sexta-feira, 7 de março de 2014

06-03-2014

Estou... E X A U S TO!

São 2:30 da manhã e tenho que me levantar daqui a quatro horas. Ou mais cedo. Tenho que tirar este cheiro a fumo intenso que tenho no corpo. Adoro ir a concertos mas estes efeitos colaterais não me deixam de afectar. Estou preparado para amanhã dormir no trabalho mas valeu a pena porque o concerto foi fantástico! Mais uma vez, um sentimento enorme de gratidão por ter conseguido chegar a este ponto.

quarta-feira, 5 de março de 2014

05-03-2014

Parece que não foi excepção de ter sido véspera de Carnaval e de ter menos colegas a trabalhar comigo. Hoje o dia foi normal em termos de nível de trabalho e de presença de colegas e também fluiu muito bem. Ao mesmo tempo, sinto que avancei mais um pouco naquilo que quero, no aperfeiçoar dos meus objectivos, aquilo que quero atingir em breve. No entanto, por outro lado, sinto que não estou a avançar nada. Talvez esteja a resolver coisas que não estejam ao meu alcance resolver para depois passar à outra fase, à seguinte. Ou então... estou a iludir-me e estou a estagnar-me quando julgo que estou a avançar. Por muito que me queira desprender das rotinas, acho que vou ter que voltar a elas pelo menos para dedicar um pouco do meu tempo diário à busca de uma mudança. Aquela que procuro.

A Marta... engraçado, tenho duas Martas na minha vida e nem me lembrava... a Marta, minha ex-namorada, que foi viver para França, a quem eu fui ao casamento depois de ter sido despedido... estivemos a falar hoje e tal como o trabalho, a conversa fluiu muito bem. É engraçado, mas acabámos por trocar declarações de amor sem haver qualquer peso que uma declaração de amor acarreta. Amor puro. Na altura acabámos porque eu não sentia o suficiente e porque ainda estava a passar por muita coisa interna com o fim da relação com a Susana. Não conseguia lidar com o fim da relação e meti-me noutra. A Marta apaixonou-se por mim e eu quis apaixonar-me por ela. As coisas do coração não funcionam por pedidos e foi uma situação pela qual me culpei por ver e sentir o sofrimento dela. Claro que hoje sei que não podemos ou devemos carregar com o sofrimento das outras pessoas às costas, mas senti-me responsável por ele. Aliviou um pouco quando ela se apaixonou e foi para a França onde já tem dois filhos lindíssimos. Tenho saudades dela e hoje, através das maravilhas da tecnologia, disse-lhe isso mesmo. E hoje fico contente pelo impacto, apesar de tudo, na vida de outra pessoa ter sido positivo, assim como o dela foi em mim e ainda o é. O Amor é isto, não? Não importa a distância, não importa o passado, importa o sentir. Hoje senti-me banhado por amor. Não há preço para uma sensação assim.

terça-feira, 4 de março de 2014

04-03-2014

Carnaval.

Incrível como a nostalgia que já senti num passado recente por esta época já não se manifesta mais. Quando ainda sentia ou queria sentir que pertencia a algo. Quando ainda existia o grupo - não que fossemos muito unidos, mas pronto partilhávamos vivências e experiências. Cada um foi para seu lado, uns mantém-se mais ou menos em contacto, mas de resto, dispersou-se tudo. Hoje em dia, nem sinto nostalgia pelo grupo, nem pena por se ter dispersado - um sentimento que me acompanhou por muito tempo. Hoje em dia, graças a pequenos encontros, pequenos convívios, sinto-me completamente desfasado daquilo que muitos deles são. Mesmo nos momentos mais negros de há cinco anos atrás sentia isso, embora, talvez, não quisesse admitir. Mas hoje... hoje é-me tudo indiferente de uma forma quase assustadora. Parte importante, pelos momentos bons e os momentos difíceis - estes últimos em demasia mas provavelmente os mais importantes para o meu crescimento - mas que agora terminou. E não faz mais sentido voltar atrás. Assim vejo quando se sente mesmo e quando se quer sentir. Quando disse muitas vezes que não vale a pena voltar atrás, reatar ou lutar por esta relação ou aquela amizade, nunca senti o desprendimento que sinto hoje. Sempre... havia sempre algo, algum objectivo escondido, algo iludido de mim próprio, algo em que eu queria acreditar. Algo em que eu precisava de acreditar. Hoje, com uma coisa tão simples como o Carnaval, aprendi que o verdadeiro desapego traduz-se em falta de emoção, boa ou má, em relação ao que já foi. 

Simplesmente... deixa de interessar.

03-03-2014

Dia pacato no trabalho como já não tinha há muito tempo. Com metade da equipa fora, as coisas fluíram bem, de tal forma que nem aquele sentimento omnipresente nos últimos tempos apareceu. Senti-me bem, sem pensar em mudanças de vida, em propósitos, em sentidos de existência. O facto de muitas pessoas terem feito ponte poderá ter influência, menos trabalho, menos pressão... mas o que é certo é que nos momentos de menos trabalho que têm aparecido ultimamente tem me dado para sentir que estou a desperdiçar a minha vida. Ou seja, a fórmula é a mesma, mas o resultado é diferente, o que deixa no ar a questão "O que raio se passou aqui"?.

Deixa a questão mas também não acho que valha a pena correr muito atrás dela, ou atrás de outra qualquer. Nem é questão de cansaço mas não vale a pena gastar energia em tentar perceber todas as flutuações que acontecem dentro de mim. O objectivo de me conhecer a mim próprio não deve ser também desculpa para andar obcecado com tudo aquilo o que acontece fora do que é a norma. Se a norma também não é agradável, então se ela muda, é positivo. E amanhã fico em casa, o que também é mais do que positivo. Esta vai ser uma semana em cheio de concertos e com o curso de meditação que vou tirar durante sete semanas. Em cheio o suficiente para me sentir com alguma resistência. Se fosse uns anos atrás, a resistência teria sido tanta que tinha adiado quase tudo para ter uma coisa de cada vez. Agora, as coisas são diferentes. Espero que o excesso de consciência não me traia.

02-03-2014

Nada como um bom Domingo para não fazer nada além de ouvir música, ver uns videos de música e ... sonhar. É o dia da semana em que se é permitido por lei (moral ou não) deixar para trás tudo aquilo que se queria ou devia fazer e apenas ficar a lanzar o dia fora. Antes, assim que no Sábado caio na armadilha do... "faço amanhã", tinha logo neura para o dia seguinte, porque o Domingo carrega uma energia muito própria de não fazer nada o que entrava em conflicto com o espírito de querer fazer tudo o que tinha dito a mim mesmo que tinha que fazer.

"Tenho que fazer."

É uma boa forma de detectar as coisas que me gastam energia. Ainda acontece algumas vezes, dizer ou pensar "tenho de fazer isto", "tenho de fazer aquilo", mas estando mais atento acabo por parar e pensar... "tenho" ou "quero". É algo que faz toda a diferença quando se é tão tenso e implacavelmente workaholic como eu. 

Hoje, em específico, fiquei com a mesma sensação de sempre - queria ter feito isto, aquilo, acoloutro - mas, não houve peso. Apenas um tranquilo... faço depois. Pegando na velha imagem do professor que despeja bolas de golfe, pedras e areia sobre o jarro, acho que finalmente estou a aprender a estabelecer prioridades na forma como emprego a minha energia e o meu tempo e a aceitar, da melhor forma, a mudar aquelas que criei tempos atrás. Isto da mudança é algo que vai desde o mudar de emprego até ao mudar de talheres à refeição. Tudo tem a sua resistência e tudo tem a sua sensibilidade para que seja lidado da melhor forma. O que se pode reconhecer na forma com que se lida com as coisas é... a partir do momento que não traz peso, é porque se está no bom caminho - partindo do princípio de que não se está iludido ou a dormir.

01-03-2014

Normalmente são os momentos de alegria que fazem com que me sinta mal por ter dito coisas menos boas da minha vida, mas neste caso, não podendo dizer que estou triste, também não posso dizer que esteja propriamente alegre. Neutro talvez seja a melhor descrição. Estes últimos dias foram de cansaço. Tentar conciliar a minha crescente falta de motivação com o cansaço de dormir pouco, ter ido ao concerto fazer mais uma reportagem depois de uma maratona de não sei quantas horas em pé, dormir umas poucas horas ir fazer uma massagem e finalmente descansar um pouco, não da forma ideal - ficar em casa a olhar para a televisão debaixo de uma manta - mas pelo menos de uma que sem o conforto físico me trouxe alguma paz de espírito - fui conhecer a Sofia. 

Essa neutralidade faz com que me seja possível apreciar tudo o que tenho hoje em dia e principalmente as pessoas que me surgem, de uma forma muito mais nítida, mais consciente. Dar graças a tudo o que se tem muitas vezes é um exercício forçado por consequência de algum ensinamento espiritual que achamos apropriado. E é sempre apropriado, desde que seja sentido. Continuo a procurar por uma alegria, por uma felicidade que neste momento não tenho na minha vida, mas tenho uma paz interior (ainda frágil, sei bem) que julguei nunca atingir. Tenho mais projectos do que aqueles que julguei alguma vez ter em aberto e ainda uma indecisão crescente sobre aqueles que devo prosseguir e mesmo assim, olhando para trás, tanta coisa que deixei de parte. Um mundo, um mundo de coisas dentro de mim, um mundo de coisas que quero conscientemente fazer, um mundo de coisas que quero inconscientemente fazer e a luta, o passeio entre o equilíbrio dos dois.

Parte de me sentir grato vem de ter conhecido pessoas como a Sofia, que entraram na minha vida, sabe-se lá como ou porquê, mas que de certa forma me vieram a apoiar em momentos que mais precisei, que me vêm trazer luz. Tal como a Marta, outra mulher fascinante, cheia de sensibilidade e também com uma forte ligação ao divino. Basicamente, tudo aquilo que procuro, que sempre procurei. As duas são capazes de ser as pessoas que mais me apoio me deram nesta fase difícil e que me têm ajudado a colocar os pés ao caminho, cada uma à sua maneira. O que elas fizeram, no entanto, foi apenas dar-me a vontade de começar a mexer. Sempre estive à espera de uma salvação, salvador ou salvadora e aquilo que elas me deram - elas e tudo o que tem acontecido ultimamente - foi a percepção de que há mais. Há mais para além daquilo que julgava haver, há mais para além do passado que teimo em não querer deixar. Há mais para além do futuro que idealizei. Há mais para além de todo o medo que está fora destes dois tempos, destas duas prisões. 

Acredito que a vida nos mostra muitas coisas, que nos mostra aquilo que precisamos, nunca escondendo aquilo que não precisamos, que por vezes apenas dependemos do nosso livre arbítrio, cego e surdo, para seguir a opção que nos parece correcta. Acredito que muitas vezes escolhemos o caminho errado, tomamos as decisões erradas para depois podermos tomarmos as correctas, se as decidirmos tomar. Acredito que a escolha é minha e que pelo caminho me vão aparecendo pessoas dispostas a perder o seu tempo e energia para nos dar as ferramentas que precisamos. Por vezes apenas um pouco de força e carinho para continuarmos. Sinto-me grato por isso e uma tranquilidade, algures no meio entre a alegria e a tristeza, por saber que continuo a caminhar em direcção a algo, aquilo que acredito ser para mim.

domingo, 2 de março de 2014

28-02-2014

Estou completamente... morto! Cansaço acumulado e estar mais de cinco horas num concerto, é algo que já não consigo aguentar como antes. Quer dizer, bem vistas as coisas, nem acho que seja coisa de idade. Acho que nunca me dei bem com estas provas de esforço, mas mesmo assim consegui aproveitar bem o concerto. Sinto-me abençoado pela oportunidade de poder ir ver concertos e poder escrever sobre eles. Não ganho dinheiro com isso, é certo, mas é algo que olhando para trás, para seis anos atrás, nunca julguei que fosse acontecer. Também não me recordo se era algo que desejava mas é algo que serve para manter as coisas em perspectiva. Tanto para aquilo que se é capaz de fazer como para aquilo que podemos fazer, até mesmo para as coisas que se deseja fazer mas nem se tem ideia nenhuma. Se calhar, nesse aspecto, se me puser a pensar nisso... devem haver muitas coisas mesmo que posso e até terei prazer em fazer mas não faço a minima ideia da sua existência. Estou de braços abertos a elas.