É estranho mas a vida fora da prisão é bem mais nítida do que lá dentro. Por vezes temos casos de prisioneiros que quando são libertos cometem um crime qualquer para voltar à prisão porque simplesmente não sabem viver em liberdade. Não conseguem encarar a vida de comer a horas incertas, de fazer a sua própria comida, de cuidar das suas coisas, de ter que lidar com as pessoas fora das regras (mais ou menos) rígidas de uma prisão. Assim é como sinto após estar sem trabalhar durante algum tempo. Quer dizer, não quero voltar à prisão embora essa tentação, essa necessidade dessa segurança esteja cá dentro à espreita. É a velha relação entre a segurança e a liberdade. Quanto mais liberdade menos segurança, quanto mais segurança menos liberdade. Mas com a dose certa de liberdade a dose certa de segurança. Sei que já falei disto recentemente mas é algo que ultimamente me têm andado a rodear. No entanto, tudo isso dissipa quando recebo mais uma mensagem na minha página do facebook, com mais uma terapia, quando tenho mais um contacto para trabalhar. Tenho assistido a um crescimento apreciável do trabalho que tenho tido e só tenho agradecer a isso, ao Universo e a mim próprio por me ter lançado nesta aventura sem olhar para trás.
Voltar para a prisão? Como dizem nos filmes, nem morto.
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