quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

05-02-2014

Hoje foi um dia especialmente positivo. Conheci novas pessoas - através do Facebook, mas para alguém com um mundo tão próprio como eu, as redes sociais acabam por ser uma benção para encontrar e manter relações com pessoas com as quais me identifico mas que dificilmente poderia falar, caso não fossem as novas tecnologias. De qualquer forma, hoje de manhã aceitei um convite para adicionar amizade da Sofia - não sei como é que ela chegou até mim, provavelmente através  das mensagens que partilho na página das massagens. Normalmente as pessoas que me adicionam ou eu adiciono, não metem conversa (ou eu não o faço) mas desta vez foi diferente e logo encontrámos muita coisa em comum, principalmente em crenças, em cicatrizes que ambos temos. Não falámos delas mas deu para perceber que elas estão lá. Convidei-a para integrar um grupo que criei - Alma - onde tenho vindo a adicionar pessoas que partilham o mesmo sentir, a mesma vontade que eu. Criei-o após o primeiro nível de reiki que tirei. No início eramos quatro e agora somos setenta pessoas. Várias pessoas saíram, algumas explicaram-me o porquê de terem saído, outras nem por isso... engraçado, as pessoas que saíram foram pessoas que eram bastante próximas de mim, que eu pensei que nunca saíram. Sendo próximas, num primeiro impacto, fiquei algo magoado, mas ... e hoje principalmente... só está quem é suposto estar mesmo. Hoje senti isto verdadeiramente. 

Só está quem é suposto estar. E não foi com raiva, com sentido de vingança disfarçado de justiça. Foi de aceitação. Quer dizer... não foi propriamente simples ou fácil, mas foi mais próximo da plenitude do que qualquer coisa que tenha sentido sobre este assunto nos últimos tempos. Principalmente nos últimos tempos.

E é engraçado. Conforme este sentimento se foi solidificando, amigas minhas começaram a entrar em contacto comigo, a mandar-me mensagens. Esta coisa das vibrações positivas resulta mesmo!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

04-02-2014

Sinto que tenho um buraco na barriga. Ligeiramente abaixo das costelas, do lado direito. Acho que são as preocupações. Se tinha dúvida do veneno que são os nossos pensamentos quando não estamos bem, estas dores brutas nunca me vão deixar esquecer isso. Nestes últimos dias, senti a minha energia a ser esgotada e com a energia esgotada, voltam os velhos padrões e acho que fui contagiado. Deixaram-me a pensar se não é preguiça que tenho em vez de confiança. Eu sei que tudo vem a mim conforme a minha vibração, mas hoje, talvez a estar em baixo energeticamente, semearam a dúvida em mim.

"Se eu não fizer nada, é que não vai aparecer o quer que seja"

Foi assim que pensei muitas vezes, foi assim que também desesperei muitas vezes, por não acreditar que pudesse aparecer algo se eu não fizesse algo. E foi a este sítio que fui parar hoje, novamente. Velho sítio. Do qual não tinha saudades nenhumas. Sabendo que isto consome energias e que eu já tinha poucas ou nenhumas... comecei a entrar em colapso. Não literalmente, mas pelo menos o suficiente para ficar desconfortável. Até que surgiu. Novamente.

"Do que é que tens medo? Sabes que a tua voz, o que tens dentro de ti é a resposta que procuras. Não é a primeira vez que estás neste sítio onde te encontras. Talvez tenhas sido ingénuo ao pensar que nunca mais voltarias aqui. A questão é que és resistente à mudança e quando a desejas, é sempre para fugir a algo. É o que queres neste momento, fugir. Mais uma vez fugir antes que te abandonem, uma vez mais. Correcção. Antes que tu te sintas abandonado uma vez mais  e pela pessoa que menos suportas que te faça sentir isso. Tu já sabias. Tu já sabias há muito tempo mas o facto de saberes e esqueceres enterrado no teu inconsciente não faz com que seja mais fácil cada vez que a terra se mova. Nada fica enterrado, não por muito tempo. Mas é a tua impaciência que faz com que tenhas estes dissabores e que dês por ti à procura de planos de fuga alternativos, tudo para seres o primeiro a fugir. Tudo para não sentires o abandono. E quando fazes isso, sentes um desespero que te consome, o qual ainda acentua mais a tua vontade de fugir. Existem verdades das quais não te podes esquecer.

- Certas coisas não podes mudar e sendo coisas que te são queridas, só acentua o facto de teres resistência a essas mesmas coisas. Tens que abraçar a mudança, tens que ser água. Tens que te deixar ir. Estás destinado a grandes coisas, estás destinado ao teu caminho. De certeza de que perderás algumas pessoas nesse mesmo caminho, mas não por raiva, não por mágoa. As coisas são o que são, são amorais. Viste com os teus colegas da escola, também guardaste alguma mágoa por eles e não foi bom vê-los tanto tempo depois? Não foi bom sentir que já tinhas ido além da dor que parecia ser o centro da tua realidade na altura? Quinze anos é muito tempo mas talvez não tenhas que esperar tanto, talvez foi o tempo suficiente para te aperceberes que apenas podes guardar memórias, que as pessoas, essas, vivem e façam o rumo. E é tão bom encontrar essas pessoas, no seu próprio rumo. Tal como o João e Sara. São momentos como esses que realmente importam.

- Metes muitas coisas no mesmo saco. Tu sabes que o teu caminho profissional não passa pelo sítio onde estás neste momento e queres apressar devido aquilo que já falámos atrás. Queres fugir para esse futuro prometido em que estarias num nível que consideras ser bem superior aquele onde estás agora. Tu também sabes que é essa vontade a beirar o desespero que faz com que tudo se torne mais difícil de suportar, como um crescente sufoco que te estás a embrulhar, como que “se eu tiver isto, se eu fizer aquilo, se me acontecer aqueloutro”, então aí eu vou estar bem. Sabes melhor que isso. Sabes que essas coisas que se colocam para o futuro, esses planos de fuga criados em cima do desespero só vão trazer algo na mesma vibração. Se estás desesperado vais atrair ainda mais desespero e não esse tão ansiado futuro que desejas, que provavelmente nem é o verdadeiramente desejado por ti.

- O futuro é agora. Pequenas sementes que vais lançando e que precisam de tempo a germinar. Frutos que nascem de um dia para o outro não são propriamente os frutos que tu precisas porque se não gostas de mudanças também precisas de coisas estáveis. De fundações profundas, de ligações fortes. Capazes de resistir a todas as tempestades a todos os terramotos. Coisas assim não nascem do dia para o outro e o querer apressar esse processo só leva ao erro, só leva à ilusão. Ao querer ver algo que não existe na realidade. E quando as desilusões existem é porque houve alguém que esteve em algum momento iludido. Não te esqueças que a verdadeira paz vem quando nada do exterior afecta o interior e por isto tudo estar a acontecer agora é porque estavas verdadeiramente iludido. E ainda bem que isto aconteceu. Agora já sabes em que ponto estás. Dá graças a isso. E continua o teu caminho.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

03-02-2014

Gostaria poder de dizer que tinha visto muita coisa. Na verdade, até vi mais do que esperava ver. Combinámos ir até Atlântida. A minha mente racional protestou dizendo que era uma perda de tempo, que era tudo apenas uma sugestão e que iria ver o que a palavra me sugeria. De certa forma, após uma pequena investigação pela fonte de informação mais barata e acessível, é mesmo assim que se processam todas as informações recebidas do... divino. Cada um tem a sua linguagem e como tal, as imagens que se recebem são todas de acordo com aquilo que conhecemos. Com o nosso código de conhecimento, de forma a que todas as mensagens sejam recebidas e entendidas. Sentimos o mesmo quando temos de falar com alguém sobre um determinado estilo de música, ou filmes, ou desporto. Existem formas específicas de linguagem que até podem não corresponder exactamente à verdade mas que servem para que o destinatário fique com uma ideia, uma sensação da verdade. De qualquer forma... não vi nada (e desconfio que foi por causa de toda esta questão com a Catarina) e mesmo assim, tenho a certeza de que fui a qualquer lado. Combinámos uma hora específica para irmos. Eu deitei-me na minha cama e enquanto esperava, tentava-me abstrair, limpar a mente, mas isso foi uma coisa que não consegui fazer. Só me veio à mente a injustiça da situação e mais principalmente, o facto de no dia seguinte ela estar provavelmente de volta ao trabalho. Infelizmente conheço bem a sensação de estar na mesma sala com ela e nem sequer conseguir olhar para a cara dela. Felizmente não sou a mesma pessoa e isso é algo que me dá esperança, mas lá está, não deixa de ser um teste. 

De qualquer forma, estava eu nestas lutas internas, até que, na escuridão, à frente dos meus olhos, que estavam fechados, vejo uma série de mandalas a rodopiar a uma velocidade estonteante e senti o meu corpo a ser puxado. Não me recordo de ver mais nada mas... isto eu senti que foi real. Bem real. De manhã acordei mais cedo que o despertador, para variar e não me consegui lembrar de nada, apenas esta sensação ficou bem forte. O nervosismo, esse, voltou logo assim que levantei a cabeça. Foi um sofrimento lento até que chegasse a altura em que ela entrava ao serviço. Devo estar mesmo diferente. Todo o carinho que tenho por ela superou toda a injustiça que senti que foi feita contra mim e fui o mais cordial possível, sem nenhuma ponta de ressentimento e sinceramente, fiquei orgulhoso de mim próprio. Acho que foi a primeira vez na minha vida em que consegui anular uma raiva e principalmente mágoa tão grande. De qualquer forma, não deixei de sentir que algo se partiu e que a nossa amizade ficou com feridas internas. Talvez seja uma questão de tempo e tudo tenha que passar. Também não há nada que possa fazer agora, o que foi dito foi dito e o que foi sentido está enterrado, porque não vale a pena buscar más energias para gastar aquelas que tenho. Se alguma coisa ficou irremediavelmente perdida, o tempo dirá. Deixar ir na sua maré e receber o que vier de volta.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

02-02-2014

Hoje falei mais um pouco com a D. - tínhamos trocado números de telemóvel ontem - e ela propôs-me algo inesperado. Viagens astrais. À primeira fiquei um pouco céptico. Apesar do assunto me interessar, sempre foi algo que ouvi mais em ficção, em filmes, séries, ou até documentários de seriedade científica questionável, mas fora desses contextos foi a primeira vez. Ela notou a minha hesitação, dizendo que se não quisesse ir, não haveria problema. Perguntei-lhe mais pormenores e ela explicou-me que costuma fazer e que por vezes conecta-se à energia de outras pessoas, puxando-as e viajando em conjunto. Por vezes têm visões semelhantes, outras diferentes mas que se complementam. Mais uma vez, as minhas inseguranças vieram ao de cimo e eu referi novamente que não conseguia ver nada, de que tornava-se tudo muito confuso, ao que ela respondeu, sabiamente, que eu e apenas eu estava a colocar pressão sobre mim próprio. 

"Vamos experimentar, o que é que tens a perder? Não te preocupes, eu protejo-te."

Sendo assim... daqui a pouco vou viajar.

01-02-2014

 Toda esta história tem-me tirado a paz e descanso. A Catarina era das últimas pessoas que achasse que me pudesse fazer uma coisa destas. Claro que já tivemos os nossos desentendimentos mas nada provocado por outra pessoa. Na verdade, até tivemos situações que foram agudizadas por outras pessoas, mas causadas directamente por outras pessoas... nunca pensei. E a cada momento que encontro um pouco de paz, aparece sempre qualquer coisa que ma rouba de mim. Ontem o dia de trabalho correu surpreendentemente bem. Consegui abstrair-me da situação toda, talvez ou quase de certeza por ela não estar presente, mas correu bem. No entanto, quando cheguei a casa tive mais uma daquelas achas para a fogueira que me faz automaticamente ganhar raiva. Não preciso disso. Aliás, não preciso de nada disto. A mensagem disse-me que deveria ter fé naquilo que sou, que deveria ser forte, que seria tudo um teste. Acho que são estes momentos que definem a fibra com que somos feitos. E por isso mesmo, hoje de manhã, decidi que começava aqui a minha recuperação de toda esta história. Não dizer que isto foi mais uma queda, mas sim uma escorregadela, para me lembrar que é sempre possível voltar às velhas energias, que é sempre possível voltar a cair nos mesmos erros. Voltar a cair na insegurança. Voltar a duvidar do meu valor. Voltar a pensar que só tenho importância se as outras pessoas me derem importância. Felizmente, hoje sei mais do que isso. Mas também não foi algo que tivesse sido fácil de atingir. 

À tarde fui a uma meditação, organizada num grupo desportivo aqui da terra. Resolvi quebrar com os meus padrões de ficar em casa a repetir frases que foram ditas, frases que deviam ter sido ditas e outras coisas que servem unicamente para me magoar. Procurei por algo que me pudesse ajudar a centrar a atenção noutra coisa e mal abri a minha página do Facebook, dei de caras com um evento, promovido pelo grupo desportivo. Apesar do impulso inicial para ir, ainda tive a ver as pessoas que iam, se iria encontrar alguém que pudesse perturbar a paz que procurava atingir, hesitando um pouco, mas a vontade de sair de casa foi mais forte e lá fui eu. E ainda bem. Conheci uma pessoa com quem passei as próximas seis horas seguintes à meditação a falar. A D.. E por incrível que pareça nem temos gostos parecidos, aliás, em termos de gostos, somos bastante diferentes, mas aquilo que nos une mesmo foram as quedas que demos e a capacidade que tivemos, com ajuda, para nos levantarmos sozinhos. Não é uma pessoa que exiba as suas cicatrizes como forma de chamar a atenção sobre si mas que ao mesmo tempo não as esconde, fazendo de conta que não existe. Algo que eu também fiz e que sei que não é nada fácil por isso consigo reconhecer e dar bastante valor a este acto.

A meditação não foi totalmente pacífica. Foi num salão grande e estava demasiado frio para que conseguisse relaxar. Foi uma meditação para nos ligarmos à mãe Natureza e muitas pessoas - a maior parte vindos de outros lados, não conhecia praticamente ninguém, além de uma outra pessoa que travei conhecimento pelo facebook, por termos alguns interesses em comum, a Sandra, que veio com o namorado o Paulo - tem o nome do meu melhor amigo. Foi o suficiente para não me sentir demasiado deslocado na minha própria localidade. Na meditação, algumas pessoas tiveram visões. Quando a D. me perguntou se eu tinha conseguido ver alguma coisa, eu disse que não. Não menti. Na verdade, coisas estou sempre a ver, não as consigo é distinguir. As sombras ganham vida quando tudo está escuro ou os meus olhos estão fechados e antes isso assustava-me, agora não mais. 

Depois da meditação eu e a D. estivemos a falar, e tudo começou porque ela insistiu comigo para que lhe dissesse o que tinha visto. Acabámos por falar um pouco, cada um dos seus fantasmas e inevitavelmente acabei por lhe falar desta minha mais recente questão e ela mostrou-se interessada mas sem mostrar julgamento - confesso que por vezes não gosto que alguém diga mal da Catarina, mesmo sendo numa altura em que eu próprio digo mal dela. Acho que sou protector dela a esse ponto. O tempo voou, a Sandra e o Paulo foram-se embora e apenas ficámos lá, nós dois a falar. Tinha saudades de ter conversas destas. De qualquer forma, ambos tínhamos compromissos e tivemos que deixar a conversa para outra altura. O Nando, o irmão da Catarina, convidou-me para ir ao cinema e naquela altura pareceu-me perfeito. Apesar da meditação me ter realmente acalmado, também me pôs em contacto com o problema de uma forma ainda mais aproximada. Talvez fosse o que eu precisava para digerir melhor. Sair com o irmão dela também foi algo nesse sentido, embora eu já tivesse desabafado tanto com ele sobre esta situação que senti que não tinha muito mais para dizer sem me repetir - e eu odeio repetir-me. Jantámos e vimos um bom filme e eu consegui abstrair-me da situação. Fiz questão de lhe agradecer isso mesmo. Não esquecerei ele ter estado presente quando precisei, afinal, os amigos são para isso mesmo, certo?


sábado, 1 de fevereiro de 2014

31-01-2014

A noite foi passada em claro e a dualidade - tão familiar que ela me é - a lutar entre si e a consumir-me. Por um lado, a acusatória. A acusação dela ser uma pessoa com duas caras, de deitar fora tudo o que foi construído com sangue, suor e lágrimas. Tantas lágrimas. Do outro lado, a sábia. 

"É um teste.

Como podes saber se aprendeste as tuas lições se não fores posto à prova? Sempre estivemos contigo, nos teus momentos mais negros, sempre estivemos lá. Até mesmo no momento em que te afastaste de ti próprio engolfado nas trevas. Nós estivemos lá. Quem julgas que te salvou nas incontáveis vezes que tentas acabar com a tua vida? Não achas que passaste por duros testes para aprender? Não achas que todas as tuas dificuldades te fizeram sair do casulo e transformar na maravilhosa borboleta que és hoje? Não penses por um segundo que a transformação acabou e nem sonhas o esplendor que serás, o brilho que vais transmitir depois de cada transformação. E vais ter muitas. Tu não precisas de ninguém para trilhares o teu caminho, apenas de ti próprio. Este é mais uma prova disso e tu estás a conseguir manter-te fiel ao que és. Ao que verdadeiramente és. Não te castigues por cederes aos teus medos e instintos. Tu, tal como todos os outros, estás a passar por uma experiência humana e ser humano não implica ser perfeito. Ser humano implica ser consciente dos seus limites e de fazer o melhor que se pode perante as circunstâncias. Tens tudo o que precisas para continuar. Não fiques preso a um passado que te traz peso por correntes de dúvida, angústia, raiva. Foste ajudado por muitos no teu caminho, mas não tenhas dúvidas, só estás onde estás porque TU quiseste. Está nas tuas mãos ires de encontro ao que tu verdadeiramente és, não de acordo com o que sabes ser, mas sim de acordo com as tua acções. Tu estás protegido, seja qual for a tua decisão, estaremos sempre contigo. Sempre."

Dizem que as pessoas de quem mais gostamos são aquelas que nos ajudam nos momentos difíceis. Talvez elas também nos ajudem a dar o próximo passo. 

A noite foi passada em claro e a dualidade diminuiu. Vou trabalhar agora. Não vou dizer, veremos como corre, porque está nas minha mãos essa decisão, apesar daquilo que o mundo me apresentar. 

30-01-2014

Hoje foi um dia difícil. Um regresso aos velhos tempos quando julgava que não seria mais possível voltar a vivê-los. O novo namorado da Catarina tem ciúmes de mim. As suas inseguranças fizeram-me revisitar os tempos em que eu próprio tinha um relacionamento com ela e sentia ciúmes do ex-namorado dela. Tempos difíceis e só mais tarde me apercebi o quão inseguro eu era. Tenho que lhe agradecer por isso e na altura agradeci, a ela e a todas as situações que me levaram a demonstrar o quão inseguro estava. E o apego. Como o apego me prendia tanto ao passado como a um futuro que apenas se passava na minha cabeça. É certo que algumas das coisas que eu previ aconteceram mas não sei até que ponto não foram co-criadas por mim. É algo que agora para o caso também não interessa.

Senti alguma empatia por ele, e também pelo facto de ser mais velho que eu e ser terapeuta, vi um futuro em que conviríamos  e partilhávamos saber. Com uma sucessão de acontecimentos alucinantes, num dia senti que esses meus sonhos, essas minhas expectativas desapareceram no fumo. Resumindo uma longa história, o namorado não gosta da importância que eu tenho na vida dela e ela como resposta a isso resolve afastar-se. E os velhos demónios voltaram. A raiva. Que raiva incrível. Sentimento de injustiça gritante e a velha sensação de ser vítima dos mimos e caprichos dos outros. E foi nessa altura de auto-comiseração que me ocorreu, talvez não de mim, talvez do exterior, não sei, mas ocorreu-me:

"É um teste."

Apenas isto.