Os dias passam num instante. E tenho-os tão preenchidos que por vezes chego admirado ao final do dia como é que consegui fazer tudo. Também acontecer chegar ao final do dia e dizer a mim mesmo que no dia seguinte tenho que fazer isto e aquilo.
É engraçado... mas só agora reparei que isso já não acontece há já algum tempo. O "tenho de". Tenho de fazer isto, tenho de fazer aquilo. Sempre fui um pouco sensível à forma ditatorial como me apresentavam o "tenho de". Respondia sempre de forma algo seca algo como "a única coisa que tenho de fazer é de respirar enquanto estou vivo e de morrer quando deixar de respirar". E é engraçado como em alguns casos somos intolerantes para com os outros e não reparamos que fazemos o mesmo a nós próprios.
É engraçado também como, apesar de viver no presente, cada vez mais, o viver no presente, tem-me levado a confrontar ou a ser confrontado pelo passado, quase como ponto de comparação entre aquilo que eu era e aquilo que eu sou. De uma pessoa que não gostava do que fazia, sem rumo, sem objectivos, sem amor próprio ou auto-estima, segurança e confiança a si próprio a uma pessoa que gosta da sua função, que tem um part-time como terapeuta massagista e jornalista de eventos e que escreve crónicas para publicações online.
Quando pensamos que temos a nossa vida toda planeada ou que já sabemos o que vai acontecer, ou mesmo quando julgamos que vai ser um mar de misérias, com aquilo que julgamos factos imutáveis, implacáveis e fatais, não é preciso muito tempo para que nos seja provado contrário. Convém também que o desejo de mudança esteja no nosso interior e que queiramos caminhar em qualquer direcção. Não com o principal objectivo de se chegar lá mas porque se quer fazer esse caminho, porque aceitamos em paz esse desafio.
Amanhã tenho um concerto para fazer reportagem. Vou sozinho - mais uma das coisas que mudou. É bom ir sozinho a concertos e já fui a tantos... Sempre que vou sozinho, vou sempre com a melhor companhia possível, a minha.
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