perceber se cansaço é uma emoção. Não interessa... por mais que ande cheio de raiva pelo mundo, não passo de um hamster às voltas na roda. E esta conclusão sempre me deixou resignado. Não há nada que possa fazer, não há nada a fazer. Estou preso. Bem... que se lixe.

Vou-me despedir!

domingo, 3 de janeiro de 2016

03-01-2016

É estranho não estar num Domingo, na véspera de ir para um sítio onde já não quis estar com tanta força. As malditas depressões de Domingo. E não vou negar que agora não sinta um pouco, afinal este deveria ser o ano em que eu já lá não estava. Mas pegando na consciência que ultimamente tenho tido em abundância, o que eu quis foi fugir, dizendo a mim mesmo coisas que não eram verdade, desculpas e promessas não cumpridas. As condições que temos são estas. Podem não ser as ideais - de certeza que não serão, somos incompletos e insatisfeitos por natureza - mas temos que estar gratos por elas. Só estando gratos por elas é que estamos conscientes do que temos, do que merecemos e daquilo que queremos ter. Estou grato por tudo o que tenho, por todos os projectos, por ter uma família que me ama, um trabalho para me sustentar, colegas e chefias que reconhecem o meu valor. Estou grato por não estar acomodado por esta fase que chamo de transição. Estou grato por saber que vou ter um filho com a Marta seja de que forma for, mesmo que seja numa altura em que tudo me assusta, principalmente a parte financeira, mas também estou grato por não ter o pensamento na carência e por saber que pensar que "o momento certo para o quer que seja nunca será agora" é uma armadilha. Não há amanhã nem houve ontem, a única coisa que temos agora, portanto é agora que tem que acontecer tudo o que tem que acontecer. E enquanto tiver isso em mente, não há nada que não possa acontecer, mesmo que coisas menos boas sejam inevitáveis. Eu aceito-as em conjunto com as boas. Eu aceito. Eu coloco-me no rio.

E finalmente deixo-me ir.

31-12-2015

Apercebi-me agora de uma coisa engraçada. A maneira como sempre me sempre senti vazio na altura do Natal e ano novo sempre foi devido a um sentimento ingénuo de que estas épocas sempre iriam trazer o fim a algo. Como se fosse o final de um filme ou livro. O fim de algo. É certo que o ano acaba, mas o final fica sempre aquém. Fica sempre a faltar alguma coisa. Um final em grande. Bombástico. As crianças dão-se bem, o casal é mais feliz que nunca, o negócio é fechado, a expansão é assegurada. No entanto, as coisas na realidade não são bem assim, não por não ser possível acontecer todas estas coisas fantásticas, mas por simplesmente não haver fim. Nem mesmo quando a nossa vida acaba, tudo continua. Não da maneira que estávamos habituados mas mesmo assim continua. Não há fim. É incrível que com trinta e cinco anos de vida, só agora é que me apercebi de que uma das principais razões das minhas depressões de final de ano, além de tudo aquilo que passei no passado, era algo tão simples como isto. Não estou a dizer que agora estou a passar pelo mesmo. Estou... consciente. Consciente de que apesar de tudo o que aprendi, continuo a aguardar por épocas como estas para esperar que o final feliz que eu acho que desejo me cai do céu como o milagre dado por um anjo que ainda não ganhou as suas asas. A questão é que estamos presos neste plano existencial. Se há teorias que dizem que o futuro, passado e presente acontecem simultaneamente, então, mais que nunca, só temos o agora para viver. Por isso, hoje, nas últimas horas que este ano de 2015 tem para me dar, eu avanço para o futuro com a consciência de que, mais que nunca, tudo depende de mim e não de um argumentista fantasma para um filme que não sabemos se vai ser filmado ou não.

2015 não foi a concretização de todas as promessas que tinha feito a mim mesmo. Foi a concretização e solidificação de outras. Sim, é melhor solidificar as bases do que estar a construir telhados sem fundações. 2016... não vou dizer que será isto ou o outro, apenas que... 2016 vai continuar a trazer-me ainda mais consciência de onde eu estou, de quem eu sou. E isso, vai levar-me onde eu devo ir. Que é o que tenho feito até agora, de forma mais ou menos inconsciente.

Feliz 2016.