segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

27-01-2014

Os meus pais fazem hoje quarenta anos de casados. 40. Depois de tudo o que passaram, depois de todas as crises, e de vez em quando andarem às cabeçadas um com outro, não deixa de ser uma marca... respeitável. A ideia de amor será diferente daquela que idilicamente desejo, certamente. Mas... mesmo assim, não deixa de ter significado. Nem sempre há calma, nem sempre há paciência. De parte a parte, ainda há aquela intolerância para com as falhas um do outro mas mesmo assim, lá estão, um com o outro. Talvez eles sejam uma lembrança daquilo que não quero ter, idilicamente, mas um exemplo para o que quero atingir. Longevidade com alguém ao meu lado que me aceite e que eu aceite essa pessoa. Tal como ela é. Estes quarenta anos são mais do que eu e o meu irmão, o filho do meu irmão. Mais do que está à vista. São um feito, não desconstruído em algo palpável, que a sociedade possa quantificar, premiar ou condenar.

É a aprendizagem. É a viagem. É o saber que se errou. É continuar. Talvez nem sempre consciente disso, mas continuar.

Para mim durante muito tempo foi, "quando for grande, não quero isto para mim".

E não quero desta forma, assim como sei que não vou ter da forma como quero, porque continuo preso a concepções do passado, a fórmulas fracassadas do passado. Aquilo que eu aprendi hoje, com a constatação destes quarenta anos foi que... talvez não me case, talvez não encontre alguém. Mas se isso acontecer, importa que o sentimento esteja lá. Sem regras. Apenas paz, respeito e claro... amor. Apenas isso. Muitas vezes tive as portas do meu coração fechadas, muito tempo. Hoje sei que elas estão abertas. Para receber isto mesmo. Das formas como a vida entender. 

Eu saberei quando o encontrar, nem que dure quarenta semanas, dias, horas, minutos ou segundos. Saberei.

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