segunda-feira, 30 de junho de 2014

30-06-2014

Tempo. Nunca o tempo teve um peso tão importante desde que conheci a Marta, ao ponto de falarmos sobre isso. Sempre tive uma forma de esconder as minhas preocupações de tudo e de todos, principalmente por medo de não ser compreendido, por passar por fraco e/ou por me dizerem que isso não seria problema, mostrando-me a solução. No fundo, a maior parte dos meus problemas, desculpas... eu sei que têm fácil solução, porque eles são apenas falsos problemas que revelam apenas um: não querer quebrar com rotinas, ser rígido a esse ponto, não querer mexer com aquilo que está instituído na minha vida, tenha sido por mim ou por outra pessoa qualquer. E essa barreira sempre teve cá, estando disfarçada por alguns momentos, sendo criada a ilusão de que tinha sido ultrapassada por mim, mas nunca o sendo verdadeiramente. Digo, ou escrevo estas palavras sem qualquer intenção de fatalismo ou de vitimização. É apenas um admitir de algo que tenho vindo a lutar nestes últimos anos E é engraçado ver como as pessoas com as quais mantenho relações me ajudam a fazer isso de formas diferentes. A Catarina obrigava-me a cortar - não que ela fizesse de propósito, pelo menos todas as vezes - através de colocando outras coisas em cima da mesa e era um trabalho feito pela pressão. Com a Marta as coisas são diferentes. A pressão vem principalmente de mim e ela, por outro lado, tenta aliviar. A responsabilidade que sinto de estar a dividir a minha vida com ela faz com que queira estar presente, como é normal e expectável, no entanto, sem libertar o mínimo de pressão sobre as coisas que quero fazer. O facto de amanhã ter uma massagem e um concerto e de na quinta e sexta-feira ir para o norte em trabalho e de no fim de semana ter curso de leitura de aura, também ajuda a cimentar essa pressão.

Por falar em curso de leitura de aura, as minhas tentativas de treinar não têm sido bem sucedidas, as imagens que me surgem têm tudo menos a rosa. Quer dizer, comecei por ver a rosa, mas depois apareceram-me montes de imagens nas quais não consegui encontrar nem sentido nem identificação. De alguma forma, isso também me está a causar confusão, mas vou fazer um pacto comigo mesmo, um pacto que já fiz antes e que resultou. Vou baixar a pressão, vou deixar fluir, vou deixar ir o controlo.

Ah e não me posso esquecer de limpar a casa. Eu e a Marta sentimos que ela precisa de ser limpa. Principalmente a sala.

domingo, 29 de junho de 2014

29-06-2014

Hoje foi um dia de descanso. Quando normalmente há um dia de descanso, há sempre um pouco de culpa, por tudo aquilo que há para fazer e também hoje isso não foi excepção. Mesmo assim, o prazer que foi dormir até tarde, dormir a sesta, ou simplesmente deixar-me dormir foi superior a qualquer sentimento de culpa que pudesse aparecer. E apareceu. Mesmo assim, o mais forte foi mesmo em relação ao curso da leitura de aura. É no final desta semana e em todos estes dias, cinco semanas, apenas pratiquei um dia e mesmo assim foi mal. A Marta também está na mesma situação, embora ela não esteja tão preocupada como eu. Também não se pode dizer que seja propriamente preocupação. É mais culpa. Afinal, numa altura em que tenho dificuldades de dinheiro, o gastar dinheiro no curso e se calhar não o aproveitar verdadeiramente ou a mera hipótese de o estar a gastar para nada... é um pensamento que me incomoda.

Aquilo que nós pensamos é aquilo que nós temos. Talvez a Marta tenha razão, embora, nessa linha de raciocínio, se pensar bem... como é que posso ter resultados se não me aplicar para os ter? A não ser que seja algo que não me interesse verdadeiramente. Sendo assim, porque é que estou a gastar dinheiro nisso? Talvez seja algo como os artistas que têm sucesso. Dificuldade em ter inspiração, quando deixam de ter aquela fome, aquela que tinham quando precisavam de ter sucesso. É tudo uma questão de inspiração e eu ainda não encontrei a minha.

Mesmo assim, foi um domingo descansado.

sábado, 28 de junho de 2014

28-06-2014

Cheguei a casa e caí para o lado. Apesar de não ter sido uma noite perfeita em termos de descanso - acho que ainda me estou a habituar ao colchão - acho que descansei mais do que o costume. E o concerto foi brutalíssimo. Ouvir aquelas músicas todas que me marcaram na minha infância e adolescência, que basicamente foram os meus melhores amigos quando senti que não tinha nenhum, foi uma sensação forte demais. Ver aquele sósia do Freddie Mercury e restantes companheiros e ouvir aquelas músicas ao vivo foi um voltar atrás, um visitar um passado que não visitava há muito tempo. Fazê-lo ao lado da Marta, foi como se estivesse seguro, como se ela fosse a minha âncora com uma realidade que sempre desejei mas que muitas vezes julguei impossível. Houve uma música, no entanto, que me deitou abaixo. Ouvir a "Save Me", ouvir aquele poema quando ele já foi cantado tantas vezes da minha boca acompanhado de lágrimas a cair, levou-me novamente a tê-las à beira dos olhos. Não foram os tempos passados, a dor, a saudade, o relembrar do que já vai. Foi pegar na intensidade desses tempos, na intensidade que esses tempos dão à música e ao seu tempo e juntar ao facto da Marta estar ali comigo e na forma como ela realmente me salvou sem eu querer admitir ou reconhecer. Por muito que diga (e saiba que seja verdade) que antes de começarmos, eu ser um completo, a verdade é que com ela sou mais que um, sou mais do que apenas eu. Sou algo mais. Algo que não fui antes. Algo que sempre quis ser. E ao tentar cantar, as palavras não saíram por embargo das lágrimas que tentei conter a todo o custo. Agarrei-a e apenas consegui repetir em uníssono com o falso Freddie Mercury:

"I'll love you 'til I die"

Nunca antes uma música, um sentimento e um momento se uniram de forma tão perfeita. Só por isso já valeu todo o cansaço do mundo.

27-06-2014

É engraçado como as coisas funcionam. Na quarta-feira fui fazer uma massagem quando não me apetecia e acabei por ficar grato. Não é a primeira vez que acontece e por isso já sabia de antemão que ia acontecer. Assim como sei que vai acontecer o mesmo com a massagem que tenho para o dia um de Julho. Depois do trabalho. Antes de uma reportagem de um concerto. Mais uma vez, não tenho a vontade de andar para um lado e para o outro, mas sei que depois me vou sentir muito realizado. 

Hoje o dia foi cansativo. Tive todo o dia na loja e agora estou de rastos. Apenas a fazer um pouco de tempo para fazer mais uma reportagem de uma banda tributo aos Queen. A forma como os Queen são importantes para mim não há palavras. É certo que hoje em dia repartem essa importância por muitas mais bandas mas houve uma altura de que eram apenas eles que estavam ao centro. É essa criança que vai ao concerto hoje, apesar do cansaço e apesar de querer ficar a dormir ou simplesmente a vegetar em frente à televisão. E o cansaço e as rotinas e tudo o resto que supostamente tenho em atraso passa para segundo plano. Supostamente é o que acontece quando se tem prioridades. Logo eu que nunca as consegui fazer, não da forma correcta, começo a tê-las quase sem me aperceber. Deve ser um sinal de que estou finalmente a ficar adulto.

26-06-2014

Que dia massacrante. Ultimamente só venho aqui escrever para contar do meu cansaço e só hoje reparei que já não o fazia há muio tempo. As novas tarefas estão cada vez a tornar-se mais pesadas. Não que as tenha já começado a fazer mas é o peso da responsabilidade que já começa a pesar. Peso da responsabilidade... quer dizer, é o peso da preocupação. Quando julgo que ando preocupado, na verdade as preocupações andam nas minhas costas a cozinhar formas de me atingir. Mas a questão principal não é surpresa nenhuma. Não para mim. Não gosto de surpresas, não gosto de mudanças da minha rotina, não gosto de pessoas novas a entrar na minha vida, nem de pessoas velhas a sair - se bem que existem algumas das quais não sinto saudades quando isso acontece. E isto tudo foi uma enorme mudança. Não é só o facto de estar a partilhar a minha vida com a Marta, é tudo o resto. As mudanças estão a acontecer, umas atrás das outras e depois de uma tão grande como esta, o que sinto a caminho é que vêm aí mais. Enquanto estou a tentar manter os pés no chão, a tentar familiarizar-me com o que tenho à volta, vem mais uma vaga que me desequilibra. Se antes, não ter o controlo de nada me assustava e paralisava, agora apenas me deixa ligeiramente hesitante e um pouco confuso. Ontem cheguei a casa e recebi uma chamada a dizer que tinha uma pessoa interessada para uma massagem, às sete e meia da noite. Inicialmente não sabia o que dizer. O meu lado comodista gritava não, que não queria ir, que ainda havia tanta coisa a fazer que não podia ir, mesmo que fosse para fazer aquilo que gostava. Não tendo mais razão contra que essa, disse que sim e agradeci. A massagem correu bem, embora tenha sido confrontado uma pessoa com algumas dificuldades em relaxar. Não fiquei tão satisfeito por não ter sentido que a tenha realmente ajudado, mas acabei por ficar grato, porque estes desafios são importantes para que cada vez me torne melhor naquilo que faço. Mais do que isso, ter as pessoas do espaço a agradecer-me por ter aceite em tão pouco tempo fazer a massagem, quando na verdade sou eu que fico grato por ter surgido a oportunidade.

Mesmo que a primeira reacção fosse não querer ir.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

20-06-2014

Hoje foi um dia especial. Um daqueles que marca o fim de uma era e o início de outra. O meu desejo sempre foi encontrar alguém que me compreendesse. Alguém que pudesse sentir o que eu sinto, que pudesse compreender aquilo que sinto, que pudesse ver o mundo pelos meus olhos. Susana e Catarina foram aquelas que mais me fizeram acreditar nisso. A primeira pela forma como me amava e idolatrava, a segunda pela forte ligação, inexplicável, que temos. A Marta foi a pessoa que mais perto chegou e sem esforço. Sem esforço da minha parte, sem esforço da dela. Foi ela que me ensinou o que é amar e amar, falta de melhor definição, é acontecer. Amar é ser. sem esforço. Simplesmente ser. Apesar disto, hoje apercebi-me que nem a Marta poderá ser aquilo que sempre procurei, porque na verdade - e disto eu sempre soube - eu procurava na Susana e na Catarina, de diferentes formas, amar-me a mim mesmo. Depositei nelas todas as minhas esperanças para essa tarefa que julgava ser impossível para eu próprio cumprir. Hoje sei que precisei delas para me destruir as minhas esperanças. Precisei de alguém que me amasse desesperadamente me abandonasse para saber que é possível amar-me intensamente, sem concessões. E a diferença que é não ter alguém que me ame dessa forma. Foi como se a minha parte que tivesse depositado na Susana, tivesse desaparecido assim que ela saiu da minha vida. Foi sentir, verdadeiramente, na pele aquilo com que fico quando coloco nos outros a tarefa de me amar a mim próprio. Precisei de alguém para amar desesperadamente para saber como é quando o amor está depositado na outra pessoa que não nos dá. Quando entregamos o coração a outra pessoa, que não nós próprios. E como ele fica aprisionado, refém, de dor, mágoa, solidão. Posso dizer que a minha vida bateu no fundo com estas duas mulheres.

E que lhes estou grato de uma forma gigantesca por isso.

A Susana está grávida e feliz com o seu marido. O único contacto que tenho com ela é através do facebook, onde de vez em quando vejo as suas actualizações. Tive a tentação de lhe dar as felicidades, mas depois pensei que... ela é feliz. Eu não lhe preciso de lhe dar nada.

A Catarina, apesar da fase algo conturbada que está a passar, também sinto que encontrou quem ama, apesar de todas as dificuldades que tem e apesar dos desentendimentos que tivemos os três, mas, sinto que o essencial está lá. E estou feliz por ela. E sei que estarei sempre com ela, nos momentos mais importantes, por perto ou à distância.

Elas duas contribuíram de forma inexplicável para o meu coração ter estado em paz, para que finalmente tivesse mais auto-estima. Elas aprisionaram o meu coração e deram-me a chave, dizendo:

"Depende de ti libertares o teu coração, quando estiveres pronto, vais fazê-lo".

E eu fiz. E quando o fiz, a Marta apareceu na minha vida. Temos descoberto que já tivemos montes de sítios, que temos muito em comum, mas aquilo que interessa nem é isso, o que interessa é o que sentimos um pelo o outro. Sem pesos, sem esforços, sem obrigações. 

Hoje marcou o dia em que o meu coração, segundo aqueles que se regem pelas modernas leis urbanas, se colocou numa prisão, em que vai, mesmo sem se casar, vai viver uma vida em comum com outro. E só me recordo de uma imagem que diz que quando se tenta aprisionar o quer que seja, o desejo de fugir será enorme. Quando a mente e coração é livre, nenhumas barras o aprisionarão.

Sinto-me grato por todas as pessoas que entraram na minha vida, sinto-me grato por todas as pessoas que participaram, que me marcaram, sinto-me grato pelas pessoas que permanecem na minha vida, mesmo sabendo que é tudo um momento, que tudo é efémero mas que nessa efemeridade, tudo é eterno. E as lágrimas caem do meu rosto, não por tristeza, não por alegria, mas por imensidão de sentimentos, por um vasto oceano de emoções e sobretudo de gratidão. Por ter sentido tanto amor, por ter tanto amor à minha volta, por ter as pessoas certas no momento certo e por chegar a este ponto. O ponto que sempre ansiei, o ponto em que eu disse que ia começar a viver, que ia ser adulto. Não me sinto adulto, mas sem dúvida que me sinto mais completo, sem dúvida que me sinto mais abençoado. Talvez este ponto tenha chegado catorze anos depois daquilo que tinha planeado, se calhar catorze anos foi o que eu precisei para estar pronto. Estando doze anos na escola, precisei de mais catorze na escola da vida para aprender o necessário - amar-me a mim próprio, deixar que me amassem, abrir o coração e... amar. 

Sem medos, sem inseguranças. 

Amar.

Esta é a tua dádiva para mim, Marta, meu amor. Conforme choro a escrever-te estas palavras que sei que tu vais ler mais cedo ou mais tarde, sei que quer estejamos juntos um dia ou cinquenta anos, aquilo que nos une é transcendental, aquilo que nos une é único. Aquilo que nos une não é uma prisão que prende os nossos corações, é uma casa, onde queremos estar. Dia após dia, a olhar um para o outro. Sem palavras para dizer.

E muito amor para sentir.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

19-06-2014

Hoje foi um dia exaustivo. Preparações para o começo das mudanças que são amanhã, a luta para que tudo corra bem com os preparativos e o stress a aparecer quando vejo que as coisas estão a correr fora do plano. Nem as palavras da Catarina, que me disse que tudo vai correr de forma a que tudo tenha que ocorrer no momento correcto, ajudaram a acalmar. Na verdade, até ajudaram, não fosse a minha teimosia. Sei que tudo acontece de forma perfeita e que mesmo que eu não consiga aceitar essa perfeição, tudo acontece pelo melhor. Só me resta largar o controle, largar o querer que tudo ocorra de forma como considero perfeita, que mais não que pura teimosia por ser uma visão que eu tinha pré-visualizado e com a qual estou preparado para viver.

Depois no trabalho, o Outlook morreu, o que significa que fiquei sem ferramenta de trabalho. Deram-nos acesso para um webmail, mas não tem metade das funcionalidades que preciso, principalmente ao nível de arquivo. Também fiquei a saber que dia 27, na próxima semana, vou ajudar para uma loja, por ser o dia sem iva da empresa. Acho que estava tão stressado que isto nem me aborreceu o suficiente... talvez para a semana me aborreça... para a semana, quando tenho o segundo fim de semana do curso da leitura de aura, aquele que não vi nada no decorrer destas três semanas...

Estou revoltado comigo por não estar mais preocupado com o curso.