domingo, 26 de janeiro de 2014

26-01-2014

O pai de um dos primos do Paulo faleceu esta madrugada. Estava tudo bem, jantou com a família e durante a noite, faleceu. Temos sempre a ideia da morte em que nos sentimos preparados para ela, em que temos tempo nos despedir das pessoas, em que estamos prontos para dizer adeus a esta ou aquela pessoa, mas não é bem assim. Aliás, não é nada assim. Nunca se está pronto. Só na cabeça de um pretenso suicida como eu - título que apesar de longínquo estará sempre gravado nas cicatrizes do meu corpo - poderá ser assim. Ou daqueles que adiam para amanhã pensar nessas coisas. Já tive raiva dessas pessoas, mas hoje em dia, será mesmo melhor concentrarmos energias naquilo que nos faz felizes. Temos tempo para encararmos as perdas daquilo a que estamos apegados. Se calhar gasta-se melhor tempo e energia a ficarmos desapegados de tudo e de todos, mas isso já estou a divagar...

Como estava a dizer, sempre tive a ideia das notas de despedida. Dos vídeos com os momentos que emocionem os que ficaram para trás, uma forma de tocar o coração de todos. Não era mais que uma forma de tentar com a morte aquilo que achei que nunca consegui em vida, fazer com os outros gostassem de mim. Felizmente, é algo que faz parte do passado e hoje em dia consigo realmente sentir a forma como a minha vida toca e é importante para as outras pessoas. Quando o momento chega, é sempre um choque, nunca se está pronto para dizer adeus a quem se ama, principalmente quando nos é arrancado sem qualquer aviso. E não sei se é pela minha experiência pessoal com a morte, com as vezes que estive à beira dela ou com aquilo que já vi e senti com o reiki mas acabo por sentir sempre um vazio quando surgem notícias destas. Tristeza solidária para com os familiares que são deixados para trás mas vazio pela pessoa que seguiu. Hoje em dia sei que não basta morrer para ir para algo melhor. Que tal como antes, durante a vida, se vivemos apegados a algo, quando a transição de estado que chamamos de morte aparece, esse apego faz com que se fique preso a um sítio onde já não se tem lugar e há muita sabedoria a aprender com a morte, principalmente na forma como se vive a vida. 

A vida é como um rio onde ou vamos com a corrente ou gastamos energia a tentar andar no sentido contrário, gastamos todas as energias, e acabamos por ir na corrente na mesma. A questão é que essa perda de energia pode ser o suficiente para não se consiga ter o discernimento para sabermos onde estamos ou sequer nos lembrarmos quem somos. 

Não é o tipo de conversa que se possa ter com toda a gente.

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