domingo, 3 de janeiro de 2016

31-12-2015

Apercebi-me agora de uma coisa engraçada. A maneira como sempre me sempre senti vazio na altura do Natal e ano novo sempre foi devido a um sentimento ingénuo de que estas épocas sempre iriam trazer o fim a algo. Como se fosse o final de um filme ou livro. O fim de algo. É certo que o ano acaba, mas o final fica sempre aquém. Fica sempre a faltar alguma coisa. Um final em grande. Bombástico. As crianças dão-se bem, o casal é mais feliz que nunca, o negócio é fechado, a expansão é assegurada. No entanto, as coisas na realidade não são bem assim, não por não ser possível acontecer todas estas coisas fantásticas, mas por simplesmente não haver fim. Nem mesmo quando a nossa vida acaba, tudo continua. Não da maneira que estávamos habituados mas mesmo assim continua. Não há fim. É incrível que com trinta e cinco anos de vida, só agora é que me apercebi de que uma das principais razões das minhas depressões de final de ano, além de tudo aquilo que passei no passado, era algo tão simples como isto. Não estou a dizer que agora estou a passar pelo mesmo. Estou... consciente. Consciente de que apesar de tudo o que aprendi, continuo a aguardar por épocas como estas para esperar que o final feliz que eu acho que desejo me cai do céu como o milagre dado por um anjo que ainda não ganhou as suas asas. A questão é que estamos presos neste plano existencial. Se há teorias que dizem que o futuro, passado e presente acontecem simultaneamente, então, mais que nunca, só temos o agora para viver. Por isso, hoje, nas últimas horas que este ano de 2015 tem para me dar, eu avanço para o futuro com a consciência de que, mais que nunca, tudo depende de mim e não de um argumentista fantasma para um filme que não sabemos se vai ser filmado ou não.

2015 não foi a concretização de todas as promessas que tinha feito a mim mesmo. Foi a concretização e solidificação de outras. Sim, é melhor solidificar as bases do que estar a construir telhados sem fundações. 2016... não vou dizer que será isto ou o outro, apenas que... 2016 vai continuar a trazer-me ainda mais consciência de onde eu estou, de quem eu sou. E isso, vai levar-me onde eu devo ir. Que é o que tenho feito até agora, de forma mais ou menos inconsciente.

Feliz 2016.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

27-12-15

Dois anos. Dois anos desde que conheci a Marta. Quem diria que de uma abordagem tão simples e inocente, acabaria por resultar na relação que mais estabilidade e paz me tem trazido? É, continua a ser, a prova maior de uma grande verdade. A vida acontece quando estamos distraídos a fazer outras coisas. Tento pegar no exemplo da nossa relação para a área profissional, que é a parte da minha vida que continua a tirar-me um pouco a paz, só que as coisas não funcionam bem assim não é? Quando estamos a contar com algo, é difícil sermos naturais e fazermos de conta de que estamos ignorantes. No entanto, acaba por ser nesse ponto que vou sempre parar. De qualquer forma, a diferença de agora com o antes, é que ter a Marta do meu lado é como se eu tivesse uma bateria nuclear de apoio. É crto que as coisas por vezes não são fáceis, os tempos também não são fáceis, mas existe um amor e um companheirismo que é absolutamente viciante e com o qual já não consigo imaginar-me a viver. 

2 anos e parece que já passou uma vida inteira.

Quero... Queremos mais!

23-12-2015

É incrível como ainda me surpreendo com a rapidez com o tempo passa. Mesmo estando num sítio completamente diferente, mesmo não ansiando tanto como antes, quando este dia chega ao final, há sempre uma sensação de rapidez à qual ainda não me habituei. Talvez nunca me habitue. Trinta e cinco anos... e ainda tanta coisa para fazer. É bom sentir que ainda se tem o futuro à frente e que não se errou muito pelo caminho. Isto é, quando errei foi o caminho necessário para chegar exactamente... aqui.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

22-12-2015

Véspera de mais um aniversário e tenho muito pelo qual ser grato. E a pensar que anos atrás esta era uma época de separação para mim. Uma época em que me sentia desconectado dos outros, triste e isolado, a sentir que faltava-me sempre algo. Um pedaço grande. Mesmo nas épocas em que tinha relacionamentos, ou era uma relação à distância ou o relacionamento só existia na minha cabeça. Seja como for, é bom apreciar, ou melhor, sentir a mudança. Ainda passei por uma fase que me era um pouco indiferente, que nem o aspecto material, nem o aspecto de celebração me faziam qualquer diferença. Felizmente, hoje em dia está tudo muito diferente. A minha vida mudou e eu consigo apreciar essa diferença, felizmente. Estou grato também por isso. Estou grato por conseguir ver aquilo que a vida me dá de bom, conseguir apreciar a presença daqueles que amo. Sei que ainda não estou ponto e sei que o sítio onde estou hoje é mais à frente do ponto onde estava ontem e será mais atrás do sítio onde estarei amanhã, mas na realidade, isso não interessa muito. O que interessa é que estou vivo e feliz por isso. E, sobretudo, grato!

domingo, 13 de dezembro de 2015

14-12-15

É quando volto às páginas deste diário que me apercebo de que como a vida muda tanto que às vezes parece que não muda nada. Ou por outras palavras, somos nós que mudamos muitas das vezes e vemos a vida de outra forma. E a minha vida, como tem andado? Voltei a escrever, voltei a sentir gosto pela escrita embora o peso de ter de gastar 40 horas semanais a fazer algo que não gosto ainda não me tenha abandonado.No entanto, consegui encontrar uma paz interior que julgava ser possível atingir. Pelo menos atingir sem cumprir aquilo que julgo necessário ou que julgava necessário, que seria mudar de emprego. Claro que a presença da Marta na minha vida tornou tudo um pouco mais fácil. Felizmente. E é em parte por causa dela que eu decidi começar um diário de gratidão. De uns tempos para cá, é complicado ter o tempo necessário para me sentar aqui mas de qualquer forma vou fazer para que consiga cumprir. E em é que consiste o desafio? Todos os dias apontar aqui algo pela qual esteja grato, mesmo que seja a coisa mais ínfima.

Assim sendo... estou grato pela Marta estar na minha vida. Estou grato por ter um sítio onde chamo lar com ela. Estou grato por ter comida na mesa.

Profundamente grato.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

13-11-2015

O mundo dá voltas e voltas, tantas voltas que irremediavelmente, quando damos conta, vamos parar ao mesmo sítio. Da última vez que escrevi aqui, julguei-me livre. Quer dizer, gritei e estabeleci essa independência, mas aquilo que descobri é que a liberdade nunca é aquilo que pensamos e as independências gritadas normalmente são sempre aquelas que se transformam noutras prisões disfarçadas. Mas eu não vim aqui hoje para me queixar, não sinto essa necessidade. E está aqui a grande aprendizagem. O mundo realmente dá voltas e voltas e infalivelmente vamos parar ao mesmo sítio, mas cabe-nos a nós ter tido as aprendizagens - ou pelo menos estar abertas a elas - o suficiente para que quando voltamos ao mesmo sítio, não sermos mais os mesmos. E é precisamente nesse ponto onde estou actualmente.

A humildade ajuda-nos a ter paciência e a paciência obriga-nos a estimularmos e praticarmos a nossa humildade. Humildade e gratidão. Por isso sou grato. Sou grato por todo este caminho, por ter uma mulher fantástica como a Marta a meu lado, para me apoiar e fazer lembrar disso mesmo. Da humildade e da paciência. Mas sobretudo para me inspirar e dar o exemplo. Desde Junho, a última vez que escrevi neste diário, não consegui fazer aquilo que tanto ambiciono. Dedicar-me às terapias e dar vazão a esta voz dentro de mim que quer falar. Na realidade, contrário ao que seria expectável, ainda tenho menos tempo e energia para tal, mas por outro lado, sinto que estou mais perto que nunca dessa mesma realidade. Ela está aí, à esquina. À minha espera, tal como sempre teve. Talvez a diferença agora seja a atitude da minha parte. Estou a deixar-me ir ao seu encontro a caminhar sem pressão, mas com intenção.

Go With The Flow.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

10-06-2015

É incrível como me esqueci de vir aqui durante tanto tempo. Não sei se foi esquecimento ou de simplesmente perda de sentido. Quando comecei a escrever aqui, anos atrás, um grande desespero estava a consumir-me por dentro e se isto inicialmente serviu para libertar esse desespero - ou assim pensava eu, só mais tarde (quase tarde demais) é que me apercebi que era precisamente o contrário. Uma armadilha do meu ego para me manter amarrado e controlado. Uma armadilha quase fatal. Foi o sobreviver a essa armadilha que me fez evitar outras ou pelo menos reconhecê-las. Muita coisa passou desde essa altura, muita coisa mudou, coisas que julgava não possível mudar. E ainda bem. Quando recomecei a escrever nestas páginas foi quase como uma obrigação, uma tentativa consciente de mudar ou transmutar a energia negativa que tinha libertado. Dei comigo a acabar por fazer o mesmo que antes, mas de uma forma dissimulada. Uma armadilha diferente, para uma pessoa diferente mas com o mesmo intuito, manter-me preso e adormecido na ilusão de não haver saída, de não haver alternativa. A Marta foi a grande responsável pela mudança confesso. Gostaria de dizer que tinha evoluído o suficiente para conseguir dar a volta sozinho mas o máximo que acho que fiz foi evoluir o suficiente para que a Marta tivesse hipótese de entrar na minha vida. Tendo em conta tudo o que passei até chegar até aqui e o quanto ela me faz feliz, eu diria que até foi uma longa caminhada.

Estou livre da prisão do trabalho, não tem sido um processo fácil, com alguns desafios pelo meio relacionadas com a saúde da Marta, mas o que posso dizer é que nós dois juntos atravessamos tudo o que nos aparece no caminho. Sei que muitas mais prisões vão-nos aparecer disfarçadas no futuro e que em algumas entraremos de livre vontade, outras vamos passar ao lado... na verdade não interessa. O primeiro teste, o primeiro checkpoint foi o passado perder importância, o guardar registo, guardar o resultado para ver quem ganha. E tal surgiu naturalmente, tal como naturalmente o futuro está a deixar de ter importância, apenas o presente interessa. E no presente...

Sou livre.