O concerto foi brutal. Apesar de não conhecer bem as bandas, apesar de ter ido sozinho, consegui valorizar o tempo, consegui sentir-me... acompanhado mesmo no meio de uma multidão, para contradizer o velho chavão. Não é a primeira vez que o faço, desde que sou repórter que já fui a uma série de concertos sozinho, mas acho que estas visitas ao passado obrigaram-me a colocar em perspectiva. O primeiro concerto que fui sozinho foi quando andava ainda a chafurdar na lama por causa de toda a questão da Susana e a banda que fui ver tocou em todos os pontos que me doíam. Bem, na altura era sensível a tudo, mas de qualquer forma, não consegui perceber o importante. O que era realmente importante. Quer dizer, consegui, mas não lhe dei o valor suficiente para que importasse. Não consegui ver de que foi um dos momentos de maiores comunhão que tive e foi com uma multidão de estranhos.
Hoje, felizmente, consegui perceber que isso aconteceu, tanto naquela altura, como agora, nesta noite. São mais de três da manhã e eu estou completamente eléctrico, mas acima de tudo, feliz. Feliz comigo próprio, feliz por andar no meio de uma multidão de desconhecidos sem olhar por cima do meu ombro, como se estivesse a ser observado por tudo e por todos. Feliz por estar leve e leve por estar feliz. É engraçado como as coisas funcionam como num círculo vicioso, para o bem e para o mal. É bom estar do lado oposto, muito bom.
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