quarta-feira, 9 de julho de 2014

08-07-2014

Uns dias atrás, numa das poucas tentativas para praticar a leitura de aura, fiquei irritado por não conseguir ver a minha rosa. Vi de tudo menos a rosa. Estava no nosso quarto enquanto a Marta estava na sala. Ficámos em salas diferentes, já que a Catarina sugeriu para que não houvessem interferências, mas tal acabou por não adiantar, não para mim pelo menos. Ela conseguiu ver a rosa dela e acabou por ver montes de detalhes enquanto eu já não posso dizer mesmo. Uma das coisas que mais me marcou foi ver na sala uma mulher vestida de preto, com uma espécie de vestido vitoriano ou algo do género, com folhos e rendas. Talvez do século dezanove. A mulher estava de costas e eu acabei por não lhe ver o rosto mas de qualquer forma aquela visão foi o suficiente por me deixar aterrado, provavelmente por me fazer lembrar um filme de terror. Acabei por partilhar isto com a Marta e com a Catarina no dia do curso, já não me recordo se foi no primeiro ou no segundo. E não sei se está relacionado, mas a Marta contou-me que nessa noite sentiu que estava uma luz branca nas costas dela, mesmo quando ela estava de costas e com os olhos fechados, ela sentiu que a luz estava lá. Mais tarde, quando vínhamos para casa dos meus pais, no Domingo, ela disse-me que sentia que as nossas auras estavam à volta do carro, a minha verde e a dela cor de rosa e que atrás do carro estava a luz branca, a mesma do outro dia. Perguntei-lhe se ela conseguia ver de quem era a luz branca e ela respondeu-me, após alguns segundos, que se tratava do Arcanjo Gabriel, que ele nos estava a proteger, tal como naquele dia à noite. Fiquei a pensar se não seria devido à mulher de preto. Hoje, pelo segundo dia seguido e numa altura que até está uma temperatura amena, a Marta sentiu frio, muito frio. Hoje, ou melhor, há pouco mesmo, ela disse-me que era como se tivesse uma brisa ao lado dela, mas as janelas estavam todas fechadas, não havia forma de haver corrente de ar. Amanhã temos que limpar a casa. Sei que tinha dito que o íamos fazer semanalmente, mas Domingo estavamos exaustos... e o tempo é tão curto... Como sempre, quando não temos tempo para algo importante, as coisas colocam-se de forma a que tenhamos de arranjar obrigatoriamente tempo.

07-07-2014

O viver com a Marta era um desafio não só por todas as especificidades da nossa relação, o facto de nos conhecermos à pouco tempo ou de eu nunca ter partilhado a minha vida com outra pessoa, além dos meus pais, claro. Um dos pontos, dos quais ainda não falei, pelo menos acho que ainda não falei, é o facto da Marta ter uma enorme ligação com os animais e de ela ter uma série de animais de estimação. Eu nunca tive animais de estimação, pelo menos, nada além de canários. Estar com animais a tempo inteiro, vai ser uma experiência nova para mim mas mais do que isso, vai ser uma oportunidade para trabalhar todas as minhas questões com os animais. Há um medo irracional que tenho dos animais que acabei por saber há pouco tempo, através da Catarina, que poderá estar relacionado com uma vida passada em que tinha animais, por alturas da idade média, e que não tive hipótese de os manter e senti-me responsável. O meu receio sempre foi de os magoar embora por certas alturas mais pareça o contrário. Talvez tenha medo que os possa magoar se eles me magoarem a mim. Bem, de qualquer forma, se a minha presença na vida da Marta poderá servir para ela ter um certo desapego aos animais, a presença dos animais na minha vida podem servir exactamente para o oposto. 

Isto tudo porque hoje é o dia em que ela finalmente trouxe os animais que tinham ficado na casa de uma amiga dela no Porto e que só agora teve hipótese de os transportar. E se antes eu tinha problemas de tempo, agora é que vou ficar tramado. Assim que eles vieram, consegui logo afeiçoar-me aos coelhos e ao que parece, eles aceitaram-me bem, pelo menos a avaliar pela surpresa da Marta, que disse que normalmente é algo que demora algumas semanas. A impaciência que tive para chegar a casa durante todo o dia foi brutal e acho que não foi só agora por esta mudança, deverá ser algo que se vai repetir nos próximos tempos. Pareço um rapaz pequeno com um novo brinquedo.

terça-feira, 8 de julho de 2014

06-07-2014

De manhã a Marta não tinha vontade nenhuma para ir para o curso e eu estava conformado por ser um domingo, mais um, em que não posso ficar na ronha. Claro que acabo por nunca ficar na ronha, mas pronto, de qualquer forma tenho saudades desse sentimento de pseudo liberdade. De qualquer forma lá fomos e se a Marta me surpreendeu ontem com a forma como encarou o curso, hoje fiquei totalmente orgulhoso. Quer dizer, poderia ter ficado também comigo, mas eu tive um pequeno problema, além de ter sentido um desgaste enorme durante a tarde, uma das razões a que se deveu esse cansaço foi porque a questão do meu pai veio à baila quando estavamos a ver os chakras de cada um e não sei porquê ou em qual chakra foi, a minha relação de infância com o meu pai surgiu, onde eu falei de que grande parte das minhas inseguranças que tive que desfazer e enfrentar em adulto - tarefa que ainda não acabou - teve como responsável uma fase da minha vida em que me senti encurralado e ao mesmo tempo abandonado pelo meu pai. A Catarina interrompeu-me a certo momento e disse que a minha avó estava ao meu lado a pedir para à Catarina para me dizer a mim que tinha de falar com ele. Eu sei que sim, mas não é algo que queira fazer. Não é algo que planeie fazer. Nos momentos seguintes remite-me ao silêncio, algo que tanto a Marta como a Catarina repararam. Quando ambas me perguntaram se estava bem, a minha vontade era deixar tudo para trás e fugir, tal como tantas vezes tinha sentido no passado, tal como me tinha sentido nessas vezes quando estava encurralado. Sou uma pessoa diferente, mas seria errado pensar que sou mais forte ou mais sábio. Talvez até arrogante pensar que sou mais eu, já que quanto mais crianças somos, mais próximos estamos do nosso verdadeiro eu. Antes da nossa criança interior ser estilhaçada. É assim como vejo esses tempos, os tempos em que a minha criança interior foi estilhaçada e daí parte dos meus problemas de auto-estima. Estou mais em paz com esse passado mas sei que ainda estou longe do ideal e sei que eventualmente vou ter de falar com o meu pai, eventualmente vou ter que perdoar definitivamente ao meu pai e sobretudo a mim próprio por me considerar ter sido fraco muitas vezes e dar-lhe razão. Um dia, mas não para agora. Não para agora.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

05-07-2014

O curso foi brutal. Quer dizer, continuo a sentir que não flui tão depressa quanto desejaria mas deu-me imenso prazer em ver a Marta a ver tão bem e a já a conseguir interpretar as coisas. Isto numa altura em que não tivemos praticamente tempo, oportunidade ou sequer vontade para praticar. E tudo fluiu. Seria caso para dizer que caso eu quisesse uma prova do caminho a ser trilhado, ela estava aqui à minha frente, mas eu saberia também de antemão que não seria suficiente. E não é, mas aos poucos sei que a minha evolução tem sido mais gradual, não deixando de me maravilhar com caminho que a Marta tem percorrido, uma evolução brutal. Não terá sido por acaso que eu decidi seguir o impulso de a convidar a partilhar o curso comigo e o talento que ela tem demonstrado para a Leitura de Aura e para a ligação ao divino tem sido fantástica e sobretudo inspiradora. Gostava de ter esta capacidade, e sei que a minha é diferente, mas fico maravilhado com a dela. E por falar nisso, há uma série de ligações que ela fez e que eu tenho me esquecido de contar. Houve uma noite que ela sonhou comigo toda a noite mas antes disso, assim que se deitou, ligou-se à minha alma. Apareceram dois anjos, em forma de desenho que até parecia feito por crianças e nisto, cada um deles, transforma-se mas só via as nossas cabeças em grande e atrás de nós um coração, com o nosso sítio secreto representado. Ela sabe que foi ligação mas foi tão enigmático como um sonho. Eu estava bastante sorridente, feliz e pedi para ela vir comigo, que sorriu e deu-me a mão. Fomos parar à nossa àrvore, onde temos a casa e ficámos a criar como duas crianças às escondidas, com muita diversão. Durante os dias de viagem, ela fartou-se de sonhar comigo, acordava e estava agarrada à almofada, pensando que era eu. O que é certo é que nessa noite, como acho que já disse... não dormi nada.

A outra ligação foi estarmos os dois num jardim com flores gigante, todas brancas e todas maiores que nós. Estavamos contentes, como sempre, e fomos até uma flor, que eu coloquei a mão lá dentro e tirei néctar, provei e dei a provar a ela. Eu disse-lhe que era doce como o nosso amor. Depois seguimos por um caminho de pedras, mas estas eram douradas e prateadas (o que indica protecção espiritual) e adormeceu, não se lembrando mais. Mas creio que foi uma representação do nosso caminho, do que estamos actualmente a trilhar.

sábado, 5 de julho de 2014

04-07-2014

A noite em branco não prejudicou a minha prestação na visita à sucursal de Braga mas deixou-me exausto. A cada cinco minutos que me encostava para trás no carro adormecia, mas depois estava constantemente a acordar pela cabeça não parar quieta, sempre a escorregar, sempre a cair. Não sei se era do carro ou do estado avançado de cansaço mas tal nunca me tinha acontecido. Quando cheguei a casa, a Marta já cá estava e foi claro e óbvio que não fomos feitos para estarmos muito tempo muito longe um do outro, algo que nunca tinha sentido antes, não verdadeiramente, não de uma forma tão subtil - no meu caso, creio que na Marta seja tudo menos subtil - mas sempre presente. Acho que todas as coisas exacerbadas que senti sempre foram mais pensadas do que propriamente sentidas. Porque eu queria ou "precisava". Queria mostrar, precisava de provar. Ao mundo, a mim mesmo. Desta vez... até me estou a sentir mal por causa disso. Ainda tenho uma série de amigas, especiais, que não contei as novidades. Acho que ainda estou à espera de assentar e acalmar para dizer as novidades, mas creio nessa alturas, as novidades já têm alguns anos. Creio que ao ritmo que as coisas têm acontecido, não vá assentar tão cedo, ou pelo a forma como quero e idealizo. O irmos para Sines era um horizonte longínquo uns tempos atrás, agora estamos a semanas disso. Mais um pequeno exemplo de como a minha relação com o tempo ainda não está completamente ajustada, mas o ajuste que tenho de fazer é dentro de mim. Este fim de semana por exemplo. Curso de leitura de aura e descansar nos intervalos. O fim de semana sempre foi aquele tempo em que eu sempre disse a mim mesmo que seria para fazer tudo. Tudo aquilo que não conseguia ou queria fazer durante a semana. Grande parte do descontrolo começa por esse tipo de raciocínio. O Tempo que interessa é o agora, é onde deve estar o foco. Como por exemplo, agora, depois de escrever isto, dormir uma boa noite de sono para amanhã estar preparado para o curso de leitura de aura, do qual não treinei praticamente nada e fui adiando sempre, com ou sem desculpas, quase sempre sem vontade e com cansaço à mistura.
Foco.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

03-07-2014

Estou em Braga, depois de visitar a sucursal de Aveiro. É a primeira noite sem a Marta desde que estamos juntos e nunca pensei que fosse tão difícil. Não que eu sinta uma tristeza ou melancolia - a minha forma de sentir saudades sempre foi peculiar. De tal forma que durante muito tempo pensei que seria teimosia. Se houve algumas mudanças que me custaram a habituar, viver com a Marta foi a mais fácil de todas, provavelmente também foi a mais natural, a que melhor fluiu e menos forçada foi. O dia correu bem e fomos andar um pouco por Braga que apesar de estar a pingar estava uma temperatura amena e bem agradável. Pensei em estudar um pouco para o curso da leitura de aura mas meti-me a ver um filme no canal Hollywood e quando dei conta já era tarde - na minha cabeça - para pegar no curso. Se eu tivesse uma nota de cinquenta euros às vezes que esta situação já se passou já estaria rico. Lá está, neste momento não está a fluir porque... vá-se lá saber porquê, não consigo priorizar o curso. Só me resta aceitar porque não é por me chatear comigo próprio que a minha atitude vai mudar. De qualquer forma, tentei dormir, depois do filme e não conseguir estar mais do que quarenta e cinco minutos, mais coisa menos coisa de luz apagada. E com isto tudo já vou no quarto filme seguido. Estou exausto. Acho que vou tomar um banho e depois passar qualquer coisa a limpo do curso. Esta despertina súbita não é normal, só espero não ficar com as ideias atrofiadas durante a apresentação de amanhã.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

02-07-2014

Que dia fantástico foi ontem. Ok, as nove horas no local de trabalho ninguém mas tira, mas ter saído do trabalho, andado perdido no concelho de Loures, chegar meia hora atrasado, fazer a massagem, que até correu bem e num ambiente que até pode ser considerado como hostil - obviamente estou a exagerar, mas estava rodeado por dois gatos, um dos quais fugiu assim que me viu e depois foi-se aproximando de mim aos poucos e a roçar-se em mim. Deu-me uma vontade enorme para brincar com ele, acho que já não sentia algo assim há muito, muito tempo. Tanto que acho que foi noutra vida, ou noutras vidas. Sensação estranha. Bem, depois da massagem, ir a casa para apanhar a Marta e arrancarmos para Lisboa para irmos logo para o concerto, que foi simplesmente brutal. Foi com dias como ontem que eu me apercebo em quão sortudo eu sou. Não só pela Marta mas por tudo. Por ter os amigos que tenho, por ter a família que tenho, que me ajudam em tudo o quanto peço e maior parte das vezes pensam naquilo que eu não pensei de forma a ajudar-me ainda mais, para além da sua obrigação mas dentro, totalmente dentro, do amor que sentem por mim. Por ter o trabalho que tenho que embora não seja totalmente inspirador, permite-me ter sustento para aquilo que gosto de fazer, as massagens, a música, a escrita, as reportagens. Os bons momentos e até pelos maus momentos. Pensando no mês de Fevereiro e em como ele me levou à Marta é a maior prova de que poderia ter, como se eu precisasse de algumas mas para futura referência pode dar jeito, de como precisamos de gatinhar para aprender andar e em como essa dor, de gatinhar, nos faz realmente chegar a um patamar mais elevado. A paz não é completa porque ainda estou a aprender a lidar com o tempo e com o facto de não conseguir chegar a todo o lado - hoje tive que recusar uma sessão de reiki devido ao curso do próximo fim de semana - e isso é algo que eu notei que regredi, talvez pelo meu equilíbrio ter sido alterado com a mudança e de certa a forma a alteração de rotinas, mas também, depois de um dia como ontem e de um dia como hoje, em que consegui com que o cansaço não se manifestasse de forma negativa nestas questões que estou a lidar, é um sinal que também estou a estabilizar.

Um dia de cada vez.