Não estou a conseguir recuperar do cansaço. E hoje teve um calor desgraçado. Não sei se isso também é algo que dificulta o meu cansaço ou se é algo que ajuda a que eu me sinta sem vontade nenhuma. Ter trabalhado apenas dois dias esta semana também de certeza que não ajudou. Não posso dizer que seja um poço de motivação no trabalho que faço, mas esta semana, ou estes dois dias foram mesmo para esquecer. Senti-me culpado por achar que não consegui ajudar os meus colegas. Eles não disseram nada e provavelmente está tudo na minha cabeça mas... a verdade é que não me sinto bem. Um cansaço extremo. Sei que isto é fruto da falta de descanso, da pressão colocada em cima de mim por causa das mudanças e até pela ansiedade que à primeira vista pareço não sentir, mas que é impossível ser insensível a ela. Imune. É uma grande mudança por isso este tempo de espera também é algo que me está a corroer os nervos aos poucos. Noutra nota... hoje tenho uma reportagem para fazer e não me apetece nada. Neste momento só me apetece ir para a cama e acordar daqui a duzentos anos. Talvez o faça amanhã.
sábado, 14 de junho de 2014
11-06-2014
Voltar ao trabalho foi uma verdadeira tortura. Não que me tenha habituado à boa vida de estar de férias, até porque não foi propriamente uma vida descansada, mas foi uma verdadeira tortura porque não deu para recuperar. Vir de madrugada para casa, fazer mais de duzentos quilómetros, dormir cerca de quatro horas e tentar recuperar o atraso de todas as coisas que quis. Recuperar o atraso da rotina.Nisso eu sou engraçado. Quer dizer, de certeza que sou engraçado por muitas mais questões, mas esta é uma daquelas que consigo fazer um brilharete. Reger-me pela rotina. Fazer um esforço para quebrar a rotina. Quando quebro a rotina, tentar recuperar tudo aquilo que teria feito caso a rotina não tivesse sido quebrada. Ou seja, não há propriamente uma quebra da rotina, que pressupõe uma substituição de uma coisa por outra. Não há substituição, apenas uma adição. No fundo sempre soube isso e é apenas mais um exemplo da forma como o ser humano se engana a ele próprio de forma a continuar a viver de forma aparente mais feliz. Neste caso, o dizer a mim próprio que depois ia recuperar todo o atraso que tinha foi uma forma de me fazer ir para o fim de semana de forma mais leve e sem pressão. O não ter conseguido recuperar o tal atraso fez com que a adicionar o cansaço acumulado, tivesse a pressão de querer tudo efeito. Tive o dia todo de segunda-feira, a escrever a reportagem, ontem tive na minha nova casa e hoje dei conta que, no trabalho, apenas gostava de ter um tempinho para mim. Um tempinho para descansar, um tempinho para fazer as minhas coisa.
Queria a minha rotina de volta.
terça-feira, 10 de junho de 2014
10-06-2014
Estes últimos dias passaram num repente. Num piscar de olhos. Recuando um pouco e nem sequer me consigo lembrar o que fiz uma semana atrás, nem porque razão não tive tempo para escrever aqui. Alguma coisa terá sido... ou então, talvez por agora as coisas estarem a correr em velocidade supersónica com a Marta, não encontre razões para escrever. Sei que na passada quarta-feira não saí mais tarde porque a Marta veio ter comigo como é costume, mas na quinta, cheguei tarde a casa e o tempo escapou-se-me das mãos como tem sido costume. Sexta-feira saí à hora do almoço para irmos para o festival durante a semana e foi um fim de semana em grande. Não só pela música, claro, nem pelo facto de ter ido acampar com ela, nem sequer por ela se meter nestas aventuras comigo sem hesitar. Foi excepcional apenas porque ter sido tudo... normal. Quando numa relação se pensa nas várias etapas, a mais importante é o tempo que se passa um com outro, nas dificuldades que podem surgir, nas pequenas indicações que dizem que se está a cometer um erro ou não - e nem foi preciso tanto tempo para no passado me ter apercebido disso. Um mau estar que só me fazia querer fugir. Com a Marta, nada disso aconteceu, tudo natural. De tal forma que apenas agora quando estava a fazer um esforço de memória para aquilo que aconteceu a semana passada é que isto me veio à mente. Sensação de paz, em que tudo fluiu. Finalmente paz. Como muitas pessoas queridas me têm dito, mereço. Mereço finalmente viver algo assim. E mereço que se prolongue. E depois que viemos do festival, dedicamo-nos à casa, com a minha família toda a ajudar. As páginas do diário podem ter ficado vazias, mas o meu coração está cheio.
terça-feira, 3 de junho de 2014
03-06-2014
Apesar do stress de aguardar respostas, acho que estou relativamente calmo. Com aquela confiança de que vai correr tudo bem, tal como tinha em relação ao trabalho. Quer dizer, não fiquei subitamente preocupado mas... começo a sentir surgirem alguns receios. Também é uma mudança grande, mudar processos automatizados, tentar introduzir outros, ainda por cima coisas de muita responsabilidade. Surge-me a mesma dúvida que tive aquando da massagem e da palestra. A ausência de preocupação começa-me a preocupar. Sei que esse sempre foi o meu registo, preocupar-me em demasia e foi algo que sempre tentei mudar. Agora que parece que estou mais em paz com essa questão, acabo por sentir falta. Como que um espinho que sempre esteve espetado nas costas ou melhor, como que depois de tirar a pedra dos dentes, depois de uma limpeza, a língua não consegue evitar de passar sempre por lá, estranhando a ausência daquilo que no fundo não faz falta. Deve ser apenas uma questão de hábito.
02-06-2014
Início de semana a mil. Quer dizer, não posso dizer que tenha tido muita mais agitação do que o normal, mas consegui fazer tanta coisa que até fiquei admirado comigo próprio. Já achar que poderia ter feito ainda mais não me admirou tanto. Fiquei mais uma hora no trabalho, para compensar a tarde que vou tirar na sexta para ir para Beja mais a Marta logo após o almoço. Também tive tempo para fazer avançar algumas coisas da casa, embora cada vez chegue mais à conclusão que não vou conseguir, ou melhor, não vamos conseguir evitar de pagar uma nota preta com tudo. Mesmo assim tenho esperança que consigamos aproveitar algumas doações de amigos e respectivas famílias. Principalmente famílias. Até agora, ambas se têm mostrado bastante generosas nas suas ajudas, o que também nos conforta o coração. Apesar de ser pouco tempo que a nossa relação tem, as nossas famílias conseguem senti-la como verdadeira, sem termos que nos esforçar por convencer quem quer que seja. Tudo flui naturalmente.
01-06-2014
Sabe-me tão bem ir a concertos com a Marta. Poder partilhar com alguém a música que gosto e sentir que a outra pessoa está lá por gosto e não para me fazer a vontade ou com frete, é algo totalmente novo para mim. Sinceramente, por vezes parece que estou comigo mesmo. Ok, existem coisas em que somos diferentes, na forma de sentir principalmente, mas é incrível, INCRÍVEL mesmo, que namoramos há quase dois meses e ainda não encontrámos nenhum ponto de discórdia, nenhuma discussão, nada, zero. Sei que eventualmente vai acontecer, mas tento não focar nisso, embora admita que a sua ausência me é desconcertante. A relação onde me recordo de haver algo assim foi na relação com a Susana, mas o facto de namorarmos à distância também fez com que certas situações não ocorressem tão frequentemente. Com a Marta não. Estamos juntos praticamente três vezes por semana, quando não é mais, estamos prestes a ir viver juntos e falamos todos dias. Para já o que acho refrescante é o facto de não haver a pressão para falar como aquela que a Catarina exercia sobre mim. Nunca fui muito falador e a Catarina exigia, sem se aperceber e porque eu também não falei nada contra, que tivesse sempre assunto. Acho que só muito depois da nossa relação ter acabado que ela se apercebeu do que é gostar de alguém mas simplesmente não ter nada para dizer. Não é mau, apenas... não há nada para dizer. Com a Marta, quando chegamos a esse ponto, é capaz de se gerar um silêncio constrangedor por cerca de dez segundos e um de nós diz algo como, "bem, então até logo ou assim, amo-te muito". É refrescante, mas acaba por ser o que sempre quis e o estar espantado é o meu cepticismo que se pergunta onde está o senão, que nada pode ser assim tão bom. Até agora, parece que sim, há coisas que podem ser mesmo boas.
O concerto foi engraçado, mas dei mais valor ao facto de estar com ela e a partilha por aquele momento. Ela acabou por me ajudar na reportagem, o que revela também interessa por aquilo que faço, o que também me sabe muito bem. Interesse genuíno, sem ter que o pedinchar - se bem que estou numa fase em que não me interessa o que as outras pensam. Acabou por ser a minha dádiva por todos as questões que passei com a Catarina, saí com o meu lado pessoal reforçado, mais independente, mais forte. O momento alto do dia acabou mesmo por ser a visita à nossa futura casa, com os meus pais, irmão e cunhada. Ver a casa vazia fez-me ter aquela sensação de ansiedade por querer andar com tudo para a frente o quanto antes, mas ao mesmo tempo uma segurança, por me sentir já lá em casa. Uma nova fase e eu ansioso por ela. Muita coisa mudou mesmo dentro de mim. Ainda bem.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
31-05-2014
Eu sabia que os nervos estavam em modo furtivo. Se comecei a stressar por achar que não estava a stressar o suficiente, hoje de manhã já estava praticamente em stress. Interiormente. Curiosamente, isso não se manifestou em estar impaciente, ou estar irritável. Mais uma vez, apenas a minha mãe detectou, chegando-se ao pé de mim com ar triste, a perguntar o que se passava. É incrível que eu ainda me admire com isto, mas a minha mãe tem uma antena para me sentir, quando eu acho que passa perfeitamente despercebido. A Marta também tem o mesmo, assim como a Catarina. Das duas três. Ou elas são mesmo as mulheres mais importantes da minha vida e estão conectadas com a minha energia de tal forma ou então eu estou finalmente a largar as máscaras que construí para me proteger. Se for o caso, é sinal que me sinto seguro suficiente para não precisar de protecção. Seguro ou confiante no que sou, sem ter receio de demonstrar que estou fragilizado.
O facto de ter a massagem e a meditação seguida intensificou o meu stress. A última vez que fiz uma massagem foi no dia vinte cinco de Abril e este período de tempo sem fazer massagens deixa-me sempre inseguro embora, a contrapor, houvesse uma certa calma, um certo lado meu que sabe o meu valor e que sabe que apesar de poder acontecer algo menos bem, que tenho a capacidade e a experiência para o evitar. Correu tudo bem, como qualquer das pessoas que me acompanham diriam com um ar de reprovação e acrescentando um "claro" impaciente, embora tenha sentido mais alguma dificuldade na meditação para me concentrar. Também estive deitado, não sei se teve influência mas foi algo difícil as imagens pararem. Parece que regredi um pouco desde a primeira fase do curso da leitura de aura, o que me fez ficar um pouco desanimado. A Marta também sentiu que desta vez também foi diferente e a D. confirmou que a energia deste dia era um pouco mais pesada, era uma energia superior, que já puxou um poco pelos nossos limites.
De qualquer forma, e como eu já esperava, a Marta teve uma visualização. Acho que estávamos numa praia e eu estava a escavar na areia, todo contente, até que gritei finalmente e encontrei uma pérola branca e dei-lhe a ela. Não faço a mínima ideia do que poderá representar. Ah e antes disso, de manhã, ela contou-me que fez mais uma ligação à minha alma. Levei-a até um lugar que tinha árvores com flores brancas, aliás, tudo era branco. Havia uma forte luz branca e as árvores pareciam amendoeiras em flor e eu disse "aqui tudo é calmo, tudo é transparente". E nisto, os nossos peitos ficaram transparentes, eu conseguia ver o coração dela e ela o meu. Dois corações cor de rosa. Terminei com "as emoções são transparentes". Depois fomos até um lago, onde estava uma canoa igual a uma que apareceu numa ligação anterior.Ainda tudo à nossa volta continuava com luz branca. Fomos para a canoa passear no lago e eu olhei para a água do lago que inicialmente parecia escura e consegui ver muitos peixes. Depois apagou. Basicamente veio no seguimento daquilo que disse no início, cada vez estou mais transparente e sem dúvida que a Marta tem um grande papel nisso.
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